SUPREMO NÃO É PRONOME PESSOAL – 09.09.26

Por Alex Pipkin

 

A toga deveria apagar o homem para deixar a lei visível.
O Brasil, especialista em avacalhar bons conceitos, realizou o prodígio inverso. Engoliu a lei nas dobras do tecido e levou ao plenário homens inteiros, carregados de amizades, ressentimentos e fomes ordinárias.
Todo homem de toga continua sendo um animal munido de vocabulário refinado para batizar os próprios apetites. Para refrear o bicho existem moral, reprovação pública e lei. A tragédia começa quando seus guardiões reservam o freio aos outros.
Sob Alexandre de Moraes, a exceção se transformou em método e a Constituição, folheto informativo. A censura ganhou eufemismos, o devido processo virou estorvo e inquéritos atravessaram anos contra o alvo conveniente.
Vieram as mensagens de Vorcaro e as minutas do contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o Master e o escritório de sua esposa, cujos metadados registram “Ministro Alexandre de Moraes” como último editor antes da assinatura. O escritório afirma que o ministro verificou eventual impedimento. Justamente por isso se investiga. Quando a suspeita roçou o gabinete, a ferocidade cedeu ao sigilo, à prudência e a um melindrado amor pelas garantias legais.
Dias Toffoli pôs sob sigilo máximo o caso Master, cuja investigação alcançaria negócios do resort familiar. Gilmar Mendes anulou a quebra de sigilo do fundo comprador da participação da família no empreendimento. Flávio Dino saltou do Ministério da Justiça para o Supremo e hoje se alinha aos que sustentam o colega acuado.
Cada episódio chega escoltado por uma explicação técnica. Uma verdadeira série de horror com intermináveis temporadas.
O conjunto, porém, revela um sistema no qual o rigor desce sobre adversários e a cautela sobe para proteger os seus. Chamar coincidência a esse alinhamento exige fé em milagres corporativos.
Invocar a presunção de inocência contra a investigação é inovação de quem raramente concedeu esse luxo aos mortais.
Treze ex-ministros chamaram o momento de mais aguda crise da história do STF e pediram apuração imediata e rigorosa. A Corte que encontrou poderes ocultos nas vírgulas da Constituição agora procura num código de ética a fronteira entre cargo público e conveniência privada.
Do outro lado da praça, o Senado assiste a tudo sentado sobre uma montanha de pedidos de impeachment, chamando a própria covardia de juízo político. Blindar ministros sob o pretexto de defender o Supremo não salva a instituição, apenas a rifa para salvar os homens.
Chega de perfumar a sujeira com delicadezas institucionais. O impostergável é investigar sem compadrio, afastar quem possa contaminar a apuração e punir os responsáveis que a prova revelar, porque toga não é salvo-conduto e impunidade não é liturgia.
Antes que corrompam também a língua portuguesa, convém lembrar que Supremo é adjetivo do Tribunal, jamais pronome pessoal de ministro.

Pontocritico.com

Fonte: SUPREMO NÃO É PRONOME PESSOAL – 09.09.26

MANIFESTOS…

MANIFESTOS

Ontem, 8, enquanto um GRUPO formado por 13 ex-ministros do STF (Néri da Silveira, Francisco Rezek, Sydney Sanches, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Nelson Jobim, Ellen Gracie, Cezar Peluso, Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Eros Grau e Rosa Weber) enviou um MANIFESTO ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo a realização de uma SESSÃO PÚBLICA com a finalidade de esclarecer a CRISE INTERNA NO TRIBUNAL; a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA (ABI), PUBLICOU UM MANIFESTO DE APOIO IRRESTRITO À REELEIÇÃO DO PRESIDENTE LULA.  Que tal?

PREFERÊNCIA POR LULA

Antes de tudo, embora mais do que sabido, dos EX-MINISTROS que assinaram o MANIFESTO a maioria nunca escondeu simpatia e preferência por LULA na presidência do Brasil. Mais: todos, sem exceção, sabem, perfeitamente, que a CRISE INSTALADA NO STF foi e está sendo PRODUZIDA por MINISTROS INDICADOS POR FHC, LULA, DILMA E TEMER, como é o caso de ALEXANDRE MORAES, GILMAR MENDES, EDSON FACCHIN, DIAS TOFFOLI, CRISTIANO ZANIN, FLÁVIO DINO, LUIZ ROBERTO BARROSO (pediu para sair e quase foi substituído por JORGE MESSIAS).

ÍNTEGRA DO MANIFESTO DOS EX-MINISTROS DO STF

A título de informação, eis o que diz o MANIFESTO DOS -FALSOS- PREOCUPADOS COM A CRISE NO STF:

A Sua Excelência Ministro Edson Fachin, Presidente do Supremo Tribunal Federal.

Senhor Ministro Presidente,

Os ministros aposentados e ex-presidentes, abaixo assinados, vêm manifestar plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza de Vossa Excelência na condução dessa Suprema Corte, na mais aguda crise de sua história, e a absoluta convicção de que designará, com toda a urgência, sessão pública para que o Tribunal Pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até mesmo a estabilidade das instituições democráticas.

ABI COERENTE

Também a título de informação, eis o que diz o MANIFESTO da ABI, totalmente desprovido de SURPRESA e carregado de COERÊNCIA ESQUERDISTA:

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI), fiel à sua história e aos princípios que orientam sua atuação desde 1908, reafirma, neste grave momento em que vivemos, seus compromissos com o Estado Democrático de Direito e com a soberania nacional. O que pressupõe a defesa incondicional da democracia e de suas instituições; das liberdades políticas; das liberdades de expressão e de imprensa; dos direitos humanos e das minorias e da independência de nosso país.

Coerentes com nossas lutas, condenamos golpes ou tentativas de golpes de Estado que violam a Constituição, assim como as tentativas de livrar seus autores e cúmplices das punições a que estão sujeitos.

Rejeitamos, assim, os discursos e as práticas de candidatos a presidente da República que colocam em risco a democracia e os direitos do povo brasileiro, são coniventes com o golpismo e com golpistas e claramente pregam a submissão do nosso país e a entrega de nossas riquezas a uma potência estrangeira.

Por isso, a ABI MANIFESTA SEU APOIO À REELEIÇÃO DO PRESIDENTE LULA, QUE SE MANTÉM, EM SUA TRAJETÓRIA POLÍTICA E NO EXERCÍCIO DE SEUS MANDATOS, INDEPENDENTE DE QUALQUER JUÍZO PARTIDÁRIO, EM SINTONIA COM OS PRINCÍPIOS QUE DEFENDEMOS.

TIRANIA PLENA

Ou seja, considerando que o próximo presidente deverá indicar quatro ou cinco nomes para integrar a Suprema Corte, a ABI, através do seu MANIFESTO, não esconde que tem enorme e franco interesse em estabelecer uma TIRANIA PLENA NO BRASIL. Que tal?

Pontocritico.com

Fonte: MANIFESTOS…

Rebalanceamento: quando e como ajustar sua carteira para não perder dinheiro

 

Você montou sua carteira perfeita: 60% em renda variável, 40% em renda fixa. Um ano depois, a bolsa subiu 30% e sua carteira virou 75% variável e 25% fixa. Você está ganhando mais, certo? Errado. Você está correndo muito mais risco do que planejou.

É aí que entra o rebalanceamento — uma das práticas mais simples e mais ignoradas por investidores iniciantes.

O que é rebalanceamento?

Rebalanceamento é trazer sua carteira de volta para a alocação-alvo que você definiu.

Pense na sua carteira como um time de futebol. Você definiu que precisa de 4 zagueiros, 4 meio-campistas e 2 atacantes. Se durante o campeonato seus atacantes marcam muitos gols e você resolve colocar 5 atacantes em campo, seu time fica desequilibrado e vulnerável. Rebalancear é voltar ao esquema tático original.

Exemplo prático:
Sua meta é 70% ações / 30% renda fixa.

Após 12 meses de alta da bolsa:

  • Ações viraram 82%
  • Renda fixa virou 18%

Rebalancear significa vender 12% de ações (realizar lucro na alta) e comprar renda fixa, voltando para 70/30.

Você faz o oposto do que seu cérebro quer fazer: vende o que está subindo e compra o que ficou para trás.

Por que rebalancear é obrigatório?

1. Controle de risco
Esse é o principal motivo. Sem rebalanceamento, uma carteira 60/40 pode virar 85/15 em poucos anos de bull market. Quando a crise vier, a queda será muito maior do que você aguenta psicologicamente — e você vende no fundo.

2. Disciplina de “comprar na baixa e vender na alta”
Rebalancear te força a fazer o que ninguém consegue fazer por emoção: realizar lucro nos ativos caros e comprar ativos baratos. É o único jeito sistemático de comprar na baixa sem tentar adivinhar o fundo.

3. Melhora o retorno ajustado ao risco
Estudos da Vanguard mostram que carteiras rebalanceadas não necessariamente rendem mais em termos absolutos, mas rendem melhor para o risco que você corre. No longo prazo, isso significa mais tranquilidade e menos chance de abandonar a estratégia.

Quando rebalancear?

Existem duas escolas, e você pode combinar as duas:

1. Por calendário (a mais simples e que eu recomendo para 90% das pessoas)

Escolha uma data fixa: a cada 6 meses ou a cada 12 meses. Anote na agenda: Janeiro e Julho, por exemplo.

Vantagem: é simples, tira a emoção e evita excesso de operações. Para quem tem carteira pequena, 1 vez por ano é suficiente.

2. Por faixa de tolerância (a mais técnica)

Você só rebalanceia quando um ativo desvia muito da meta. Ex: sua meta de ações é 60%. Você define uma banda de 10%. Só rebalanceia se ações passarem de 70% ou caírem abaixo de 50%.

Vantagem: evita rebalancear à toa quando a variação foi pequena e economiza em custos.

Regra de ouro para o Brasil:
Se sua carteira tem menos de R$ 50 mil, rebalanceie 1 vez por ano. Se tem mais, a cada 6 meses ou quando desviar mais de 10% da meta.

Como rebalancear na prática? Passo a passo

Vamos supor sua meta e sua realidade hoje:

Meta: 50% ações Brasil (ETF BOVA11), 20% ações EUA (IVVB11), 30% Renda Fixa (Tesouro IPCA)

Hoje (carteira de R$ 100 mil):

  • BOVA11: R$ 65 mil (65%)
  • IVVB11: R$ 20 mil (20%)
  • Renda Fixa: R$ 15 mil (15%)

Passo 1: Calcule a diferença

  • BOVA11 deveria ter R$ 50 mil, tem R$ 65 mil -> Vender R$ 15 mil
  • Renda Fixa deveria ter R$ 30 mil, tem R$ 15 mil -> Comprar R$ 15 mil
  • IVVB11 está na meta.

Passo 2: Use os aportes para rebalancear sem vender (se possível)
Essa é a técnica mais inteligente e que paga menos imposto. Em vez de vender, você direciona seus aportes novos para o ativo que está abaixo da meta.

No exemplo acima, em vez de vender BOVA11, nos próximos meses você aporta 100% em Renda Fixa até voltar a 50/20/30. Para carteiras em fase de acumulação, isso resolve 80% dos casos sem gerar IR.

Passo 3: Se precisar vender, venda
Se o desvio é muito grande, venda. Pague o IR de 15% sobre o lucro das ações/ETFs e rebalanceie. É melhor pagar 15% de imposto do que ficar com uma carteira com o dobro do risco.

Os 3 erros que destroem seu rebalanceamento

1. Rebalancear demais
Quem rebalanceia todo mês vira trader, paga corretagem, IR e perde o efeito dos juros compostos. Menos é mais.

2. Não considerar IR e custos
Se para rebalancear R$ 1.000 você vai pagar R$ 100 de IR + taxas, não vale a pena. Espere acumular mais ou use os aportes novos.

3. Mudar a meta toda hora
Rebalanceamento pressupõe que sua meta continua válida. Se você muda de 70% ações para 30% ações porque ficou com medo, isso não é rebalanceamento, é mudança de perfil. Sua alocação-alvo só deve mudar quando sua idade, objetivo ou tolerância a risco mudarem de verdade.

Rebalanceamento não é sobre maximizar ganho. É sobre garantir que você continue no jogo.

Uma carteira bem rebalanceada é chata. Ela não te dá adrenalina. Mas é ela que te permite dormir tranquilo em 2020, em 2022 e na próxima crise que ninguém sabe quando virá.

Defina sua alocação hoje. Anote no papel. E no seu calendário, marque: “Próximo rebalanceamento em “.[data]

O futuro você agradece.

Fonte: Rebalanceamento: quando e como ajustar sua carteira para não perder dinheiro