Fonte: RS Notícias: BRASIL GERA 1,5 MILHÃO DE EMPREGOS FORMAIS NO PRIMEIRO SEMESTRE
Autor: Lucio Borges
RS Notícias: TCU APROVA CONCESSÃO DA VIA DUTRA E DA RIO SANTOS – https://www.rsnoticias.top/2021/07/tcu-aprova-concessao-da-via-dutra-e-da.html
RS Notícias: APRENDENDO COM DEIRDRE MCCLOSKEY – Gilberto Simões Pires – https://www.rsnoticias.top/2021/07/aprendendo-com-deirdre-mccloskey.html
RS Notícias: Antiquário – Lustre à venda – https://www.rsnoticias.top/2021/07/antiquario-lustre-venda.html
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RS Notícias: Jânio Quadros – História virtual – https://www.rsnoticias.top/2021/07/janio-quadros-historia-virtual.html
| Jânio Quadros | |
|---|---|
| 22.º Presidente do Brasil |
Jânio da Silva Quadros[nota 2] GCC • GOIH (Campo Grande, 25 de janeiro de 1917 — São Paulo, 16 de fevereiro de 1992) foi um advogado, professor e político brasileiro. Foi prefeito e governador de São Paulo nos anos 1950. Em seguida, foi o vigésimo segundo presidente do Brasil, entre 31 de janeiro de 1961 e 25 de agosto de 1961, data em que renunciou.
Em 1985, elegeu-se novamente prefeito de São Paulo, tomando posse em 1 de janeiro de 1986, tendo sido este o seu último mandato eletivo.[1]
Jânio Quadros utilizou-se da imagem de combate à corrupção durante toda a sua carreira política, tendo a vassoura como símbolo. Porém, no final da sua vida, enfrentou acusações de corrupção.
Biografia
Primeiros anos e estudos
Filho do médico e engenheiro agrônomo Gabriel Quadros, nasceu no estado de Mato Grosso (na porção que hoje corresponde ao Mato Grosso do Sul), mas foi criado em Curitiba, tendo feito os dois primeiros anos do ensino fundamental no Grupo Escolar Conselheiro Ezequiel da Silva Romero Bastos (hoje Colégio Estadual Conselheiro Zacarias), e estudado três anos, de 1927 a 1930, no Colégio Estadual do Paraná.[2] Na capital paranaense foi colega de escola do futuro governador e ministro Ney Braga. Mudou-se para São Paulo, morando em bairros da Zona Norte, Santana e, depois, Vila Maria, que se converteria em seu mais fiel e cativo reduto eleitoral, onde estudou no Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo para, depois, formar-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, abrindo banca na capital paulista em 1943, logo após a sua graduação. Foi professor de Geografia no tradicional Colégio Dante Alighieri e Colégio Vera Cruz, considerado excelente docente. Tempos depois, lecionou Direito Processual Penal na Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Vida política
Em 1947, foi eleito vereador[3][4][5] com 1707 votos na cidade de São Paulo pelo Partido Democrata Cristão (o mesmo partido do jovem André Franco Montoro, a quem enfrentaria em uma eleição estadual 35 anos depois). Por ocasião da cassação (por determinação geral do então presidente Eurico Gaspar Dutra) dos mandatos dos vereadores ex-membros do Partido Comunista Brasileiro (o qual havia tido, em 7 de maio de 1947[6], seu registro cassado), então integrantes do (e eleitos pelo) Partido Social Trabalhista[7] e chamados “Candidatos de Prestes”, alguns suplentes de vereadores foram elevados ao cargo de vereador. É altamente difundida a versão de que Jânio teria recebido assim a posição de vereador, no entanto constata-se que ele havia sido um dos três vereadores já originalmente eleitos pelo PDC, sendo que um quarto (Yukishigue Tamura) elegera-se suplente e tornou-se vereador por conta das cassações do PST. Na ocasião ficou conhecido como o maior autor de proposições, projetos de lei e discursos de todas as casas legislativas do país no período, assinando ainda a grande maioria das propostas e projetos considerados favoráveis à classe trabalhadora. Na sequência foi consagrado como o deputado estadual mais votado, com mandato entre 1951 e 1953.
A 27 de janeiro de 1952 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo de Portugal.[8]
Prefeito e governador
A seguir elegeu-se prefeito do município de São Paulo, o que caracterizou uma grande façanha, pois enfrentou um enorme arco de partidos políticos, assim composto: PSP–PSD–UDN–PTB–PRP-PR-PL. Essa coligação registrou a candidatura do professor Francisco Antonio Cardoso, que tinha uma campanha milionária, com uma enxurrada de material de propaganda e com apoio ostensivo das máquinas municipal e estadual. De outro lado, o PDC e o PSB lançam Jânio Quadros, com poucos recursos financeiros – sua campanha foi chamada de o tostão contra o milhão. Exerceu a função de 1953 a 1955, licenciando-se do cargo em 1954, durante a sua campanha para governador. Seu vice, que exerceu interinamente o cargo, foi José Porfírio da Paz, que também foi autor do hino do São Paulo Futebol Clube. Ainda no futebol, foi homenageado em 1953 pelo Torneio Jânio Quadros, disputado pelos times paulistas Juventus (campeão), Ypiranga e Portuguesa Santista e pelo carioca Bonsucesso.
Após deixar o PDC e filiar-se ao Partido Trabalhista Nacional (PTN), foi candidato da aliança PTN-PSB a Governador de São Paulo, tendo ganhado o pleito sobre o favorito Ademar de Barros (um de seus maiores rivais políticos) por uma pequena margem de votos, de cerca de 1%. Sua gestão foi entre 1955 e 1959. Durante o mandato procurou executar ações que passassem uma imagem de moralização da administração pública e de combate à corrupção (uma prática comum era a das visitas surpresa às repartições públicas, a fim de verificar a qualidade do serviço oferecido à população) aliadas a um empreendedorismo que buscava destaque e projeção, seja na criação de novos serviços e órgãos ou na construção de grandes obras, como pode se verificar, por exemplo, na criação do Complexo Penitenciário do Carandiru. Assim, angariou grande popularidade e se consagrou como um líder entre os paulistas.
Elegeu-se deputado federal pelo estado do Paraná em 1958, mas viajou para o exterior e não participou de nenhuma das sessões do Congresso.[9] Ao retornar, preparou sua candidatura à presidência, com apoio da União Democrática Nacional (UDN). Utilizou como mote da campanha o “varre, varre vassourinha, varre a corrupção”, cujo jingle tinha como versos iniciais:
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- varre, varre, varre, varre vassourinha / varre, varre a bandalheira / que o povo já tá cansado / de sofrer dessa maneira / Jânio Quadros é a esperança desse povo abandonado!
A 17 de maio de 1958 foi elevado a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo de Portugal.[8]
Rápida ascensão política
Jânio chegou à presidência da República de forma muito veloz. Em São Paulo, exerceu sucessivamente os cargos de vereador, deputado, prefeito da capital e governador do estado. Tinha um estilo político exibicionista, dramático e demagógico. Conquistou grande parte do eleitorado prometendo combater a corrupção e usando uma expressão por ele criada: varrer toda a sujeira da administração pública. Por isso o seu símbolo de campanha era uma vassoura.
Presidente da República
Foi eleito presidente em 3 de outubro de 1960, pela coligação PTN-PDC-UDN–PR–PL, para o mandato de 1961 a 1965, com 5,6 milhões de votos – a maior votação até então obtida no Brasil – vencendo o marechal Henrique Lott de forma arrasadora, por mais de dois milhões de votos. Porém não conseguiu eleger o candidato a vice-presidente de sua chapa, Milton Campos (naquela época votava-se separadamente para presidente e vice). Quem se elegeu para vice-presidente foi João Goulart, do Partido Trabalhista Brasileiro. Os eleitos formaram a chapa conhecida como chapa Jan-Jan.
Qual a razão do sucesso de Jânio Quadros? Castilho Cabral, presidente do antigo Movimento Popular Jânio Quadros, sempre se perguntava por que esse moço desajeitado conseguiu realizar, em menos de quinze anos, uma carreira política inteira – de vereador a Presidente da República – que não tem paralelo na história do Brasil. Jânio não alcançou o poder na crista de uma revolução armada, como Getúlio Vargas. Não era rico, não fazia parte de algum clã, não tinha padrinhos, não era dono de jornal, não tinha dinheiro, não era ligado a grupo econômico, não servia aos Estados Unidos nem à Rússia, não era bonito, nem simpático. O que era, então, Jânio Quadros?
Hélio Silva, em seu livro A Renúncia,[10] tenta explicar:
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- Jânio trazia em si e em sua mensagem, algo que tinha que se realizar. E que excedia, até mesmo excedeu, sua capacidade de realização … Todo um conjunto de valores e uma conjugação de interesses somavam-se em suas iniciativas e aliavam-se, nas resistências que encontrou. Analisada, a renúncia não tem explicação. Ou melhor, nenhuma das explicações que lhe foram dadas satisfaz.
Jânio representava a promessa de revolução pela qual o povo ansiava. Embora Jânio fosse considerado um conservador – era declaradamente anticomunista – seu programa de governo foi um programa revolucionário.
Jânio e o Presidente da Argentina Arturo Frondizi.
Propunha a modificação de fórmulas antiquadas, uma abertura a novos horizontes, que conduziria o Brasil a uma nova fase de progresso, sem inflação, em plena democracia.
Assumiu a presidência (pela primeira vez a posse se realizava em Brasília) em 31 de janeiro de 1961.
Embora tenha feito um governo curtíssimo – que só durou sete meses – pôde, nesse período, traçar novos rumos à política externa e orientar, de maneira singular, os negócios internos. A posição ímpar de Cuba nas Américas após a vitória de Fidel Castro mereceu sua atenção. Comenta Hélio Silva em A Renúncia:[10]
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- Foi em seu Governo, breve mas meteórico, que se firmaram diretrizes tão avançadas que, muitos anos passados, voltamos a elas, sem possibilidade real de desconhecer as motivações que as inspiraram.
Para combater a burocracia, tomou emprestado a Winston Churchill – que usara o método durante a Guerra – o hábito de comunicar-se com ministros e assessores diretamente por meio de memorandos – apelidados pela imprensa oposicionista de os bilhetinhos de Jânio[11] – os quais funcionário ou ministro algum ousava ignorar. Adquirira esse hábito, que causou estranheza a alguns conservadores – e era até objeto de chacotas da oposição – no governo de São Paulo.
Um mestre inato da arte da comunicação, Jânio, no intuito de se manter diariamente na “ribalta”, utilizava factoides como a proibição do maiô e biquíni nos concursos de miss,[12] a proibição das rinhas de galo, a proibição de lança-perfume em bailes de carnaval, e a tentativa de regulamentar o carteado, todas estas em vigor até hoje.
Polêmicas
Jânio Quadros condecora Ernesto Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul, 1961. Arquivo Nacional.
Jânio condecorou, no dia 19 de agosto de 1961, com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul[13][14] Ernesto Che Guevara, o guerrilheiro argentino que fora um dos líderes da revolução cubana, e era ministro daquele país, em agradecimento por Guevara ter atendido a seu apelo e libertado mais de vinte sacerdotes presos em Cuba, que estavam condenados ao fuzilamento, exilando-os na Espanha. Jânio fez esse pedido de clemência a Guevara por solicitação de dom Armando Lombardi, Núncio apostólico no Brasil, que o solicitou em nome do Vaticano. A outorga da condecoração foi aprovada no Conselho da Ordem por unanimidade, inclusive pelos três ministros militares.[15] As possíveis consequências desse ato foram mal calculadas por Jânio. Sua repercussão foi a pior possível e os problemas já começaram na véspera, com a insubordinação da oficialidade do Batalhão de Guarda que, amotinada, se recusava a acatar as ordens de formar as tropas defronte ao Palácio do Planalto, para a execução dos hinos nacionais dos dois países e a revista. Só a poucas horas da cerimônia, já na manhã do dia 19, conseguiram os oficiais superiores convencer os comandantes da guarda a se enquadrar.[13] Na imprensa e no Congresso começaram a surgir violentos protestos contra a condecoração de Guevara. Alguns militares ameaçaram devolver suas condecorações em sinal de protesto. Em represália ao que foi descrito como um apoio de Jânio ao regime ditatorial de Fidel, nesse mesmo dia, Carlos Lacerda entregou a chave do Estado da Guanabara ao líder anticastrista Manuel Verona, diretor da Frente Revolucionária Democrática Cubana, que se encontrava viajando pelo Brasil em busca de apoio à sua causa.
A Política Externa Independente (PEI),[16] criada por San Tiago Dantas (juntamente com Afonso Arinos e Araújo Castro) e adotada por Jânio, introduziu grandes mudanças na política internacional do Brasil. O país transformou as bases da sua ação diplomática e esta mudança representou um ponto de inflexão na história contemporânea da política internacional brasileira, que passou a procurar estabelecer relações comerciais e diplomáticas com todas as nações do mundo que manifestassem interesse num intercâmbio pacífico.
Inaugurada em seu governo, foi firmemente conduzida pelo chanceler Afonso Arinos de Melo Franco. A inovação não era bem vista pelos Estados Unidos nem por vários grupos econômicos que se beneficiavam da política anterior e nem pela direita nacional, em especial por alguns políticos da UDN, que apoiara Jânio Quadros na eleição.
Enquanto o chanceler Afonso Arinos discursava no Congresso Nacional e divulgava, pela imprensa, palavras que conseguiam tranquilizar alguns setores mais esclarecidos da opinião pública, a corrente que comandava a campanha de oposição à nova política externa, liderada por Carlos Lacerda, Roberto Marinho (Organizações Globo), Júlio de Mesquita Filho (O Estado de S. Paulo) e Dom Jaime de Barros Câmara (arcebispo do Rio de Janeiro), ganhava terreno entre a massa propriamente dita, a tal ponto que alguns de seus eleitores começaram a acusar Jânio de estar levando o Brasil para o comunismo.
Os serviços de espionagem da URSS (KGB) e da Tchecoslováquia (StB) conseguiram aproximar-se da presidência.[17] Numa reunião em Brasília, em 5 de Maio de 1961, com Alexander Alexeyev (agente da KGB), Jânio comprometeu-se a restabelecer as relações Brasil-URSS.[17]
Essa inovadora política externa de Jânio também provocou algumas resistências nos meios militares. O almirante Penna Botto, que havia protagonizado a deposição de Carlos Luz no episódio do Cruzador Tamandaré, chegou a lançar, em 1961, um livro intitulado A Desastrada Política Exterior do Presidente Jânio Quadros.[18]
Por outro lado as duras medidas internas, que visavam a combater a inflação, que foi crescente durante o governo JK, e já grassava solta após a inauguração de Brasília, bem como algumas medidas que visavam reorganizar a economia, desagradavam à esquerda. Jânio reprimia os movimentos esquerdistas, pelos quais não tinha simpatia alguma, e muitos deles eram liderados por João Goulart. Sua política de austeridade, baseada principalmente no congelamento de salários, restrição ao crédito e combate à especulação, desagradava inúmeros setores influentes.
Jânio nunca teve um bom esquema de sustentação no Congresso Nacional. Sua eleição se deu ao arrepio das forças políticas que compunham esse Congresso, que fora eleito em 1958, e já não mais correspondia às necessidades e às aspirações do eleitorado, que mudara de posição. Diz Hélio Silva, em A Renúncia:[10] O resultado do pleito em que Jânio recebeu quase 6 milhões de votos rompeu o controle das cúpulas partidárias.
Planejou anexar a Guiana Francesa, departamento ultramarino da França, ao território brasileiro. A operação militar foi denominada “Cabralzinho” e visava uma ocupação se possível de forma pacífica. A justificativa era que ele não aguentava mais “ver o minério de manganês do Amapá ser vendido para o exterior” e que “parte sai do Porto de Santana e outra parte de Caiene, uma coisa absurda.” Apesar de uma picada inicial ao Oiapoque ter sido ordenada pelo governador do Amapá (Moura Cavalcanti), a quem o presidente designou a missão, em audiência no dia 3 de agosto de 1961, não houve prosseguimento devido à renúncia de Quadros vinte e dois dias depois.[19]
O governo
No seu curto período de governo, Jânio Quadros:
- Continuou a política internacional que teve seu início no governo de Vargas e um aprofundamento no governo JK. Aumentou a política externa independente (PEI), que visava estabelecer relações com todos os povos, particularmente os da área socialista e da África. Restabeleceu relações diplomáticas e comerciais com a URSS e a China, algo impensável dentro do plano geopolítico e geoestratégico de inserção brasileiro. Nomeou o primeiro embaixador negro da história do Brasil.
- Defendeu a política de autodeterminação dos povos, condenando as intervenções estrangeiras. Condenou o episódio da Baía do Porcos e a interferência norte-americana que provocou o isolamento de Cuba.
- Deu a Che Guevara uma alta condecoração, a Ordem do Cruzeiro do Sul, o que irritou seus aliados, sobretudo os da UDN.
- Criou as primeiras reservas indígenas, dentre elas o Parque Nacional do Xingu, e os primeiros parques ecológicos nacionais.
- Através da Resolução nº 204 da Superintendência da Moeda e do Crédito, acabou com subsídios ao câmbio que beneficiavam determinados grupos econômicos importadores às custas do erário público – inclusive os grandes jornais, que importavam papel de imprensa a um dólar subsidiado em cerca de 75%, e que se irritaram com essa perda de seus privilégios[20] – possivelmente ajudando também a frear as taxas de investimento no país, uma vez que o capital estrangeiro era incentivado pelas taxas de câmbio especiais previstas na Resolução nº 113 para a importação de maquinários e equipamentos, muito mais benéficas que o câmbio livre doravante instituído.[21] A medida se mostrou ser extremamente impopular devido ao aumento no preço de insumos de bens e serviços de consumo popular como pão, produtos agrícolas, tarifas de serviço público e jornais.[22] Esse quadro econômico é agravado por inflação crescente após a era desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek.
- Instalou uma avara política de gastos públicos, enxugando onde fosse possível a máquina governamental. Abriu centenas e centenas de inquéritos e sindicâncias em um combate aberto à corrupção e ao desregramento na administração pública.
- Enviou ao Congresso os projetos de lei antitruste, a lei de limitação e regulamentação da remessa de lucros e royalties, e a pioneira proposta de lei de reforma agrária. Naturalmente nenhum desses projetos jamais foi posto em votação pelo Congresso – hostil a seu governo – que os engavetou, uma vez que Jânio se recusava a contribuir com o que chamava de espórtulas constrangedoras que os congressistas estavam acostumados a exigir para aprovar Leis de interesse da nação.
- Finalmente, proibiu o biquíni na transmissão televisada dos concursos de miss, proibiu as rinhas de galo, o lança-perfume em bailes de carnaval e regulamentou o jogo carteado. Por mais hilárias que possam ter parecido essas medidas na ocasião, mais de 45 anos depois, passados mais de dez presidentes pela cadeira que foi sua, todas essas leis editadas por Jânio ainda continuam em vigor.
- Planejou anexar a Guiana Francesa, tendo enviado tal ordem ao governador do Amapá (Moura Cavalcanti). Apesar de uma picada inicial ao Oiapoque ter sido ordenada pelo governador, a operação não deslanchou devido à renúncia de Quadros.[19]
- Sancionou a lei 3924, de 1961, que dispõe sobre os monumentos arqueológicos e pré-históricos.[23][24]
A renúncia
No dia 21 de agosto de 1961 Jânio Quadros assinou uma resolução que anulava as autorizações ilegais outorgadas a favor da empresa Hanna e restituía as jazidas de ferro de Minas Gerais à reserva nacional. Quatro dias depois, os ministros militares pressionaram Quadros a renunciar: «Forças terríveis se levantaram contra mim…», dizia o texto da renuncia.
De acordo com Auro de Moura Andrade, as razões de seu ato, citado em sua carta renúncia, entregue ao ministro da Justiça Oscar Pedroso Horta, foram:
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- Fui vencido pela reação e, assim, deixo o Governo. Nestes sete meses, cumpri meu dever. Tenho-o cumprido, dia e noite, trabalhando infatigavelmente, sem prevenções nem rancores. Mas, baldaram-se os meus esforços para conduzir esta Nação pelo caminho de sua verdadeira libertação política e econômica, o único que possibilitaria o progresso efetivo e a justiça social, a que tem direito o seu generoso povo.
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- Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou indivíduos, inclusive, do exterior. Forças terríveis levantam-se contra mim, e me intrigam ou infamam, até com a desculpa da colaboração. Se permanecesse, não manteria a confiança e a tranquilidade, ora quebradas, e indispensáveis ao exercício da minha autoridade. Creio mesmo, que não manteria a própria paz pública. Encerro, assim, com o pensamento voltado para a nossa gente, para os estudantes e para os operários, para a grande família do País, esta página de minha vida e da vida nacional. A mim, não falta a coragem da renúncia.
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- Saio com um agradecimento, e um apelo. O agradecimento, é aos companheiros que, comigo, lutaram e me sustentaram, dentro e fora do Governo e, de forma especial, às Forças Armadas, cuja conduta exemplar, em todos os instantes, proclamo nesta oportunidade.
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- O apelo, é no sentido da ordem, do congraçamento, do respeito e da estima de cada um dos meus patrícios para todos; de todos para cada um.
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- Somente, assim, seremos dignos deste País, e do Mundo.
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- Somente, assim, seremos dignos da nossa herança e da nossa predestinação cristã.
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- Retorno, agora, a meu trabalho de advogado e professor.
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- Trabalhemos todos. Há muitas formas de servir nossa pátria.
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- Brasília, 25-8-61.
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- a) J. Quadros[25]
Carlos Lacerda, governador do estado da Guanabara, percebendo que Jânio fugia ao controle das lideranças da UDN, mais uma vez se colocou como porta-voz da campanha contra o presidente (como havia feito com relação a Getúlio Vargas e tentado, sem sucesso, com relação a Juscelino Kubitschek). Não tendo como acusar Jânio de corrupto, tática que usou contra seus dois antecessores, decidiu impingir-lhe a pecha de golpista. Em debate na Band no ano de 1982, Quadros afirmou que Lacerda “quem provocou 25 de agosto”, chamando-o também de inimigo figadal seu e do povo brasileiro.[26]
Em um discurso em 24 de agosto de 1961, transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão, Lacerda denunciou uma suposta trama palaciana de Jânio e acusou seu ministro da Justiça, Oscar Pedroso Horta, de tê-lo convidado a participar de um golpe de estado.
Na tarde de 25 de agosto, Jânio Quadros, para espanto de toda a nação, anunciou sua renúncia, que foi prontamente aceita pelo Congresso Nacional. Especula-se que talvez Jânio não esperasse que sua carta-renúncia fosse efetivamente entregue ao Congresso.[27] Pelo menos não a carta original, assinada, com valor de documento.
O popular rádio jornal daquela época, o Repórter Esso, em edição extraordinária, no dia 25 de agosto, atribuiu a renúncia a “forças ocultas“, frase que Jânio não usou, mas que entrou para a história do Brasil e que muito irritava Jânio, quando perguntado sobre ela.[27]
Cláudio Lembo, que foi Secretário de Negócios Jurídicos da Prefeitura durante o segundo mandato de Jânio, recorda dois pedidos de renúncia que Jânio lhe entregou – e preferiu guardar no bolso. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo[28] disse Lembo:
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- Ele fazia isso em momentos de tensão ou muito cansaço, ou de “stress”, como os jovens dizem hoje. Era aquele cansaço da luta política, de quem diz ‘vou embora’. Mas não era para valer.[28]
Era voz corrente, na ocasião, que os congressistas não dariam posse ao vice-presidente, João Goulart, cuja fama de “esquerdista” agravou-se após Jânio tê-lo enviado habilmente em missão comercial e diplomática à China. Essa fama de “esquerdista” fora atribuída a Jango quando ele ainda exercia o cargo de ministro do Trabalho no governo democrático de Getúlio Vargas (1951-1954), durante o qual aumentou-se o salário mínimo a 100% e promoveu-se reforma agrária – atitudes essas consideradas suficientemente “comunistas” pelos setores conservadores na época.
Por outro lado especula-se que Jânio estaria certo de que surgiriam fortes manifestações populares contra sua renúncia, com o povo clamando nas ruas por sua volta ao poder, como ocorreu com Charles de Gaulle. Por isso Jânio permaneceu por horas aguardando dentro do avião que o levaria de Brasília a São Paulo.[carece de fontes]
Tudo indica, entretanto, que algum tipo de arranjo foi feito, nos bastidores da política, para impedir que a população soubesse em que local Jânio se encontrava nos momentos mais cruciais – imediatamente após a divulgação de sua carta de renúncia.
Jânio Quadros alegou a pressão de “forças terríveis” que o obrigavam a renunciar, forças que nunca chegou a identificar. Com sua renúncia abriu-se uma crise, pois os ministros militares vetavam o nome de Goulart. Assumiu provisoriamente Ranieri Mazzili, que possuía um cargo meramente formal, já que os três ministros militares de Jânio formaram uma Junta Provisória que governou de fato durante esses treze dias, enquanto acontecia a Campanha da Legalidade; nesta campanha destacou-se Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul e cunhado de Jango. Com a adoção do regime parlamentarista, e consequente redução dos poderes presidenciais, finalmente os militares aceitaram que Goulart assumisse. O primeiro Primeiro-Ministro do Brasil foi Tancredo Neves. A experiência parlamentarista, contudo, foi revogada por um plebiscito em 6 de janeiro de 1963, depois de também terem sido primeiros-ministros Brochado da Rocha e Hermes Lima.
Cassação dos direitos políticos e regresso
No ano seguinte à renúncia Jânio foi candidato a governador de São Paulo sendo derrotado por seu velho desafeto Ademar de Barros. Com a eclosão da Ditadura militar de 1964 foi um dos três ex-presidentes a ter seus direitos políticos cassados ao lado de João Goulart e Juscelino Kubitschek. Após fazer declarações à imprensa em Recife, Rio de Janeiro e São Paulo, em julho de 1968, o ex-presidente foi detido pelo Exército Brasileiro, por ordem do então Ministro da Justiça, Luís Antônio da Gama e Silva, ficando confinado em Corumbá, cidade que fica no Pantanal sul-mato-grossense, na fronteira com a Bolívia. O ex-presidente ficou hospedado no Hotel Santa Mônica, que ainda funciona em Corumbá.[29]
Recuperou os direitos políticos em 1974, mas manteve-se afastado das urnas inclusive nas eleições legislativas de 1978, ano em que seus simpatizantes (agrupados sob o denominado “Movimento Popular Jânio Quadros”) o levaram a visitar o bairro paulistano de Vila Maria, tradicional reduto “janista”. Em novembro do ano seguinte manifestou a intenção de concorrer à sucessão de Paulo Maluf ao governo do estado de São Paulo filiando-se ao Partido Trabalhista Brasileiro tão logo foi efetivada a reforma partidária.
Ciclotímico, Jânio Quadros deixou o PTB sete meses depois de sua filiação e tentou ingressar no PMDB, tendo sua entrada indeferida pela executiva nacional do partido, voltando assim ao PTB, legenda pela qual foi candidato a governador de São Paulo em 1982, num pleito onde o vitorioso foi Franco Montoro, seu antigo correligionário no PDC. Jânio terminou a eleição na terceira posição, atrás ainda do malufista Reynaldo de Barros. Por ocasião do processo sucessório do presidente João Figueiredo, declarou apoio ao candidato da oposição, Tancredo de Almeida Neves. Em 1985, contando com o proeminente apoio do empresariado (Olavo Setúbal, Herbert Levy) e dos setores e figuras mais conservadoras da sociedade paulistana, como a TFP, a Opus Dei, o ex-governador Paulo Maluf e o ex-ministro Antônio Delfim Netto, retornou aos cargos públicos elegendo-se prefeito de São Paulo também pelo PTB, derrotando o candidato situacionista, senador Fernando Henrique Cardoso (PMDB), e o representante das esquerdas, deputado federal Eduardo Suplicy (PT). A vitória de Jânio Quadros contrariou os prognósticos dos institutos de pesquisa e contradisse as avaliações segundo as quais o ex-presidente era tido como um nome “ultrapassado” no novo contexto da política brasileira emergente do processo de redemocratização e da campanha das Diretas Já. Fernando Henrique Cardoso, o então primeiro colocado nas pesquisas, chegou a tirar uma foto, publicada pela Revista Veja, sentado na cadeira de prefeito de São Paulo. Tal fato levou Jânio a tomar posse com um tubo de inseticida nas mãos, declarando: “Estou desinfetando a poltrona porque nádegas indevidas a usaram”.[30]
Prefeito de São Paulo pela segunda vez (1986-1988)
O prefeito Jânio Quadros cumprimenta motorista da CMTC durante cerimônia de entrega de 25 ônibus para a empresa municipal, 1987. Arquivo Público do Estado de São Paulo.
Recebeu o cargo de Mário Covas, um ex-janista que havia se tornado uma das principais lideranças do PMDB. Em tese, seu mandato foi exercido até o primeiro dia de 1989, quando seu Secretário dos Negócios Jurídicos, Cláudio Lembo, passou o cargo para Luiza Erundina (Jânio havia deixado o gabinete dez dias antes, indo passar o reveillón em Londres). Em sua última empreitada político-administrativa repetiu seus lances populistas habituais: pendurou uma chuteira em seu gabinete (para ilustrar o suposto desinteresse em prosseguir na política), proibiu jogos de sunga e o uso de biquínis fio-dental no Parque do Ibirapuera (onde era localizada a então sede da prefeitura), com frequência mandava publicar no Diário Oficial do município os célebres bilhetinhos enviados aos seus assessores, obrigou a direção da Escola de Balé do Teatro Municipal a expulsar alguns alunos tidos como homossexuais, aplicou multas de trânsito pessoalmente, posou para a imprensa com a camisa do Corinthians e fechou os oito cinemas que iriam exibir o filme A Última Tentação de Cristo, de Martin Scorsese, por considerá-lo desrespeitoso à fé cristã. A obra só estrearia na cidade no início de 1989, após o final de seu mandato.
Ao mesmo tempo em que criava factoides midiáticos, investia na instalação de serviços de luz em cerca de 91% da área habitada da cidade, na pavimentação de aproximadamente 700 quilômetros de vias públicas, na abertura dos túneis da Avenida Juscelino Kubitschek, na inauguração do Corredor Santo Amaro e na reforma do Vale do Anhangabaú. Restaurou doze bibliotecas públicas, o Teatro Municipal e mais três teatros, além de ter inaugurado o Teatro Cacilda Becker. Seu programa também incluiu ações nos setores da limpeza pública, do saneamento básico (através da canalização de dois córregos), da habitação e da saúde (com a inauguração de dois hospitais e a recuperação de outros seis, fora cinquenta e oito unidades médicas). Concebeu pessoalmente o sistema viário de múltiplos túneis, conectores de diversas avenidas vitais de São Paulo, a cujas caríssimas, complexas e demoradas obras deu início ainda em seu mandato. Após terem sido interrompidas por Luiza Erundina, tais obras foram retomadas e concluídas na gestão de Paulo Maluf. O nome Túnel Presidente Jânio Quadros, por exemplo, foi dado em homenagem ao ex-presidente que havia feito a concorrência da obra. Mais recentemente, Gilberto Kassab, quando prefeito, cogitou em dar-lhes continuidade, mas esbarrou na incapacidade orçamentária da prefeitura para a execução de tais projetos.[31] Na área do transporte público inseriu, em caráter experimental, ônibus de dois andares (a exemplo dos encontrados em Londres) no trânsito da cidade, mas tal experiência não obteve o resultado esperado e foi definitivamente descartada por Luiza Erundina.
Nas eleições para governador de 1986, anunciou apoio a Orestes Quércia, candidato do PMDB e vencedor da eleição. Entretanto, sofreu denúncias de que teria usado a máquina da prefeitura para auxiliar na campanha de Paulo Maluf (PDS).
Em sua relação com a Câmara Municipal, Jânio Quadros utilizou as Administrações Regionais como elementos de barganha para obter o apoio político dos vereadores através de um sistema que consistia no loteamento das mesmas entre os parlamentares. Cada político exercia poder sobre uma administração regional e, não por acaso, ao final de seu mandato o número de ARs e o de legisladores municipais era o mesmo: trinta e três.
Segundo alguns analistas políticos e representantes da sociedade civil, Jânio adotou posturas autoritárias em diversas situações. Seu governo foi marcado por insatisfações de vários setores do funcionalismo público, materializadas através de greves e protestos nas proximidades de seu gabinete, aos quais quase sempre respondia com demissões em massa. Jânio também demonstrou posturas inflexíveis ante a manifestações de movimentos sociais, como o MST. Criou a Guarda Civil Metropolitana para, segundo ele, reforçar o policiamento na cidade, mas seus adversários o criticaram duramente por, na visão deles, utilizá-la como mais um de seus instrumentos de repressão. Ao longo de seu mandato afastou-se diversas vezes do cargo para cuidar tanto de sua saúde, já abalada, quanto da de sua mulher, Eloá Quadros (falecida em 1990). Ao fim da gestão encontrava-se desgastado perante a opinião pública: apenas 30% dos paulistanos aprovaram sua administração,[carece de fontes]além do vexame de ter sido acusado, pelo à época vereador Walter Feldman (PMDB), de manter uma conta bancária na Suíça. Nas eleições de 1988, embora João Mellão Neto (PL) e Marco Antônio Mastrobuono (PTB), que foram integrantes de seu secretariado, concorressem à sucessão, apoiou o candidato João Oswaldo Leiva, do PMDB (lançado pelo então governador Orestes Quércia). Contudo, a vitória de Erundina (PT) em tal pleito configurou-se em uma dura derrota para Jânio Quadros, pois a mesma foi eleita amparada quase que exclusivamente por uma plataforma de esquerda antijanista.
A 26 de fevereiro de 1987 foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal.[8]
Após a prefeitura
Sua saúde frágil o impediu de concorrer à Presidência da República em 1989 (teria recebido inclusive um convite do PSD, que depois lançaria o nome de Ronaldo Caiado) e por conta desse fato hipotecou, no segundo turno do pleito, apoio ao ascendente Fernando Collor, cujo discurso e práticas políticas eram similares às suas. No mesmo ano reuniu a imprensa para anunciar a aposentadoria definitiva da política
Morte
A morte de Eloá, vítima de câncer, em novembro de 1990, agravou seu estado de saúde. Passou os últimos meses de sua vida entre casas de repouso e quartos de hospitais. Morreu em São Paulo, internado no Hospital Israelita Albert Einstein, em 16 de fevereiro de 1992, em estado vegetativo, vítima de três derrames cerebrais. Está sepultado no Cemitério da Paz em São Paulo.[32]
Herdeiros políticos
Sua única filha, Dirce Tutu Quadros, foi eleita deputada federal em 1986 e em 1988 inscreveu seu nome entre os fundadores do PSDB tendo, nesse meio tempo, participado da Assembleia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição vigente desde 1988.[33] Uma polêmica jurídica acerca da perda de nacionalidade de Tutu, por conta de ter efetivada a naturalização para a cidadania norte-americana, fez com que ela logo em seguida se afastasse da política.[34]
Acusações de corrupção
Quando faleceu em 1992 deixou mais de 66 imóveis para seus herdeiros sendo denunciado como corrupto pela filha, que o internou numa clínica psiquiátrica à força.[35]
Durante a Operação Castelo de Areia, a Polícia Federal revelou que Jânio tinha 20 milhões depositados na Suíça em uma conta secreta.[36]
Obras publicadas
Jânio Quadros publicou as obras Curso prático da língua portuguesa e sua literatura (1966), História do povo brasileiro (1967, em coautoria com Afonso Arinos), Os Dois Mundos das Três Américas (1972), Novo Dicionário Prático da Língua Portuguesa (1976) e Quinze contos (1983).
Ministros
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Ministros de Estado durante o governo de |
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|---|---|---|
| Ministério | Ministro | Período |
| Aeronáutica | Gabriel Grün Moss | 31 de janeiro de 1961 — 25 de agosto de 1961 |
| Agricultura | Romero Cabral da Costa | 31 de janeiro de 1961 — 25 de agosto de 1961 |
| Educação | Brígido Fernandes Tinoco | 31 de janeiro de 1961 — 25 de agosto de 1961 |
| Fazenda | Clemente Mariani Hamilton Prisco Paraíso |
31 de janeiro de 1961 — 8 de maio de 1961 8 de maio de 1961 — 18 de agosto de 1961 |
| Guerra | Odílio Denys | 31 de janeiro de 1961 — 25 de agosto de 1961 |
| Indústria e Comércio | Artur Bernardes Filho | 31 de janeiro de 1961 — 25 de agosto de 1961 |
| Justiça e Negócios Interiores | Oscar Pedroso Horta | 31 de janeiro de 1961 — 25 de agosto de 1961 |
| Marinha | Sílvio Heck | 3 de janeiro de 1961 — 8 de setembro de 1961 |
| Minas e Energia | João Agripino | 2 de fevereiro de 1961 — 25 de agosto de 1961 |
| Ministério das Relações Exteriores | Afonso Arinos de Melo Franco | 31 de janeiro de 1961 — 25 de agosto de 1961 |
| Saúde | Edward Catete Pinheiro | 3 de fevereiro de 1961 — 22 de agosto de 1961 |
| Trabalho e Emprego | Francisco Carlos de Castro Neves | 31 de janeiro de 1961 — 25 de agosto de 1961 |
| Transportes | Clóvis Pestana | 1 de fevereiro de 1961 — 27 de agosto de 1961 |
Homenagens
Duas cidades possuem o nome em sua homenagem: Janiópolis (Paraná)[37] e Presidente Jânio Quadros (Bahia).
Notas
- Em 1917, Campo Grande pertencia ao Estado de Mato Grosso, que seria desmembrado em 1977, criando-se o Estado de Mato Grosso do Sul, cuja capital seria Campo Grande.
- ↑ A grafia original do nome do biografado, Janio da Silva Quadros, deve ser atualizada conforme a onomástica estabelecida a partir do Formulário Ortográfico de 1943, por seguir as mesmas regras dos substantivos comuns (Academia Brasileira de Letras – Formulário Ortográfico de 1943). Tal norma foi reafirmada pelos subsequentes Acordos Ortográficos da língua portuguesa (Acordo Ortográfico de 1945 e Acordo Ortográfico de 1990). A norma é optativa para nomes de pessoas em vida, a fim de evitar constrangimentos, mas após seu falecimento torna-se obrigatória para publicações, ainda que se possa utilizar a grafia arcaica no foro privado (Formulário Ortográfico de 1943, IX).
Referências
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Bibliografia
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Ver também
Ligações externas
- O governo Jânio Quadros, Presidência da República do Brasil, consultado em 23 de março de 2008.
- «As diretrizes de Governo», Memória viva, O Cruzeiro.
- Mensagem ao Congresso Nacional, CRL, 1961.
| Precedido por Armando de Arruda Pereira |
28º Prefeito de São Paulo 1953-1955 |
Sucedido por William Salem |
| Precedido por Lucas Nogueira Garcez |
18º Governador de São Paulo 1955 — 1959 |
Sucedido por Carvalho Pinto |
| Precedido por Juscelino Kubitschek |
22º Presidente do Brasil 1961 |
Sucedido por Ranieri Mazzilli |
| Precedido por Mário Covas |
44º Prefeito de São Paulo 1986 — 1989 |
Sucedido por Luiza Erundina |
Wikipédia
RS Notícias: Presidente da comissão do voto impresso propõe a extinção dos fundos partidário e eleitoral – https://www.rsnoticias.top/2021/07/presidente-da-comissao-do-voto-impresso.html
RS Notícias: Presidente Bolsonaro ao vivo pras rádios do nordeste – https://www.rsnoticias.top/2021/07/presidente-bolsonaro-ao-vivo-pras.html
RS Notícias: Boris Iéltsin – História virtual – https://www.rsnoticias.top/2021/07/boris-ieltsin-historia-virtual.html
| Boris Iéltsin Борис Ельцин |
|
|---|---|
| 1º Presidente da Rússia |
Boris Nicoláievitch Iéltsin, em russo:
? Бори́с Никола́евич Е́льцин[3] (Sverdlovsk, 1 de fevereiro de 1931 — Moscou, 23 de abril de 2007) foi o primeiro presidente da Rússia após o colapso econômico da União Soviética. Iéltsin foi também o primeiro líder de uma Rússia independente desde o czar Nicolau II. Seus anos como senador e líder da oposição no Soviete Supremo são lembrados com glória, mas seu governo, lembrado com frustração por conta das grandes expectativas, ficou marcado na história por reformas políticas e econômicas fracassadas e pelo caos social.
Iéltsin foi responsável pela transformação da economia socialista da Rússia em uma economia de mercado, implementando a chamada “terapia de choque”, com programas de privatizações e liberalização econômica. Graças aos meios como foi conduzido este processo, uma grande parcela da riqueza nacional caiu nas mãos de um restrito grupo de milionários, que ficariam conhecidos como “oligarcas russos“.[4] A era Iéltsin foi marcada pela corrupção excessiva e generalizada, inflação, colapso econômico e enormes problemas políticos e sociais que afetaram a Rússia e também as demais repúblicas da União Soviética. Alexander Rutskoi, opositor de Iéltsin, denunciou as reformas do adversário, considerando-as um “genocídio econômico”.[5]
Iéltsin é lembrado, principalmente, pelas suas várias reformas políticas, sociais e econômicas da Rússia, as diversas situações constrangedoras decorrentes de seu alcoolismo e o seu papel como líder da oposição, tendo sido ele um dos mais notáveis políticos favoráveis à independência da Rússia, uma república então controlada pela União Soviética.
Um dos eventos mais memoráveis de seu governo foi a Crise Constitucional de 1993. O Legislativo russo era contrário às reformas neoliberais impostas por Iéltsin, tornando-se um empecilho para o presidente. Em 21 de setembro, Iéltsin dissolve o parlamento, que se rebela, e anuncia o impeachment de Iéltsin, proclamando Alexander Rutskoi, chefe do parlamento, como novo presidente. O parlamento ganha apoio do povo, que passa a protestar contra o governo de Iéltsin. No mês seguinte, a situação se intensifica, e Iéltsin ordena a invasão da Câmara Branca, sede do Soviete Supremo, terminando com a explosão do edifício, resultando na morte de 187 pessoas e prisão dos líderes da oposição. Iéltsin então baniria temporariamente a oposição russa e anularia a Constituição soviética de 1978, estabelecendo uma nova Constituição, possibilitando a continuação de suas reformas econômicas. Segundo a antiga Constituição, anulada por Iéltsin:
Artigo 121-6. Os poderes do Presidente da República Socialista Federativa Soviética da Rússia não podem ser usados para alterar organizações nacionais e estatais da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, dissolver ou interferir no funcionamento de qualquer órgão eleito do poder estatal. Neste caso, seus poderes cessam imediatamente.
A anulação do artigo acima alteraria profundamente o ambiente político russo, que sairia de um sistema parlamentarista de poderes balanceados para entrar, radicalmente, em um regime semipresidencialista sob forte influência do poder Executivo.
Boris Iéltsin era casado com Naina Iéltsina, com quem teve duas filhas, Elena e Tatiana, nascidas em 1957 e 1958, respectivamente. O corpo de Iéltsin repousa no famoso cemitério de Novodevitchi, diferentemente dos demais líderes russos, sepultados na muralha do Kremlin.
Juventude
Boris Iéltsin nasceu na vila de Butka, no Óblast de Sverdlovsk, na União Soviética, em 1 de fevereiro de 1931. Em 1932, após a estatização da propriedade agrícola de sua família, Iéltsin se mudou com a família para Kazan, a mais de mil quilômetros de Sverdlovsk, onde seu pai trabalhou na construção civil, mesma área em que Iéltsin começou a carreira. Em 1934, Nikolai Iéltsin, pai de Boris, foi enviado para os Gulags por três anos, por conta de suas agitações antissoviéticas. Após cumprir dois anos de pena, sua libertação veio em 1936, e Nikolai levou sua família ao Óblast de Perm.
Boris Iéltsin estudou em Perm. Nesta época, perdeu o dedo indicador e o polegar de sua mão esquerda, quando tentou estourar uma granada que havia roubado com seus amigos em um quartel do Exército Vermelho. Em 1949, Iéltsin ingressou no Instituto Politécnico do Ural, em Sverdlovsk, graduando-se em construção civil em 1955.
Carreira
Em 1963, foi promovido a engenheiro chefe, e dois anos mais tarde, passou a chefiar a diretoria responsável pelas instalações de Sverdlovsk. Em 1968, passou a fazer parte da Nomenklatura, ao ingressar no comitê de desenvolvimento industrial. Em 1976, o Partido Comunista promoveu Iéltsin para a chefia do comitê do Óblast de Sverdlovsk, tornando-se chefe de uma das regiões industriais mais importantes do país. Exerceu o cargo até 1985.
Liderança em Moscou
Com a morte de Konstantin Chernenko, o PCUS elegeu Mikhail Gorbatchov o novo líder da União Soviética. O primeiro passo de Gorbatchov seria reanimar a economia soviética, mesmo sabendo que tal tarefa seria impossível de ser realizada sem antes reformar as estruturas políticas e sociais do país. Em 4 de abril de 1985, Iéltsin foi convocado por Egor Ligatchov, conhecido líder político, para que assumisse a chefia do departamento de construção civil dentro do Comitê Central do partido. Em menos de três meses, Iéltsin foi promovido à secretaria de construção civil, tornando-se figura importante na capital.
Em 23 de Dezembro de 1985, Gorbatchov apontou Iéltsin como o primeiro-secretário do Partido Comunista em Moscou, um cargo semelhante ao de prefeito da cidade. Em 1986, Iéltsin foi convidado a ingressar no Politburô. Durante sua participação, Iéltsin mostrou-se reformista e populista. Ele tornou-se popular em Moscou por demitir oficiais corruptos dentro do partido.
Líder da oposição
Iéltsin era o líder da ala liberal. Em 1989, foi eleito para o parlamento.
Em 10 de setembro de 1987, após uma discordância com o linha-dura Egor Ligatchov, por ter permitido protestos nas ruas de Moscou, Iéltsin enviou uma carta de renúncia a Mikhail Gorbatchov, que estava em férias no Mar Negro. Quando o presidente recebeu a carta, ele se surpreendeu, já que ninguém em toda a história da União Soviética havia renunciado a um cargo do alto escalão do Politburô. Gorbatchov pediu para que Iéltsin ponderasse, mas em 27 de outubro, frustrado por Gorbatchov não ter atendido aos seus pedidos na carta, Iéltsin fez um discurso expressando seu descontentamento tanto com a demora no processo de reformas sociais quanto às atitudes políticas de Ligatchov — segundo-secretário do partido, e Gorbatchov — primeiro-secretário. Essa foi a primeira vez que um membro do Politburô fez críticas públicas tão agressivas à chefia do partido.[6] Em sua réplica, Gorbatchov acusou Iéltsin de “imaturidade política” e “irresponsabilidade absoluta”. Ninguém, dentro do Comitê Central do partido apoiou a postura de Iéltsin.
As críticas de Iéltsin foram logo divulgadas como um novo “discurso secreto“, como aquele em que Nikita Khrushchov criticou seu antecessor, Josef Stalin. Essa onda de rumores fez com que a reputação rebelde de Iéltsin crescesse, tornando-lhe uma das principais figuras da oposição. Em 11 de novembro de 1987, Mikhail Gorbatchov empreendeu um novo ataque a Iéltsin, confirmando sua demissão do comitê em Moscou. Dois dias antes, Iéltsin fora internado por conta de uma possível tentativa de suicídio, com lesões profundas no peito.[7]
A partir de então, Iéltsin caiu em desgraça com o partido. Seu cargo na chefia do departamento de construção civil foi retirado, e em 24 de fevereiro, ele perdeu sua cadeira no Politburô. Com argumentos bem formados, Iéltsin foi capaz de apresentar os pontos mais fracos do governo de Gorbatchov, aumentando o seu apoio popular.
As críticas de Iéltsin sobre o governo levou a uma intensa campanha contra ele, que denunciava principalmente o comportamento excêntrico de Iéltsin. Em uma das edições do Pravda, Iéltsin foi acusado de estar bêbado durante um encontro nos Estados Unidos, fatos que foram aparentemente confirmados por imagens de seu discurso. A campanha do governo, por outro lado, foi por água abaixo, visto que a insatisfação com o governo era tão grande, que as críticas a Iéltsin só lhe aumentaram a reputação.
Em 26 de março de 1989, Iéltsin foi eleito deputado por Moscou, com uma importante parcela de 92% dos votos, e três dias mais tarde, conquistou uma cadeira no Soviete Supremo. Em 19 de julho de 1989, Iéltsin anunciou a formação de uma facção radical a favor de reformas.
Presidência
República Socialista Federativa Soviética da Rússia (1991)
Em 29 de maio de 1990, Iéltsin foi eleito o chefe do Soviete Supremo da RSFS da Rússia, apesar das ameaças de Mikhail Gorbatchov aos senadores, para que eles não elegessem Iéltsin. Mesmo assim, o apoio prevaleceu tanto por parte dos conservadores como dos democratas. A eleição de Iéltsin culminou em um conflito entre a União Soviética e a Rússia. Em 12 de junho de 1990, o congresso russo adotou uma declaração de soberania. No mês seguinte, Iéltsin se retirou do Partido Comunista em um discurso dramático perante diversos membros do partido, incluindo os governistas e os linha-duras, em meio a gritos de “Vergonha!” e aplausos.[8]
Em 12 de junho de 1991, Iéltsin venceu as eleições para presidente da RSFS da Rússia com 57% dos votos, derrotando o candidato apoiado por Mikhail Gorbatchov, o comunista Nikolai Rizhkov, que conseguiu apenas 16% dos votos. Durante a campanha, Iéltsin criticou a “ditadura do centro”, mas não sugeriu a introdução de uma economia de mercado, e ao contrário, disse que seria sensato quanto a mudanças econômicas, por conta da inflação. Iéltsin tomaria posse em 10 de julho.
O golpe
Em 18 de agosto de 1991, os membros do governo soviético, contrários à perestróika, iniciaram um golpe de estado frustrado para derrubar o presidente soviético, Mikhail Gorbatchov, defensor das reformas, e o presidente russo, Boris Iéltsin, cujo objetivo era tornar a Rússia independente da URSS. Gorbatchov se isolou na Crimeia, enquanto Iéltsin foi à Câmara Branca, prédio do Soviete Supremo da Rússia, para deter os golpistas e fazer um discurso memorável do topo de um tanque de guerra. O edifício foi cercado pelo exército, mas por conta do grande número de pessoas reunidas, as tropas desistiram do cerco. Em 21 de agosto, a maioria dos líderes do golpe fugiram de Moscou e Gorbatchov voltou da Crimeia para a capital. A atitude de Iéltsin, que se envolveu no calor da batalha, diferentemente de Gorbatchov, que nem sequer estava em Moscou, fez com que Iéltsin fosse fervorosamente enaltecido pelos seus seguidores, tornando-se um ícone de resistência ao golpe de estado frustrado.
Apesar de voltar ao posto, Gorbatchov foi politicamente derrotado com o triunfo de Iéltsin. Com a independência da Rússia, principal república e sustentáculo da União Soviética, Gorbatchov perdeu todo o controle que detinha sobre o país. Iéltsin então passou a se apropriar de tudo que fazia parte da estrutura soviética, desde os ministros até o próprio Kremlin. Em 6 de novembro de 1991, Iéltsin assinou um decreto proibindo qualquer atividade do Partido Comunista em solo russo.
O fim da União Soviética
Em 8 de dezembro, Iéltsin se encontrou com os presidentes da Bielorrússia, Stanislav Shushkevitch, e da Ucrânia, Leonid Kravtchuk, os chefes de dois países que acabavam de se tornar independentes da União Soviética, ainda em 1991. No encontro, foi assinado o Pacto de Belaveja, que anunciava a dissolução da União Soviética e a formação da Comunidade dos Estados Independentes, a CEI. De acordo com Mikhail Gorbatchov, Iéltsin teria mantido a ideia do pacto em segredo, pois o principal motivo para dar fim à URSS seria para que Iéltsin se livrasse de Gorbatchov. O então presidente soviético também afirmou que Iéltsin havia violado o desejo popular no Referendo de 1991, em que a maioria do povo votou para que a União Soviética continuasse existindo como estado.
Em 24 de dezembro, após uma conversa com Iéltsin, na qual Gorbatchov aceitava dissolver oficialmente a União Soviética, a Federação Russa herdou o assento da União Soviética na ONU.
Federação Russa (1992-1999)
Reformas econômicas
Gráfico econômico da Rússia moderna. Durante os anos de Iéltsin, a economia viveu seus piores momentos.
Dias após a queda da União Soviética, Boris Iéltsin embarcou em um programa de reformas econômicas radicais, com o objetivo de reestruturar o sistema econômico da Rússia, transformando a maior economia socialista do mundo em uma economia de mercado.
No final de 1991, Iéltsin favoreceu os especuladores e instituições estrangeiras, como o Banco Mundial, o FMI e até mesmo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que nos anos 1980 haviam desenvolvido técnicas de recuperação econômica para economias em transição. Essas políticas ficaram conhecidas como “Consenso de Washington“, e mais particularmente no caso da Rússia, como “terapia de choque”, por conta das duras penas que os russos sofreram durante este período. Essas reformas políticas possibilitaram que Yegor Gaidar (1956–2009), um jovem economista russo favorável a reformas radicais, entrasse no alto escalão de Iéltsin.
Em 2 de janeiro de 1992, Iéltsin, que também tinha os poderes de primeiro-ministro, ordenou a liberalização do comércio exterior, dos preços e da moeda. Ao mesmo tempo, Iéltsin seguiu uma política de estabilização macroeconômica, caracterizada por uma rígida austeridade para o controle da inflação. Sob os programas de Iéltsin, as taxas de juros aumentaram para níveis altíssimos para ajustar a moeda e restringir o crédito. Para balancear o gasto e a receita do país, Iéltsin aumentou os impostos violentamente, cancelou subsídios do governo à indústria e construção e fez duros cortes na previdência.
O resultado foi a subida dos preços em toda a Rússia e o crédito restrito resultou na falência de diversas indústrias, culminando em uma depressão econômica. As reformas devastaram os padrões de vida de boa parte da população, principalmente aqueles dos grupos dependentes de subsídios e da previdência, como os aposentados, que após anos de trabalho sob a URSS não puderam gozar da aposentadoria. Com o passar dos anos, o PIB da Rússia caiu 50%, diversos setores da economia foram varridos do mapa, a desigualdade social e o desemprego cresceram dramaticamente, enquanto a receita caía. A hiperinflação, causada pelas perdas do banco central russo fez desaparecer milhões de rublos em poupanças pessoais, e dezenas de milhões de russos caíram na pobreza.[9]
A Crise no Parlamento
Em 1992, Iéltsin lutava contra o Soviete Supremo, o parlamento da Rússia, pelo controle das propriedades governamentais. Com o passar dos meses, o porta-voz do Soviete Supremo, Ruslan Khasbulatov, anunciou que a assembleia era contra as reformas, apesar do clamor popular pelos objetivos de Iéltsin em geral. Em dezembro, os senadores se uniram para depor Yegor Gaidar do posto de primeiro-ministro, que foi apontado pelo presidente, em um posto que deve ser eleito pelos parlamentares. Na mesma sessão, Valeri Zorkin, chefe da Corte Constitucional, vetou um acordo que incluía adotar um referendo nacional por uma nova Constituição, estabelecer a participação de Iéltsin na escolha do chefe-de-governo e a proibição do parlamento em aplicar emendas constitucionais, que supostamente impossibilitavam o balanço de poder entre os poderes Legislativo e Executivo. Em 14 de dezembro, o parlamento aceitou Viktor Chernomyrdin como primeiro-ministro. Chernomyrdin era visto pela oposição como uma figura comprometida e, diferentemente de Gaidar, imparcial em relação a Iéltsin.
O conflito se intensificaria com um discurso de Iéltsin, no qual o presidente anunciava que assumiria certos “poderes especiais” para implementar suas reformas. Em resposta, o parlamento convocou um congresso para depor Iéltsin da presidência através de um impeachment, em 26 de março de 1993. Os adversários de Iéltsin conseguiram mais de 600 votos, mas perderam por conta de 72, que completariam os 2/3 de votos necessários para a declaração. No decorrer de julho de 1993, uma guerra de poderes se desenvolveu na Rússia, mas tudo indicava que a situação não permaneceria daquela forma por muito tempo.
Iéltsin comemorando a queda do Soviete Supremo e a conquista de plenos poderes ao presidente.
Em 13 de agosto de 1993, o jornal Izvestia lançou a seguinte manchete: “O Presidente assina decretos como se não houvesse um Soviete Supremo, e o Soviete Supremo assina decretos como se não houvesse um presidente”.[10]
Em 21 de setembro, a situação chegou ao cúmulo quando Iéltsin anunciou sua decisão de dissolver o Soviete Supremo através de um decreto. Iéltsin declarou que governaria por decreto até a eleição parlamentar e um referendo por uma nova Constituição. Na noite do discurso, o Soviete Supremo declarava Iéltsin fora da presidência, por violação à Constituição, e Alexander Rutskoi foi proclamado o novo presidente. Começava a Crise constitucional de 1993.
A crise de 1993 representa a grande mudança na reputação de Iéltsin. Antes adorado pelas massas por sua postura libertária, a população passou a ver seu lado autoritário.
Entre 21 e 24 de setembro, Iéltsin teve de lidar com a grande movimentação popular, que encorajava o parlamento. Durante estes dias, Moscou viu uma manifestação em massa, de dezenas de milhares de cidadãos russos marchando nas ruas contra o presidente Iéltsin, caminhando em defesa do edifício que sediava o parlamento. Os manifestantes também protestavam contra as terríveis condições de vida sob o governo de Iéltsin e contra o autoritarismo apresentado por ele, que durante sua época como líder da oposição sempre criticou o autoritarismo do governo soviético. A corrupção era outro problema irônico no governo de Iéltsin, além das altas taxas de crimes violentos, o colapso dos serviços médicos, que sob a União Soviética eram considerados os melhores do mundo. O preço das comidas e do combustível aumentavam e a expectativa de vida diminuía, exceto para uma fina camada endinheirada da população. Todas as suspeitas da culpa Iéltsin nos problemas da Rússia foram escancaradas nos protestos de 1993.
No início de outubro, Iéltsin garantiu o apoio do exército russo e do ministério do interior. Para demonstrar força, Iéltsin convocou dezenas de tanques para cercar a Câmara Branca, sede do Soviete Supremo.
Com a dissolução do Soviete Supremo, foi estabelecida a Duma, o novo parlamento. Em 1993, as eleições para a recém-instaurada assembleia foram marcadas por uma onda de oposição a Iéltsin. Os votos foram divididos entre candidatos do Partido Comunista ou ultra-nacionalistas. O referendo, contudo, aprovou a nova Constituição, proposta por Iéltsin, que foi capaz de aumentar significantemente os poderes presidenciais, dando a Iéltsin o poder para apontar novos membros de governo, demitir o primeiro-ministro e até mesmo dissolver a Duma.
Guerra na Chechênia
Em dezembro de 1994, Iéltsin ordenou a invasão militar da Chechênia, procurando restaurar o controle de Moscou sobre a república. Dois anos depois, as forças russas desocuparam uma Chechênia completamente devastada, em um acordo de paz. O acordo permitiu grande autonomia à república chechena, mas não a independência por completo.
A revista norte-americana TIME escreveu:
“Afinal, o que aconteceu com Boris Iéltsin? Ele certamente não pode mais ser considerado o mítico herói democrático. Mas terá ele se tornado um chefe comunista antiquado, virando as costas para as reformas democráticas que ele um dia apoiou, e se abraçando com militares e ultra-nacionalistas? Ou terá ele sido embriagado, manipulado, voluntária ou involuntariamente, por bem ou por mal, quem sabe? Se houvesse um golpe ditatorial, Iéltsin seria sua vítima ou seu líder?”
Privatizações
Os cheques de privatização foram distribuídos para os cidadãos para serem trocados por ações privadas. A população, contudo, vendia os cheques a troco de valores mínimos, enchendo os bolsos dos compradores, que eram em sua maioria oligarcas.
Com o fim da União Soviética, Iéltsin promoveu as privatizações como um modo de espalhar as parcelas das propriedades estatais, com o objetivo de criar um apoio político cada vez mais amplos para as suas reformas. No início dos anos 1990, Anatoli Chubais foi o advogado da privatização na Rússia.
Em 1995, conforme se esforçava para financiar a crescente dívida externa da Rússia e ganhar apoio das elites russas para sua candidatura nas eleições de 1996, Iéltsin preparava-se para uma nova onda de privatizações, oferecendo parcelas de propriedades para alguns dos empresários mais ricos do país, em troca de empréstimos bancários. O programa foi realizado de forma a acelerar o processo de privatização e garantir o apoio financeiro necessário para o governo.
No final das contas, os contratos foram oportunidades para ricos grupos de magnatas das finanças, da indústria, da energia, das telecomunicações e da mídia, que ficariam conhecidos como os oligarcas russos, em meados dos anos 1990. Com a distribuição de vouchers para a população — que deveriam ser trocados por ações, uma das medidas tomadas pelo governo para fomentar a iniciativa privada — os oligarcas ficaram ainda mais ricos, já que os cidadãos comuns vendiam seus cupons por preços mais baixos que os das ações, em busca dos mínimos valores para aumentar o padrão de vida baixíssimo que tinham, fruto da miséria e estagnação do crescimento de riqueza durante a era socialista. O resultado disso foi a falência do programa de vouchers e o aumento da riqueza dos oligarcas. Boris Berezovski, que controlava grande parte das propriedades bancárias e da mídia, tornou-se um dos mais notáveis oligarcas do círculo de Iéltsin. Mikhail Khodorkovski e Roman Abramovitch são outros oligarcas conhecidos.
Campanha presidencial
Em meio às crises políticas e problemas de saúde, Iéltsin anunciou a intenção de participar das eleições de 1996, em um momento que muitos acreditavam ser o fim de sua carreira política, por conta da popularidade cada vez mais baixa. No início de 1996, a popularidade de Iéltsin era tão baixa que beirava 2%.[11] Ao mesmo tempo, o Partido Comunista, que venceu as eleições legislativas, representado pelo candidato Guennadi Ziuganov, crescia e tinha forte apoio, nos centros urbanos, por conta dos velhos tempos de prestígio, e principalmente nas regiões rurais, extremamente afetadas pelas reformas agrícolas de Iéltsin.
Era perceptível que Iéltsin seria derrotado nas urnas, e seus assessores chegaram até a citar que Iéltsin cancelasse as eleições e governasse como ditador. Com o choque, medidas foram rapidamente tomadas, e Anatoli Chubais, o responsável pelas privatizações, usou seu controle no programa como instrumento para a reeleição do presidente. Com o apoio de diversos oligarcas, Iéltsin conseguiu fundos para sua campanha e manipulou a mídia a seu favor, e em troca, permitiu que os oligarcas recebessem parcelas maiores de propriedades estatais. A imprensa — controlada ou pelo governo ou pelos oligarcas aliados de Iéltsin — agiu de forma terrorista, e destacou uma suposta “volta ao totalitarismo” no caso da vitória de Ziuganov, e até mesmo uma guerra que os comunistas iniciariam para restabelecer a URSS. Ao mesmo tempo, a imprensa exaltava Iéltsin, omitindo por completo seus problemas de saúde. Iéltsin prometeu acabar com a Guerra da Chechênia, dar um intervalo às reformas e voltar a pagar pensões aos aposentados e salários aos funcionários públicos.
Com a aproximação da reta final da campanha presidencial, Ziuganov viu sua popularidade inicial desaparecer. No primeiro turno, Iéltsin venceu com apenas 3,5% de votos a mais que o adversário Ziuganov. No segundo turno, após diversas manobras políticas que incluíram o apoio de um candidato bem-votado e da milítsia russa, Iéltsin foi reeleito com 53% dos votos, contra 40%.
Internação e crise econômica
No início do segundo mandato, Iéltsin foi internado com urgência para realizar a sua quinta cirurgia de ponte de safena. Por conta de complicações na cirurgia, o presidente ficou meses no hospital. Durante esse período, a Rússia receberia 40 bilhões de dólares do FMI e de outras organizações financeiras mundiais. Contudo, seus oponentes afirmam que esse dinheiro foi roubado do tesouro pelos magnatas do círculo de Iéltsin e estariam guardados em bancos estrangeiros.[12][13]
Em 1998, o governo de Iéltsin não pagou suas dívidas, causando pânico no mercado financeiro e o colapso do rublo, o que levou à Crise russa de 1998.
Kosovo e tentativa de Impeachment
Durante a Guerra do Kosovo, em 1999, quando tropas da OTAN atacaram alvos da Iugoslávia, Iéltsin se opôs fortemente à campanha contra a Iugoslávia, e ameaçou uma possível intervenção russa no caso de a OTAN enviar tropas terrestres a Kosovo. Pela televisão, Iéltsin afirmou que “disse à OTAN, aos americanos e aos alemães para não empurrar a Rússia para uma ação militar, senão haverá sem dúvida uma guerra europeia e talvez uma guerra mundial“.[14]
Em 15 de maio de 1999, Iéltsin se livrou de mais uma tentativa de impeachment, desta vez por parte da oposição comunista na Duma. Ele foi acusado de diversas atividades inconstitucionais, incluindo a assinatura do Pacto de Belovezh, que oficializou o fim da União Soviética, apesar de a escolha do povo ter sido à favor da existência do país; o golpe de Estado em outubro de 1993; e a guerra da Chechênia, em 1994. Nenhuma dessas acusações recebeu 2/3 dos votos na Duma, o necessário para iniciar um processo de impeachment contra o presidente.
Em 9 de agosto de 1999, Iéltsin demitiu todo o seu gabinete, e indicou Vladimir Putin como seu novo primeiro-ministro, revelando seu desejo de que Putin fosse seu sucessor na presidência.
Conflito com Clinton
O presidente norte-americano Bill Clinton toca o saxofone que ganhara de presente de Iéltsin.
Em novembro, durante uma conferência, Iéltsin e o presidente norte-americano Bill Clinton se desentenderam com relação à Chechênia. Clinton apontou seu dedo para Iéltsin e exigiu que o presidente russo parasse com os ataques e bombardeios que resultaram nas mortes de civis. Iéltsin, ofendido, zombou de Clinton exigindo que ele parasse os bombardeios na Iugoslávia, e imediatamente abandonou a conferência.[15] O presidente russo, que tinha uma relação amigável com Clinton, jamais perdoaria o colega, que em resposta confessou a jornalistas uma das mais desagradáveis situações vividas por Iéltsin, ocorrida em uma de suas viagens a Washington.[16]
Em dezembro, enquanto visitava a China em busca de apoio na Chechênia, Iéltsin respondeu novamente a Clinton, que desta vez criticara o ultimato russo aos cidadãos de Grozni. Iéltsin disse: “Ontem, Clinton se permitiu pôr pressão na Rússia. Me parece que ele esqueceu, por um minuto, um segundo que seja, que a Rússia tem um arsenal cheio de armas nucleares. Ele se esqueceu disso.”. Clinton desdenhou o comentário do colega russo afirmando que “não acha que ele esqueceu que a América era uma grande potência quando entrou em desacordo com o que eu [Clinton] fiz em Kosovo“. Com respostas mais agressivas de Iéltsin, foi responsabilidade de Vladimir Putin abrandar os comentários de seu presidente e apresentar novas propostas para as relações entre Rússia e EUA.[17]
Renúncia
Em 31 de dezembro de 1999, em um anúncio surpresa divulgado ao meio-dia pelo horário de Moscou, Iéltsin renunciava ao cargo de presidente da Rússia. Vladimir Putin assumiu a presidência, consoante à Constituição. As eleições aconteceriam no ano seguinte, em 26 de março.
Carta de Renúncia

Boris Iéltsin anunciando a sua renúncia e lendo a carta.
Em sua renúncia, Iéltsin leu ao povo russo uma mensagem dramática e emocionante que ficou conhecida como “Carta de Renúncia”, na qual ele demonstra sua frustração e pede perdão à população. A carta ficou muito conhecida por apresentar o lado humano de Iéltsin e representar o fim de uma época dolorosa através de uma carta com teor de retrospectiva.
Dois versos do final da carta de Iéltsin foram lidos por um jornalista russo em seu funeral no momento em que seu caixão foi fechado.[18]
Aposentadoria
Após a aposentadoria, Iéltsin quase não fez mais aparições públicas. Em 13 de setembro de 2004, após o Massacre de Beslan e uma sequência de ataques terroristas em Moscou, o presidente Putin assinou um decreto para substituir as eleições regionais para governador por um sistema em que o próprio presidente nomeia os governadores, que são aprovados pelo Legislativo regional. Iéltsin, junto com Mikhail Gorbatchov, criticaram publicamente o plano de Putin, afirmando que ele estaria dando um passo para longe da democracia na Rússia e retornando ao aparato de centralização de poder existente na União Soviética.
Em setembro de 2005, Iéltsin teve de operar o quadril em Moscou, após quebrar o fêmur em uma queda, enquanto passava férias na ilha de Sardenha.
Em 1 de fevereiro de 2006, Iéltsin celebrou seu aniversário de 75 anos. Ele aproveitou a ocasião para criticar o “monopólio” diplomático dos Estados Unidos e afirmar que Putin foi a escolha certa para a Rússia.
Gafes
Iéltsin protagonizou diversas situações desagradáveis publicamente, muitas delas por conta de seu alcoolismo unido às altas doses de medicamentos para problemas cardíacos. Algumas destas situações incluem:
- Em sua primeira visita ao Canadá, em 1991, Iéltsin foi orientado para que descesse do degrau onde seria recebido por um guarda de honra. No momento em que o guarda posicionou-se na frente de Iéltsin, em vez de caminhar em sua direção, como lhe foi orientado, o presidente permaneceu olhando para o guarda, que sem saber o que fazer, gesticulou e fez mímicas, na esperança de que Iéltsin lembrasse o que lhe foi instruído.[19]
- Em agosto de 1994, Iéltsin viajou para a Alemanha para as celebrações da retirada do último soldado russo do país. Durante o almoço comemorativo, Iéltsin teria exagerado no champanhe, e apareceu cambaleando em público. Na hora do discurso, enquanto todos os presentes no auditório estavam formalmente alinhados, Iéltsin mexia os braços incessantemente. Na hora do discurso, apenas recitou provérbios populares arrastando as letras e ainda esqueceu o sobrenome do anfitrião, o chanceler alemão Helmut Kohl. Ao sair do palco onde estava, ao lado do chanceler, Iéltsin acelerou o passo de repente e começou a gesticular e saudar a audiência que o assistia do outro lado da rua, distanciando-se de Kohl. Seguido por uma dúzia de seguranças, Iéltsin continuou caminhando rapidamente pela calçada, e ainda gesticulando, ele avançou em direção à rua, onde passava um ônibus. Seus seguranças tentaram segurá-lo, mas ele empurrou um deles, e a solução foi pedir para que o motorista parasse. Iéltsin finalmente chegou do outro lado da rua, onde uma orquestra estava tocando, tomou a batuta do maestro e começou a conduzir a banda enquanto dançava freneticamente. Em seguida, a banda foi prestar-lhe uma homenagem tocando a música tradicional russa Kalinka. Iéltsin, contudo, pegou o microfone e pôs-se a cantar a música. Sua garganta, para o alívio de uns e frustração de outros, não aguentou até o final da música, e Iéltsin engasgou, abandonando a festa.[20][21][22]
- Em 30 de setembro de 1994, Iéltsin seria recebido no aeroporto de Shannon, na Irlanda. O primeiro-ministro estava a espera do presidente russo no aeroporto, e o tapete vermelho já estava pronto para a recepção. Quando o avião pousou na pista de aterrisagem, somente os assessores de Iéltsin desceram a escada. Quando questionados onde estava Iéltsin, os assessores afirmaram que ele estava passando mal. Ao chegar no aeroporto de Moscou, Iéltsin desceu perfeitamente bem. Mais tarde, a situação ficou clara, já que Iéltsin confessou que estava dormindo e não conseguiu levantar do sono pesado.[23]
- Iéltsin aceitou o convite de participar de uma conferência com jornalistas estrangeiros, que aconteceria em um dos cômodos do Kremlin. No momento em que as portas se abriram, Iéltsin se dirigiu ao lado oposto de onde estavam os jornalistas e cumprimentou seus próprios assessores, e teve de ser alertado por um de seus secretários sobre quem eram de fato os jornalistas, que permaneceram estáticos e sequer cumprimentaram Iéltsin.[24]
- Em 1995, Iéltsin viajou para Washington D.C., onde ficou hospedado na Blair House. De madrugada, agentes do serviço secreto teriam ouvido barulhos vindo do porão do edifício. Quando saíram, se depararam com o presidente russo de cuecas, bêbado e chamando um táxi em plena Avenida Pensilvânia. Ao ser questionado do porquê de tudo aquilo, Iéltsin afirmou que só estava indo encomendar uma pizza.[25]
- Em 1996, durante sua campanha presidencial na cidade de Rostov, Iéltsin dançou a música de rock «Дождь и я», do cantor Evgueni Osin. Ele ainda estava em recuperação médica, já que na semana anterior, ele havia tido um ataque cardíaco.[26][27]
- Em 1997, quando Iéltsin viajou a Estocolmo, na Suécia, ele começou a falar coisas incompreensíveis à platéia que o assistia, como por exemplo, que almôndegas suecas faziam-no lembrar da cara do tenista Björn Borg, e após tomar uma única taça de champanhe, Iéltsin quase caiu do pódio onde estava.[28][29]
- Em um discurso, ao terminar a primeira página, Iéltsin levou mais de trinta segundos para achar o verso do caderno que tinha em mãos, e ainda precisou do auxílio de um de seus assessores.[30]
- No ano de 1999, Iéltsin foi ao funeral do rei Hussein, da Jordânia, e quase tropeçou no momento em que o caixão passava em sua frente, sendo segurado por seus guarda-costas e derrubando as flores que carregava nas mãos. Após o evento, ele sairia apressadamente do funeral.[31]
- Em uma reunião com seus assessores, no ano de 1999, Iéltsin lia um documento, quando de repente olhou com reprovação aos seus ministros. Em seguida, repreendeu o primeiro-ministro Serguei Stepashin e ordenou-lhe que se sentasse em outra cadeira.[31]
Morte
O corpo de Iéltsin foi velado na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou.
Boris Iéltsin morreu em decorrência de um ataque cardíaco, em 23 de abril de 2007, aos 76 anos.[32][33] De acordo com o jornal Komsomolskaia Pravda, a condição de Iéltsin piorou com uma viagem feita à Jordânia, entre 25 de março e 2 de abril.[34]
Iéltsin foi enterrado no cemitério Novodevitchi,[35] em 25 de abril de 2007, após ser velado na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou. Iéltsin foi o primeiro líder russo em 113 anos a ser enterrado em uma cerimônia religiosa, após o czar Alexandre III. Ele também foi o primeiro líder de toda a história russa e soviética a morrer aposentado, após transferir o poder pacificamente ao sucessor.
O presidente Vladimir Putin declarou luto nacional no dia de seu funeral, em que a bandeira esteve a meio-mastro e todos os programas de entretenimento foram suspensos por 24 horas. Seu funeral foi transmitido ao vivo por todas as redes estatais de televisão. Iéltsin foi sepultado ao som do hino da Rússia, que utiliza a mesma melodia do hino da União Soviética, que durante seu governo Iéltsin proibira de ser executado.
O presidente Putin afirmou na ocasião de seu funeral: “A presidência o gravou para sempre na história da Rússia e de todo o mundo. Uma nova Rússia, democrática, nasceu neste período, uma nação livre, aberta e pacífica. Um estado em que o poder realmente pertence ao povo. A força do primeiro presidente da Rússia consistia no apoio em massa dos cidadãos russos por suas ideias e aspirações. Graças ao desejo e iniciativa direta do presidente Boris Iéltsin, uma nova Constituição foi adotada, declarando que os direitos humanos é um valor supremo. Isso deu ao povo a oportunidade de expressar livremente seus pensamentos, escolher livremente o poder, realizar seus planos de criação e empreendedorismo. Esta Constituição permitiu que nós começássemos a construir uma Federação realmente efetiva. Nós o conhecemos como uma pessoa valente, prestativa e espirituosa. Ele foi um líder nacional corajoso e valoroso. E sempre foi muito honesto e franco ao defender sua posição. Iéltsin assumiu toda a responsabilidade por aquilo que ele tenha causado, por tudo que ele tenha aspirado. Por tudo que ele tentou fazer e fez pelo bem da Rússia, pelo bem de milhões de russos. Ele invariavelmente absorveu todos os desafios, dificuldades e problemas do povo, e deixou que eles entrassem em seu coração.”
Logo que as notícias a respeito da morte do ex-presidente saíram, Mikhail Gorbatchov, velho adversário político de Iéltsin, afirmou: “Eu ofereço as minhas mais profundas condolências à família de um homem cujos ombros foram o apoio de tantas realizações e erros graves, um destino trágico”. O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, amigo e rival de Iéltsin, afirmou: “Em sua presidência, Iéltsin trabalhou incansavelmente pela restauração da grandeza da Rússia através da democracia. Iéltsin trabalhou em detrimento de sua saúde, mas pelo bem de seu país.” O então presidente americano, George W. Bush, disse que “agradece os esforços do presidente Iéltsin pela construção de relações sólidas entre Estados Unidos e Rússia“. O então primeiro-ministro britânico declarou que “a defesa das reformas econômicas e democráticas desempenhada por Iéltsin tiveram papel essencial em um período crucial da história da Rússia”. O ex-presidente alemão, Helmut Kohl, disse que “nunca se esquecerá da maneira que Iéltsin coordenou a retirada das tropas russas da Alemanha“. A ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher acredita que Iéltsin deve “ser honrado como um patriota e libertador”. O crítico do presidente Putin, Boris Nemtsov, afirmou acreditar que “a melhor homenagem a Iéltsin seria trazer a liberdade de volta ao nosso país”.
O círculo de Iéltsin
- Anatoli Sobtchak, aliado de Iéltsin na ala da oposição, primeiro prefeito democraticamente eleito de São Petersburgo.
- Viktor Chernomyrdin, primeiro-ministro de Iéltsin durante praticamente todo o seu mandato.
- Vladimir Putin, chefe do serviço secreto russo, primeiro-ministro de Iéltsin e seu sucessor na presidência da Rússia.
- Iuri Luzhkov, prefeito de Moscou entre 1992 e 2010. Foi demitido por Dmitri Medvedev pelas suas ações ultra-conservadoras.
- Alexander Lebed, militar muito próximo de Iéltsin. Foi governador de Krai de Krasnoiarsk entre 1998 e 2002.
- Boris Berezovski, oligarca russo que enriqueceu no processo de privatização da economia russa. Foi exilado por Putin em 2007, quando tentou comprar o clube brasileiro Corinthians.
- Yegor Gaidar, economista que planejou a terapia de choque na economia, favorecendo o processo de privatização. Foi primeiro-ministro durante o ano de 1992, mas foi deposto durante a crise constitucional.
- Anatoli Chubais, empresário russo, responsável pela aceleração das privatizações do patrimônio público e legalização dos processos.
Ver também
Referências
- O cargo de vice-presidente da Rússia foi criado em 1991 e extinto em 1993. Alexander Rutskoi foi o primeiro e único vice-presidente russo.
- ↑ «Morreu o ex-Presidente russo Boris Ieltsin». Público. 23 de abril de 2007. Consultado em 25 de abril de 2007
- ↑ Pronunciado «Barís Nicaláievitch Iélhtsin»
- ↑ Aslund, Anders (28 de janeiro de 2009). «Russia’s Collapse» (em inglês). ISSN 0015-7120. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ Bohlen, Celestine. «Yeltsin Deputy Calls Reforms ‘Economic Genocide’» (em inglês)
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- ↑ Page 81 O’Clery, Conor. Moscow December 25, 1991: The Last Day of the Soviet Union. Transworld Ireland (2011). ISBN 978-1-84827-112-8
- ↑ «1990: Yeltsin resignation splits Soviet Communists» (em inglês). 12 de julho de 1990. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ «Foreign Affairs». Foreign Affairs (em inglês). Consultado em 22 de abril de 2021
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- ↑ «Cracked.com – America’s Only Humor Site». Cracked.com (em inglês). Consultado em 22 de abril de 2021
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- ↑ Babington, Charles (19 November 1999). “Clinton Spars With Yeltsin On Chechnya, President Denounces Killing of Civilians”. The Washington Post: pp. A01.
- ↑ Clinton revelou que em uma das visitas do presidente russo aos Estados Unidos, Iéltsin teria saído de seu quarto Blair, quarto de hóspedes oficial, e furtivamente entrado no porão. Quando foi achado, o presidente russo estava bêbado e de cuecas, prestes a entrar em um táxi, em uma rua paralela à Casa Branca, por volta das quatro horas da manhã. Quando perguntado por que fugiu de seu quarto sem sequer avisar os seguranças e chamou o táxi, Iéltsin disse que estava com vontade de comer pizza. http://www.dailymail.co.uk/news/article-1215101/Drunk-Boris-Yeltsin-outside-White-House-underpants-trying-hail-cab-wanted-pizza.html
- ↑ Laris, Michael (10 December 1999). “In China, Yeltsin Lashes Out at Clinton Criticisms of Chechen War Are Met With Blunt Reminder of Russian Nuclear Power”. The Washington Post: p. A35.
- ↑ No funeral de Iéltsin, foram lidos os seguintes trechos de sua carta: “Eu me vou. Eu fiz tudo o que pude. Serei substituído por uma nova geração, a geração daqueles que podem fazer mais e melhor. Me despedindo, eu gostaria de dizer a cada um de vocês: Sejam felizes! Vocês fizeram por merecer a felicidade. Vocês merecem a felicidade e a prosperidade.” – Boris Iéltsin
- ↑ YouTube – Vídeo “Пьяный Ельцин пошел не в ту сторону”.
- ↑ YouTube – Vídeo “Пьяный Ельцин. Редкие кадры.”
- ↑ YouTube – Vídeo “Пьяный Ельцин танцует и поет”
- ↑ YouTube – Vídeo “Пьяный Ельцин в Германии”
- ↑ YouTube – Vídeo “Намедни – 94. Ельцин проспал Ирландию”
- ↑ YouTube – Vídeo “Ельцин пошел не в ту сторону.”
- ↑ «’Drunk Boris Yeltsin tried to hail taxi outside White House in underpants’». http://www.telegraph.co.uk. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ YouTube – Vídeo “пьяный Ельцин чудит “
- ↑ «Yeltsin era conhecido por gafes e brincadeiras impertinentes – 23/04/2007 – UOL Últimas Notícias». noticias.uol.com.br. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ Whipple, Tom (25 September 2009). “Understanding the news this week 26 September 2009”. The Times (London). Retrieved 26 April 2010.
- ↑ “Office party: The top ten worse for wear politicians”. Daily Mirror. UK. Retrieved 3 November 2010.
- ↑ YouTube – Vídeo “Выступление пьяного,невменяемого ельцина”
- ↑ Ir para:a b YouTube – Vídeo “пьяный Ельцин чудит”
- ↑ «Terra | Buscador». Terra. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ «Folha Online – Mundo – Morre aos 76 anos o presidente russo Boris Ieltsin – 23/04/2007». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ правды», Комсомольская правда | Сайт «Комсомольской (24 de abril de 2007). «У первого президента не выдержало сердце». KP.RU – сайт «Комсомольской правды» (em russo)
- ↑ Boris Iéltsin (em inglês) no Find a Grave
| Precedido por Oleg Lobov (Primeiro-Ministro da República Socialista Federativa Soviética da Rússia) |
Primeiro-ministro da Rússia 1991 — 1992 |
Sucedido por Yegor Gaidar |
| Precedido por Mikhail Gorbachev (Presidente da União Soviética) |
![]() Presidente da Federação Russa 1991 — 1999 |
Sucedido por Vladimir Putin |
Wikipédia
RS Notícias: O que a fadinha do skate e você podem ter em comum? – https://www.rsnoticias.top/2021/07/o-que-fadinha-do-skate-e-voce-podem-ter.html
RS Notícias: Boris Iéltsin – História virtual – https://www.rsnoticias.top/2021/07/boris-ieltsin-historia-virtual.html
| Boris Iéltsin Борис Ельцин |
|
|---|---|
| 1º Presidente da Rússia |
Boris Nicoláievitch Iéltsin, em russo:
? Бори́с Никола́евич Е́льцин[3] (Sverdlovsk, 1 de fevereiro de 1931 — Moscou, 23 de abril de 2007) foi o primeiro presidente da Rússia após o colapso econômico da União Soviética. Iéltsin foi também o primeiro líder de uma Rússia independente desde o czar Nicolau II. Seus anos como senador e líder da oposição no Soviete Supremo são lembrados com glória, mas seu governo, lembrado com frustração por conta das grandes expectativas, ficou marcado na história por reformas políticas e econômicas fracassadas e pelo caos social.
Iéltsin foi responsável pela transformação da economia socialista da Rússia em uma economia de mercado, implementando a chamada “terapia de choque”, com programas de privatizações e liberalização econômica. Graças aos meios como foi conduzido este processo, uma grande parcela da riqueza nacional caiu nas mãos de um restrito grupo de milionários, que ficariam conhecidos como “oligarcas russos“.[4] A era Iéltsin foi marcada pela corrupção excessiva e generalizada, inflação, colapso econômico e enormes problemas políticos e sociais que afetaram a Rússia e também as demais repúblicas da União Soviética. Alexander Rutskoi, opositor de Iéltsin, denunciou as reformas do adversário, considerando-as um “genocídio econômico”.[5]
Iéltsin é lembrado, principalmente, pelas suas várias reformas políticas, sociais e econômicas da Rússia, as diversas situações constrangedoras decorrentes de seu alcoolismo e o seu papel como líder da oposição, tendo sido ele um dos mais notáveis políticos favoráveis à independência da Rússia, uma república então controlada pela União Soviética.
Um dos eventos mais memoráveis de seu governo foi a Crise Constitucional de 1993. O Legislativo russo era contrário às reformas neoliberais impostas por Iéltsin, tornando-se um empecilho para o presidente. Em 21 de setembro, Iéltsin dissolve o parlamento, que se rebela, e anuncia o impeachment de Iéltsin, proclamando Alexander Rutskoi, chefe do parlamento, como novo presidente. O parlamento ganha apoio do povo, que passa a protestar contra o governo de Iéltsin. No mês seguinte, a situação se intensifica, e Iéltsin ordena a invasão da Câmara Branca, sede do Soviete Supremo, terminando com a explosão do edifício, resultando na morte de 187 pessoas e prisão dos líderes da oposição. Iéltsin então baniria temporariamente a oposição russa e anularia a Constituição soviética de 1978, estabelecendo uma nova Constituição, possibilitando a continuação de suas reformas econômicas. Segundo a antiga Constituição, anulada por Iéltsin:
Artigo 121-6. Os poderes do Presidente da República Socialista Federativa Soviética da Rússia não podem ser usados para alterar organizações nacionais e estatais da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, dissolver ou interferir no funcionamento de qualquer órgão eleito do poder estatal. Neste caso, seus poderes cessam imediatamente.
A anulação do artigo acima alteraria profundamente o ambiente político russo, que sairia de um sistema parlamentarista de poderes balanceados para entrar, radicalmente, em um regime semipresidencialista sob forte influência do poder Executivo.
Boris Iéltsin era casado com Naina Iéltsina, com quem teve duas filhas, Elena e Tatiana, nascidas em 1957 e 1958, respectivamente. O corpo de Iéltsin repousa no famoso cemitério de Novodevitchi, diferentemente dos demais líderes russos, sepultados na muralha do Kremlin.
Juventude
Boris Iéltsin nasceu na vila de Butka, no Óblast de Sverdlovsk, na União Soviética, em 1 de fevereiro de 1931. Em 1932, após a estatização da propriedade agrícola de sua família, Iéltsin se mudou com a família para Kazan, a mais de mil quilômetros de Sverdlovsk, onde seu pai trabalhou na construção civil, mesma área em que Iéltsin começou a carreira. Em 1934, Nikolai Iéltsin, pai de Boris, foi enviado para os Gulags por três anos, por conta de suas agitações antissoviéticas. Após cumprir dois anos de pena, sua libertação veio em 1936, e Nikolai levou sua família ao Óblast de Perm.
Boris Iéltsin estudou em Perm. Nesta época, perdeu o dedo indicador e o polegar de sua mão esquerda, quando tentou estourar uma granada que havia roubado com seus amigos em um quartel do Exército Vermelho. Em 1949, Iéltsin ingressou no Instituto Politécnico do Ural, em Sverdlovsk, graduando-se em construção civil em 1955.
Carreira
Em 1963, foi promovido a engenheiro chefe, e dois anos mais tarde, passou a chefiar a diretoria responsável pelas instalações de Sverdlovsk. Em 1968, passou a fazer parte da Nomenklatura, ao ingressar no comitê de desenvolvimento industrial. Em 1976, o Partido Comunista promoveu Iéltsin para a chefia do comitê do Óblast de Sverdlovsk, tornando-se chefe de uma das regiões industriais mais importantes do país. Exerceu o cargo até 1985.
Liderança em Moscou
Com a morte de Konstantin Chernenko, o PCUS elegeu Mikhail Gorbatchov o novo líder da União Soviética. O primeiro passo de Gorbatchov seria reanimar a economia soviética, mesmo sabendo que tal tarefa seria impossível de ser realizada sem antes reformar as estruturas políticas e sociais do país. Em 4 de abril de 1985, Iéltsin foi convocado por Egor Ligatchov, conhecido líder político, para que assumisse a chefia do departamento de construção civil dentro do Comitê Central do partido. Em menos de três meses, Iéltsin foi promovido à secretaria de construção civil, tornando-se figura importante na capital.
Em 23 de Dezembro de 1985, Gorbatchov apontou Iéltsin como o primeiro-secretário do Partido Comunista em Moscou, um cargo semelhante ao de prefeito da cidade. Em 1986, Iéltsin foi convidado a ingressar no Politburô. Durante sua participação, Iéltsin mostrou-se reformista e populista. Ele tornou-se popular em Moscou por demitir oficiais corruptos dentro do partido.
Líder da oposição
Iéltsin era o líder da ala liberal. Em 1989, foi eleito para o parlamento.
Em 10 de setembro de 1987, após uma discordância com o linha-dura Egor Ligatchov, por ter permitido protestos nas ruas de Moscou, Iéltsin enviou uma carta de renúncia a Mikhail Gorbatchov, que estava em férias no Mar Negro. Quando o presidente recebeu a carta, ele se surpreendeu, já que ninguém em toda a história da União Soviética havia renunciado a um cargo do alto escalão do Politburô. Gorbatchov pediu para que Iéltsin ponderasse, mas em 27 de outubro, frustrado por Gorbatchov não ter atendido aos seus pedidos na carta, Iéltsin fez um discurso expressando seu descontentamento tanto com a demora no processo de reformas sociais quanto às atitudes políticas de Ligatchov — segundo-secretário do partido, e Gorbatchov — primeiro-secretário. Essa foi a primeira vez que um membro do Politburô fez críticas públicas tão agressivas à chefia do partido.[6] Em sua réplica, Gorbatchov acusou Iéltsin de “imaturidade política” e “irresponsabilidade absoluta”. Ninguém, dentro do Comitê Central do partido apoiou a postura de Iéltsin.
As críticas de Iéltsin foram logo divulgadas como um novo “discurso secreto“, como aquele em que Nikita Khrushchov criticou seu antecessor, Josef Stalin. Essa onda de rumores fez com que a reputação rebelde de Iéltsin crescesse, tornando-lhe uma das principais figuras da oposição. Em 11 de novembro de 1987, Mikhail Gorbatchov empreendeu um novo ataque a Iéltsin, confirmando sua demissão do comitê em Moscou. Dois dias antes, Iéltsin fora internado por conta de uma possível tentativa de suicídio, com lesões profundas no peito.[7]
A partir de então, Iéltsin caiu em desgraça com o partido. Seu cargo na chefia do departamento de construção civil foi retirado, e em 24 de fevereiro, ele perdeu sua cadeira no Politburô. Com argumentos bem formados, Iéltsin foi capaz de apresentar os pontos mais fracos do governo de Gorbatchov, aumentando o seu apoio popular.
As críticas de Iéltsin sobre o governo levou a uma intensa campanha contra ele, que denunciava principalmente o comportamento excêntrico de Iéltsin. Em uma das edições do Pravda, Iéltsin foi acusado de estar bêbado durante um encontro nos Estados Unidos, fatos que foram aparentemente confirmados por imagens de seu discurso. A campanha do governo, por outro lado, foi por água abaixo, visto que a insatisfação com o governo era tão grande, que as críticas a Iéltsin só lhe aumentaram a reputação.
Em 26 de março de 1989, Iéltsin foi eleito deputado por Moscou, com uma importante parcela de 92% dos votos, e três dias mais tarde, conquistou uma cadeira no Soviete Supremo. Em 19 de julho de 1989, Iéltsin anunciou a formação de uma facção radical a favor de reformas.
Presidência
República Socialista Federativa Soviética da Rússia (1991)
Em 29 de maio de 1990, Iéltsin foi eleito o chefe do Soviete Supremo da RSFS da Rússia, apesar das ameaças de Mikhail Gorbatchov aos senadores, para que eles não elegessem Iéltsin. Mesmo assim, o apoio prevaleceu tanto por parte dos conservadores como dos democratas. A eleição de Iéltsin culminou em um conflito entre a União Soviética e a Rússia. Em 12 de junho de 1990, o congresso russo adotou uma declaração de soberania. No mês seguinte, Iéltsin se retirou do Partido Comunista em um discurso dramático perante diversos membros do partido, incluindo os governistas e os linha-duras, em meio a gritos de “Vergonha!” e aplausos.[8]
Em 12 de junho de 1991, Iéltsin venceu as eleições para presidente da RSFS da Rússia com 57% dos votos, derrotando o candidato apoiado por Mikhail Gorbatchov, o comunista Nikolai Rizhkov, que conseguiu apenas 16% dos votos. Durante a campanha, Iéltsin criticou a “ditadura do centro”, mas não sugeriu a introdução de uma economia de mercado, e ao contrário, disse que seria sensato quanto a mudanças econômicas, por conta da inflação. Iéltsin tomaria posse em 10 de julho.
O golpe
Em 18 de agosto de 1991, os membros do governo soviético, contrários à perestróika, iniciaram um golpe de estado frustrado para derrubar o presidente soviético, Mikhail Gorbatchov, defensor das reformas, e o presidente russo, Boris Iéltsin, cujo objetivo era tornar a Rússia independente da URSS. Gorbatchov se isolou na Crimeia, enquanto Iéltsin foi à Câmara Branca, prédio do Soviete Supremo da Rússia, para deter os golpistas e fazer um discurso memorável do topo de um tanque de guerra. O edifício foi cercado pelo exército, mas por conta do grande número de pessoas reunidas, as tropas desistiram do cerco. Em 21 de agosto, a maioria dos líderes do golpe fugiram de Moscou e Gorbatchov voltou da Crimeia para a capital. A atitude de Iéltsin, que se envolveu no calor da batalha, diferentemente de Gorbatchov, que nem sequer estava em Moscou, fez com que Iéltsin fosse fervorosamente enaltecido pelos seus seguidores, tornando-se um ícone de resistência ao golpe de estado frustrado.
Apesar de voltar ao posto, Gorbatchov foi politicamente derrotado com o triunfo de Iéltsin. Com a independência da Rússia, principal república e sustentáculo da União Soviética, Gorbatchov perdeu todo o controle que detinha sobre o país. Iéltsin então passou a se apropriar de tudo que fazia parte da estrutura soviética, desde os ministros até o próprio Kremlin. Em 6 de novembro de 1991, Iéltsin assinou um decreto proibindo qualquer atividade do Partido Comunista em solo russo.
O fim da União Soviética
Em 8 de dezembro, Iéltsin se encontrou com os presidentes da Bielorrússia, Stanislav Shushkevitch, e da Ucrânia, Leonid Kravtchuk, os chefes de dois países que acabavam de se tornar independentes da União Soviética, ainda em 1991. No encontro, foi assinado o Pacto de Belaveja, que anunciava a dissolução da União Soviética e a formação da Comunidade dos Estados Independentes, a CEI. De acordo com Mikhail Gorbatchov, Iéltsin teria mantido a ideia do pacto em segredo, pois o principal motivo para dar fim à URSS seria para que Iéltsin se livrasse de Gorbatchov. O então presidente soviético também afirmou que Iéltsin havia violado o desejo popular no Referendo de 1991, em que a maioria do povo votou para que a União Soviética continuasse existindo como estado.
Em 24 de dezembro, após uma conversa com Iéltsin, na qual Gorbatchov aceitava dissolver oficialmente a União Soviética, a Federação Russa herdou o assento da União Soviética na ONU.
Federação Russa (1992-1999)
Reformas econômicas
Gráfico econômico da Rússia moderna. Durante os anos de Iéltsin, a economia viveu seus piores momentos.
Dias após a queda da União Soviética, Boris Iéltsin embarcou em um programa de reformas econômicas radicais, com o objetivo de reestruturar o sistema econômico da Rússia, transformando a maior economia socialista do mundo em uma economia de mercado.
No final de 1991, Iéltsin favoreceu os especuladores e instituições estrangeiras, como o Banco Mundial, o FMI e até mesmo o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que nos anos 1980 haviam desenvolvido técnicas de recuperação econômica para economias em transição. Essas políticas ficaram conhecidas como “Consenso de Washington“, e mais particularmente no caso da Rússia, como “terapia de choque”, por conta das duras penas que os russos sofreram durante este período. Essas reformas políticas possibilitaram que Yegor Gaidar (1956–2009), um jovem economista russo favorável a reformas radicais, entrasse no alto escalão de Iéltsin.
Em 2 de janeiro de 1992, Iéltsin, que também tinha os poderes de primeiro-ministro, ordenou a liberalização do comércio exterior, dos preços e da moeda. Ao mesmo tempo, Iéltsin seguiu uma política de estabilização macroeconômica, caracterizada por uma rígida austeridade para o controle da inflação. Sob os programas de Iéltsin, as taxas de juros aumentaram para níveis altíssimos para ajustar a moeda e restringir o crédito. Para balancear o gasto e a receita do país, Iéltsin aumentou os impostos violentamente, cancelou subsídios do governo à indústria e construção e fez duros cortes na previdência.
O resultado foi a subida dos preços em toda a Rússia e o crédito restrito resultou na falência de diversas indústrias, culminando em uma depressão econômica. As reformas devastaram os padrões de vida de boa parte da população, principalmente aqueles dos grupos dependentes de subsídios e da previdência, como os aposentados, que após anos de trabalho sob a URSS não puderam gozar da aposentadoria. Com o passar dos anos, o PIB da Rússia caiu 50%, diversos setores da economia foram varridos do mapa, a desigualdade social e o desemprego cresceram dramaticamente, enquanto a receita caía. A hiperinflação, causada pelas perdas do banco central russo fez desaparecer milhões de rublos em poupanças pessoais, e dezenas de milhões de russos caíram na pobreza.[9]
A Crise no Parlamento
Em 1992, Iéltsin lutava contra o Soviete Supremo, o parlamento da Rússia, pelo controle das propriedades governamentais. Com o passar dos meses, o porta-voz do Soviete Supremo, Ruslan Khasbulatov, anunciou que a assembleia era contra as reformas, apesar do clamor popular pelos objetivos de Iéltsin em geral. Em dezembro, os senadores se uniram para depor Yegor Gaidar do posto de primeiro-ministro, que foi apontado pelo presidente, em um posto que deve ser eleito pelos parlamentares. Na mesma sessão, Valeri Zorkin, chefe da Corte Constitucional, vetou um acordo que incluía adotar um referendo nacional por uma nova Constituição, estabelecer a participação de Iéltsin na escolha do chefe-de-governo e a proibição do parlamento em aplicar emendas constitucionais, que supostamente impossibilitavam o balanço de poder entre os poderes Legislativo e Executivo. Em 14 de dezembro, o parlamento aceitou Viktor Chernomyrdin como primeiro-ministro. Chernomyrdin era visto pela oposição como uma figura comprometida e, diferentemente de Gaidar, imparcial em relação a Iéltsin.
O conflito se intensificaria com um discurso de Iéltsin, no qual o presidente anunciava que assumiria certos “poderes especiais” para implementar suas reformas. Em resposta, o parlamento convocou um congresso para depor Iéltsin da presidência através de um impeachment, em 26 de março de 1993. Os adversários de Iéltsin conseguiram mais de 600 votos, mas perderam por conta de 72, que completariam os 2/3 de votos necessários para a declaração. No decorrer de julho de 1993, uma guerra de poderes se desenvolveu na Rússia, mas tudo indicava que a situação não permaneceria daquela forma por muito tempo.
Iéltsin comemorando a queda do Soviete Supremo e a conquista de plenos poderes ao presidente.
Em 13 de agosto de 1993, o jornal Izvestia lançou a seguinte manchete: “O Presidente assina decretos como se não houvesse um Soviete Supremo, e o Soviete Supremo assina decretos como se não houvesse um presidente”.[10]
Em 21 de setembro, a situação chegou ao cúmulo quando Iéltsin anunciou sua decisão de dissolver o Soviete Supremo através de um decreto. Iéltsin declarou que governaria por decreto até a eleição parlamentar e um referendo por uma nova Constituição. Na noite do discurso, o Soviete Supremo declarava Iéltsin fora da presidência, por violação à Constituição, e Alexander Rutskoi foi proclamado o novo presidente. Começava a Crise constitucional de 1993.
A crise de 1993 representa a grande mudança na reputação de Iéltsin. Antes adorado pelas massas por sua postura libertária, a população passou a ver seu lado autoritário.
Entre 21 e 24 de setembro, Iéltsin teve de lidar com a grande movimentação popular, que encorajava o parlamento. Durante estes dias, Moscou viu uma manifestação em massa, de dezenas de milhares de cidadãos russos marchando nas ruas contra o presidente Iéltsin, caminhando em defesa do edifício que sediava o parlamento. Os manifestantes também protestavam contra as terríveis condições de vida sob o governo de Iéltsin e contra o autoritarismo apresentado por ele, que durante sua época como líder da oposição sempre criticou o autoritarismo do governo soviético. A corrupção era outro problema irônico no governo de Iéltsin, além das altas taxas de crimes violentos, o colapso dos serviços médicos, que sob a União Soviética eram considerados os melhores do mundo. O preço das comidas e do combustível aumentavam e a expectativa de vida diminuía, exceto para uma fina camada endinheirada da população. Todas as suspeitas da culpa Iéltsin nos problemas da Rússia foram escancaradas nos protestos de 1993.
No início de outubro, Iéltsin garantiu o apoio do exército russo e do ministério do interior. Para demonstrar força, Iéltsin convocou dezenas de tanques para cercar a Câmara Branca, sede do Soviete Supremo.
Com a dissolução do Soviete Supremo, foi estabelecida a Duma, o novo parlamento. Em 1993, as eleições para a recém-instaurada assembleia foram marcadas por uma onda de oposição a Iéltsin. Os votos foram divididos entre candidatos do Partido Comunista ou ultra-nacionalistas. O referendo, contudo, aprovou a nova Constituição, proposta por Iéltsin, que foi capaz de aumentar significantemente os poderes presidenciais, dando a Iéltsin o poder para apontar novos membros de governo, demitir o primeiro-ministro e até mesmo dissolver a Duma.
Guerra na Chechênia
Em dezembro de 1994, Iéltsin ordenou a invasão militar da Chechênia, procurando restaurar o controle de Moscou sobre a república. Dois anos depois, as forças russas desocuparam uma Chechênia completamente devastada, em um acordo de paz. O acordo permitiu grande autonomia à república chechena, mas não a independência por completo.
A revista norte-americana TIME escreveu:
“Afinal, o que aconteceu com Boris Iéltsin? Ele certamente não pode mais ser considerado o mítico herói democrático. Mas terá ele se tornado um chefe comunista antiquado, virando as costas para as reformas democráticas que ele um dia apoiou, e se abraçando com militares e ultra-nacionalistas? Ou terá ele sido embriagado, manipulado, voluntária ou involuntariamente, por bem ou por mal, quem sabe? Se houvesse um golpe ditatorial, Iéltsin seria sua vítima ou seu líder?”
Privatizações
Os cheques de privatização foram distribuídos para os cidadãos para serem trocados por ações privadas. A população, contudo, vendia os cheques a troco de valores mínimos, enchendo os bolsos dos compradores, que eram em sua maioria oligarcas.
Com o fim da União Soviética, Iéltsin promoveu as privatizações como um modo de espalhar as parcelas das propriedades estatais, com o objetivo de criar um apoio político cada vez mais amplos para as suas reformas. No início dos anos 1990, Anatoli Chubais foi o advogado da privatização na Rússia.
Em 1995, conforme se esforçava para financiar a crescente dívida externa da Rússia e ganhar apoio das elites russas para sua candidatura nas eleições de 1996, Iéltsin preparava-se para uma nova onda de privatizações, oferecendo parcelas de propriedades para alguns dos empresários mais ricos do país, em troca de empréstimos bancários. O programa foi realizado de forma a acelerar o processo de privatização e garantir o apoio financeiro necessário para o governo.
No final das contas, os contratos foram oportunidades para ricos grupos de magnatas das finanças, da indústria, da energia, das telecomunicações e da mídia, que ficariam conhecidos como os oligarcas russos, em meados dos anos 1990. Com a distribuição de vouchers para a população — que deveriam ser trocados por ações, uma das medidas tomadas pelo governo para fomentar a iniciativa privada — os oligarcas ficaram ainda mais ricos, já que os cidadãos comuns vendiam seus cupons por preços mais baixos que os das ações, em busca dos mínimos valores para aumentar o padrão de vida baixíssimo que tinham, fruto da miséria e estagnação do crescimento de riqueza durante a era socialista. O resultado disso foi a falência do programa de vouchers e o aumento da riqueza dos oligarcas. Boris Berezovski, que controlava grande parte das propriedades bancárias e da mídia, tornou-se um dos mais notáveis oligarcas do círculo de Iéltsin. Mikhail Khodorkovski e Roman Abramovitch são outros oligarcas conhecidos.
Campanha presidencial
Em meio às crises políticas e problemas de saúde, Iéltsin anunciou a intenção de participar das eleições de 1996, em um momento que muitos acreditavam ser o fim de sua carreira política, por conta da popularidade cada vez mais baixa. No início de 1996, a popularidade de Iéltsin era tão baixa que beirava 2%.[11] Ao mesmo tempo, o Partido Comunista, que venceu as eleições legislativas, representado pelo candidato Guennadi Ziuganov, crescia e tinha forte apoio, nos centros urbanos, por conta dos velhos tempos de prestígio, e principalmente nas regiões rurais, extremamente afetadas pelas reformas agrícolas de Iéltsin.
Era perceptível que Iéltsin seria derrotado nas urnas, e seus assessores chegaram até a citar que Iéltsin cancelasse as eleições e governasse como ditador. Com o choque, medidas foram rapidamente tomadas, e Anatoli Chubais, o responsável pelas privatizações, usou seu controle no programa como instrumento para a reeleição do presidente. Com o apoio de diversos oligarcas, Iéltsin conseguiu fundos para sua campanha e manipulou a mídia a seu favor, e em troca, permitiu que os oligarcas recebessem parcelas maiores de propriedades estatais. A imprensa — controlada ou pelo governo ou pelos oligarcas aliados de Iéltsin — agiu de forma terrorista, e destacou uma suposta “volta ao totalitarismo” no caso da vitória de Ziuganov, e até mesmo uma guerra que os comunistas iniciariam para restabelecer a URSS. Ao mesmo tempo, a imprensa exaltava Iéltsin, omitindo por completo seus problemas de saúde. Iéltsin prometeu acabar com a Guerra da Chechênia, dar um intervalo às reformas e voltar a pagar pensões aos aposentados e salários aos funcionários públicos.
Com a aproximação da reta final da campanha presidencial, Ziuganov viu sua popularidade inicial desaparecer. No primeiro turno, Iéltsin venceu com apenas 3,5% de votos a mais que o adversário Ziuganov. No segundo turno, após diversas manobras políticas que incluíram o apoio de um candidato bem-votado e da milítsia russa, Iéltsin foi reeleito com 53% dos votos, contra 40%.
Internação e crise econômica
No início do segundo mandato, Iéltsin foi internado com urgência para realizar a sua quinta cirurgia de ponte de safena. Por conta de complicações na cirurgia, o presidente ficou meses no hospital. Durante esse período, a Rússia receberia 40 bilhões de dólares do FMI e de outras organizações financeiras mundiais. Contudo, seus oponentes afirmam que esse dinheiro foi roubado do tesouro pelos magnatas do círculo de Iéltsin e estariam guardados em bancos estrangeiros.[12][13]
Em 1998, o governo de Iéltsin não pagou suas dívidas, causando pânico no mercado financeiro e o colapso do rublo, o que levou à Crise russa de 1998.
Kosovo e tentativa de Impeachment
Durante a Guerra do Kosovo, em 1999, quando tropas da OTAN atacaram alvos da Iugoslávia, Iéltsin se opôs fortemente à campanha contra a Iugoslávia, e ameaçou uma possível intervenção russa no caso de a OTAN enviar tropas terrestres a Kosovo. Pela televisão, Iéltsin afirmou que “disse à OTAN, aos americanos e aos alemães para não empurrar a Rússia para uma ação militar, senão haverá sem dúvida uma guerra europeia e talvez uma guerra mundial“.[14]
Em 15 de maio de 1999, Iéltsin se livrou de mais uma tentativa de impeachment, desta vez por parte da oposição comunista na Duma. Ele foi acusado de diversas atividades inconstitucionais, incluindo a assinatura do Pacto de Belovezh, que oficializou o fim da União Soviética, apesar de a escolha do povo ter sido à favor da existência do país; o golpe de Estado em outubro de 1993; e a guerra da Chechênia, em 1994. Nenhuma dessas acusações recebeu 2/3 dos votos na Duma, o necessário para iniciar um processo de impeachment contra o presidente.
Em 9 de agosto de 1999, Iéltsin demitiu todo o seu gabinete, e indicou Vladimir Putin como seu novo primeiro-ministro, revelando seu desejo de que Putin fosse seu sucessor na presidência.
Conflito com Clinton
O presidente norte-americano Bill Clinton toca o saxofone que ganhara de presente de Iéltsin.
Em novembro, durante uma conferência, Iéltsin e o presidente norte-americano Bill Clinton se desentenderam com relação à Chechênia. Clinton apontou seu dedo para Iéltsin e exigiu que o presidente russo parasse com os ataques e bombardeios que resultaram nas mortes de civis. Iéltsin, ofendido, zombou de Clinton exigindo que ele parasse os bombardeios na Iugoslávia, e imediatamente abandonou a conferência.[15] O presidente russo, que tinha uma relação amigável com Clinton, jamais perdoaria o colega, que em resposta confessou a jornalistas uma das mais desagradáveis situações vividas por Iéltsin, ocorrida em uma de suas viagens a Washington.[16]
Em dezembro, enquanto visitava a China em busca de apoio na Chechênia, Iéltsin respondeu novamente a Clinton, que desta vez criticara o ultimato russo aos cidadãos de Grozni. Iéltsin disse: “Ontem, Clinton se permitiu pôr pressão na Rússia. Me parece que ele esqueceu, por um minuto, um segundo que seja, que a Rússia tem um arsenal cheio de armas nucleares. Ele se esqueceu disso.”. Clinton desdenhou o comentário do colega russo afirmando que “não acha que ele esqueceu que a América era uma grande potência quando entrou em desacordo com o que eu [Clinton] fiz em Kosovo“. Com respostas mais agressivas de Iéltsin, foi responsabilidade de Vladimir Putin abrandar os comentários de seu presidente e apresentar novas propostas para as relações entre Rússia e EUA.[17]
Renúncia
Em 31 de dezembro de 1999, em um anúncio surpresa divulgado ao meio-dia pelo horário de Moscou, Iéltsin renunciava ao cargo de presidente da Rússia. Vladimir Putin assumiu a presidência, consoante à Constituição. As eleições aconteceriam no ano seguinte, em 26 de março.
Carta de Renúncia

Boris Iéltsin anunciando a sua renúncia e lendo a carta.
Em sua renúncia, Iéltsin leu ao povo russo uma mensagem dramática e emocionante que ficou conhecida como “Carta de Renúncia”, na qual ele demonstra sua frustração e pede perdão à população. A carta ficou muito conhecida por apresentar o lado humano de Iéltsin e representar o fim de uma época dolorosa através de uma carta com teor de retrospectiva.
Dois versos do final da carta de Iéltsin foram lidos por um jornalista russo em seu funeral no momento em que seu caixão foi fechado.[18]
Aposentadoria
Após a aposentadoria, Iéltsin quase não fez mais aparições públicas. Em 13 de setembro de 2004, após o Massacre de Beslan e uma sequência de ataques terroristas em Moscou, o presidente Putin assinou um decreto para substituir as eleições regionais para governador por um sistema em que o próprio presidente nomeia os governadores, que são aprovados pelo Legislativo regional. Iéltsin, junto com Mikhail Gorbatchov, criticaram publicamente o plano de Putin, afirmando que ele estaria dando um passo para longe da democracia na Rússia e retornando ao aparato de centralização de poder existente na União Soviética.
Em setembro de 2005, Iéltsin teve de operar o quadril em Moscou, após quebrar o fêmur em uma queda, enquanto passava férias na ilha de Sardenha.
Em 1 de fevereiro de 2006, Iéltsin celebrou seu aniversário de 75 anos. Ele aproveitou a ocasião para criticar o “monopólio” diplomático dos Estados Unidos e afirmar que Putin foi a escolha certa para a Rússia.
Gafes
Iéltsin protagonizou diversas situações desagradáveis publicamente, muitas delas por conta de seu alcoolismo unido às altas doses de medicamentos para problemas cardíacos. Algumas destas situações incluem:
- Em sua primeira visita ao Canadá, em 1991, Iéltsin foi orientado para que descesse do degrau onde seria recebido por um guarda de honra. No momento em que o guarda posicionou-se na frente de Iéltsin, em vez de caminhar em sua direção, como lhe foi orientado, o presidente permaneceu olhando para o guarda, que sem saber o que fazer, gesticulou e fez mímicas, na esperança de que Iéltsin lembrasse o que lhe foi instruído.[19]
- Em agosto de 1994, Iéltsin viajou para a Alemanha para as celebrações da retirada do último soldado russo do país. Durante o almoço comemorativo, Iéltsin teria exagerado no champanhe, e apareceu cambaleando em público. Na hora do discurso, enquanto todos os presentes no auditório estavam formalmente alinhados, Iéltsin mexia os braços incessantemente. Na hora do discurso, apenas recitou provérbios populares arrastando as letras e ainda esqueceu o sobrenome do anfitrião, o chanceler alemão Helmut Kohl. Ao sair do palco onde estava, ao lado do chanceler, Iéltsin acelerou o passo de repente e começou a gesticular e saudar a audiência que o assistia do outro lado da rua, distanciando-se de Kohl. Seguido por uma dúzia de seguranças, Iéltsin continuou caminhando rapidamente pela calçada, e ainda gesticulando, ele avançou em direção à rua, onde passava um ônibus. Seus seguranças tentaram segurá-lo, mas ele empurrou um deles, e a solução foi pedir para que o motorista parasse. Iéltsin finalmente chegou do outro lado da rua, onde uma orquestra estava tocando, tomou a batuta do maestro e começou a conduzir a banda enquanto dançava freneticamente. Em seguida, a banda foi prestar-lhe uma homenagem tocando a música tradicional russa Kalinka. Iéltsin, contudo, pegou o microfone e pôs-se a cantar a música. Sua garganta, para o alívio de uns e frustração de outros, não aguentou até o final da música, e Iéltsin engasgou, abandonando a festa.[20][21][22]
- Em 30 de setembro de 1994, Iéltsin seria recebido no aeroporto de Shannon, na Irlanda. O primeiro-ministro estava a espera do presidente russo no aeroporto, e o tapete vermelho já estava pronto para a recepção. Quando o avião pousou na pista de aterrisagem, somente os assessores de Iéltsin desceram a escada. Quando questionados onde estava Iéltsin, os assessores afirmaram que ele estava passando mal. Ao chegar no aeroporto de Moscou, Iéltsin desceu perfeitamente bem. Mais tarde, a situação ficou clara, já que Iéltsin confessou que estava dormindo e não conseguiu levantar do sono pesado.[23]
- Iéltsin aceitou o convite de participar de uma conferência com jornalistas estrangeiros, que aconteceria em um dos cômodos do Kremlin. No momento em que as portas se abriram, Iéltsin se dirigiu ao lado oposto de onde estavam os jornalistas e cumprimentou seus próprios assessores, e teve de ser alertado por um de seus secretários sobre quem eram de fato os jornalistas, que permaneceram estáticos e sequer cumprimentaram Iéltsin.[24]
- Em 1995, Iéltsin viajou para Washington D.C., onde ficou hospedado na Blair House. De madrugada, agentes do serviço secreto teriam ouvido barulhos vindo do porão do edifício. Quando saíram, se depararam com o presidente russo de cuecas, bêbado e chamando um táxi em plena Avenida Pensilvânia. Ao ser questionado do porquê de tudo aquilo, Iéltsin afirmou que só estava indo encomendar uma pizza.[25]
- Em 1996, durante sua campanha presidencial na cidade de Rostov, Iéltsin dançou a música de rock «Дождь и я», do cantor Evgueni Osin. Ele ainda estava em recuperação médica, já que na semana anterior, ele havia tido um ataque cardíaco.[26][27]
- Em 1997, quando Iéltsin viajou a Estocolmo, na Suécia, ele começou a falar coisas incompreensíveis à platéia que o assistia, como por exemplo, que almôndegas suecas faziam-no lembrar da cara do tenista Björn Borg, e após tomar uma única taça de champanhe, Iéltsin quase caiu do pódio onde estava.[28][29]
- Em um discurso, ao terminar a primeira página, Iéltsin levou mais de trinta segundos para achar o verso do caderno que tinha em mãos, e ainda precisou do auxílio de um de seus assessores.[30]
- No ano de 1999, Iéltsin foi ao funeral do rei Hussein, da Jordânia, e quase tropeçou no momento em que o caixão passava em sua frente, sendo segurado por seus guarda-costas e derrubando as flores que carregava nas mãos. Após o evento, ele sairia apressadamente do funeral.[31]
- Em uma reunião com seus assessores, no ano de 1999, Iéltsin lia um documento, quando de repente olhou com reprovação aos seus ministros. Em seguida, repreendeu o primeiro-ministro Serguei Stepashin e ordenou-lhe que se sentasse em outra cadeira.[31]
Morte
O corpo de Iéltsin foi velado na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou.
Boris Iéltsin morreu em decorrência de um ataque cardíaco, em 23 de abril de 2007, aos 76 anos.[32][33] De acordo com o jornal Komsomolskaia Pravda, a condição de Iéltsin piorou com uma viagem feita à Jordânia, entre 25 de março e 2 de abril.[34]
Iéltsin foi enterrado no cemitério Novodevitchi,[35] em 25 de abril de 2007, após ser velado na Catedral de Cristo Salvador, em Moscou. Iéltsin foi o primeiro líder russo em 113 anos a ser enterrado em uma cerimônia religiosa, após o czar Alexandre III. Ele também foi o primeiro líder de toda a história russa e soviética a morrer aposentado, após transferir o poder pacificamente ao sucessor.
O presidente Vladimir Putin declarou luto nacional no dia de seu funeral, em que a bandeira esteve a meio-mastro e todos os programas de entretenimento foram suspensos por 24 horas. Seu funeral foi transmitido ao vivo por todas as redes estatais de televisão. Iéltsin foi sepultado ao som do hino da Rússia, que utiliza a mesma melodia do hino da União Soviética, que durante seu governo Iéltsin proibira de ser executado.
O presidente Putin afirmou na ocasião de seu funeral: “A presidência o gravou para sempre na história da Rússia e de todo o mundo. Uma nova Rússia, democrática, nasceu neste período, uma nação livre, aberta e pacífica. Um estado em que o poder realmente pertence ao povo. A força do primeiro presidente da Rússia consistia no apoio em massa dos cidadãos russos por suas ideias e aspirações. Graças ao desejo e iniciativa direta do presidente Boris Iéltsin, uma nova Constituição foi adotada, declarando que os direitos humanos é um valor supremo. Isso deu ao povo a oportunidade de expressar livremente seus pensamentos, escolher livremente o poder, realizar seus planos de criação e empreendedorismo. Esta Constituição permitiu que nós começássemos a construir uma Federação realmente efetiva. Nós o conhecemos como uma pessoa valente, prestativa e espirituosa. Ele foi um líder nacional corajoso e valoroso. E sempre foi muito honesto e franco ao defender sua posição. Iéltsin assumiu toda a responsabilidade por aquilo que ele tenha causado, por tudo que ele tenha aspirado. Por tudo que ele tentou fazer e fez pelo bem da Rússia, pelo bem de milhões de russos. Ele invariavelmente absorveu todos os desafios, dificuldades e problemas do povo, e deixou que eles entrassem em seu coração.”
Logo que as notícias a respeito da morte do ex-presidente saíram, Mikhail Gorbatchov, velho adversário político de Iéltsin, afirmou: “Eu ofereço as minhas mais profundas condolências à família de um homem cujos ombros foram o apoio de tantas realizações e erros graves, um destino trágico”. O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, amigo e rival de Iéltsin, afirmou: “Em sua presidência, Iéltsin trabalhou incansavelmente pela restauração da grandeza da Rússia através da democracia. Iéltsin trabalhou em detrimento de sua saúde, mas pelo bem de seu país.” O então presidente americano, George W. Bush, disse que “agradece os esforços do presidente Iéltsin pela construção de relações sólidas entre Estados Unidos e Rússia“. O então primeiro-ministro britânico declarou que “a defesa das reformas econômicas e democráticas desempenhada por Iéltsin tiveram papel essencial em um período crucial da história da Rússia”. O ex-presidente alemão, Helmut Kohl, disse que “nunca se esquecerá da maneira que Iéltsin coordenou a retirada das tropas russas da Alemanha“. A ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher acredita que Iéltsin deve “ser honrado como um patriota e libertador”. O crítico do presidente Putin, Boris Nemtsov, afirmou acreditar que “a melhor homenagem a Iéltsin seria trazer a liberdade de volta ao nosso país”.
O círculo de Iéltsin
- Anatoli Sobtchak, aliado de Iéltsin na ala da oposição, primeiro prefeito democraticamente eleito de São Petersburgo.
- Viktor Chernomyrdin, primeiro-ministro de Iéltsin durante praticamente todo o seu mandato.
- Vladimir Putin, chefe do serviço secreto russo, primeiro-ministro de Iéltsin e seu sucessor na presidência da Rússia.
- Iuri Luzhkov, prefeito de Moscou entre 1992 e 2010. Foi demitido por Dmitri Medvedev pelas suas ações ultra-conservadoras.
- Alexander Lebed, militar muito próximo de Iéltsin. Foi governador de Krai de Krasnoiarsk entre 1998 e 2002.
- Boris Berezovski, oligarca russo que enriqueceu no processo de privatização da economia russa. Foi exilado por Putin em 2007, quando tentou comprar o clube brasileiro Corinthians.
- Yegor Gaidar, economista que planejou a terapia de choque na economia, favorecendo o processo de privatização. Foi primeiro-ministro durante o ano de 1992, mas foi deposto durante a crise constitucional.
- Anatoli Chubais, empresário russo, responsável pela aceleração das privatizações do patrimônio público e legalização dos processos.
Ver também
Referências
- O cargo de vice-presidente da Rússia foi criado em 1991 e extinto em 1993. Alexander Rutskoi foi o primeiro e único vice-presidente russo.
- ↑ «Morreu o ex-Presidente russo Boris Ieltsin». Público. 23 de abril de 2007. Consultado em 25 de abril de 2007
- ↑ Pronunciado «Barís Nicaláievitch Iélhtsin»
- ↑ Aslund, Anders (28 de janeiro de 2009). «Russia’s Collapse» (em inglês). ISSN 0015-7120. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ Bohlen, Celestine. «Yeltsin Deputy Calls Reforms ‘Economic Genocide’» (em inglês)
- ↑ Page 74 O’Clery, Conor. Moscow December 25, 1991: The Last Day of the Soviet Union. Transworld Ireland (2011). ISBN 978-1-84827-112-8
- ↑ Page 81 O’Clery, Conor. Moscow December 25, 1991: The Last Day of the Soviet Union. Transworld Ireland (2011). ISBN 978-1-84827-112-8
- ↑ «1990: Yeltsin resignation splits Soviet Communists» (em inglês). 12 de julho de 1990. Consultado em 22 de abril de 2021
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- ↑ Clinton revelou que em uma das visitas do presidente russo aos Estados Unidos, Iéltsin teria saído de seu quarto Blair, quarto de hóspedes oficial, e furtivamente entrado no porão. Quando foi achado, o presidente russo estava bêbado e de cuecas, prestes a entrar em um táxi, em uma rua paralela à Casa Branca, por volta das quatro horas da manhã. Quando perguntado por que fugiu de seu quarto sem sequer avisar os seguranças e chamou o táxi, Iéltsin disse que estava com vontade de comer pizza. http://www.dailymail.co.uk/news/article-1215101/Drunk-Boris-Yeltsin-outside-White-House-underpants-trying-hail-cab-wanted-pizza.html
- ↑ Laris, Michael (10 December 1999). “In China, Yeltsin Lashes Out at Clinton Criticisms of Chechen War Are Met With Blunt Reminder of Russian Nuclear Power”. The Washington Post: p. A35.
- ↑ No funeral de Iéltsin, foram lidos os seguintes trechos de sua carta: “Eu me vou. Eu fiz tudo o que pude. Serei substituído por uma nova geração, a geração daqueles que podem fazer mais e melhor. Me despedindo, eu gostaria de dizer a cada um de vocês: Sejam felizes! Vocês fizeram por merecer a felicidade. Vocês merecem a felicidade e a prosperidade.” – Boris Iéltsin
- ↑ YouTube – Vídeo “Пьяный Ельцин пошел не в ту сторону”.
- ↑ YouTube – Vídeo “Пьяный Ельцин. Редкие кадры.”
- ↑ YouTube – Vídeo “Пьяный Ельцин танцует и поет”
- ↑ YouTube – Vídeo “Пьяный Ельцин в Германии”
- ↑ YouTube – Vídeo “Намедни – 94. Ельцин проспал Ирландию”
- ↑ YouTube – Vídeo “Ельцин пошел не в ту сторону.”
- ↑ «’Drunk Boris Yeltsin tried to hail taxi outside White House in underpants’». http://www.telegraph.co.uk. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ YouTube – Vídeo “пьяный Ельцин чудит “
- ↑ «Yeltsin era conhecido por gafes e brincadeiras impertinentes – 23/04/2007 – UOL Últimas Notícias». noticias.uol.com.br. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ Whipple, Tom (25 September 2009). “Understanding the news this week 26 September 2009”. The Times (London). Retrieved 26 April 2010.
- ↑ “Office party: The top ten worse for wear politicians”. Daily Mirror. UK. Retrieved 3 November 2010.
- ↑ YouTube – Vídeo “Выступление пьяного,невменяемого ельцина”
- ↑ Ir para:a b YouTube – Vídeo “пьяный Ельцин чудит”
- ↑ «Terra | Buscador». Terra. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ «Folha Online – Mundo – Morre aos 76 anos o presidente russo Boris Ieltsin – 23/04/2007». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 22 de abril de 2021
- ↑ правды», Комсомольская правда | Сайт «Комсомольской (24 de abril de 2007). «У первого президента не выдержало сердце». KP.RU – сайт «Комсомольской правды» (em russo)
- ↑ Boris Iéltsin (em inglês) no Find a Grave
| Precedido por Oleg Lobov (Primeiro-Ministro da República Socialista Federativa Soviética da Rússia) |
Primeiro-ministro da Rússia 1991 — 1992 |
Sucedido por Yegor Gaidar |
| Precedido por Mikhail Gorbachev (Presidente da União Soviética) |
![]() Presidente da Federação Russa 1991 — 1999 |
Sucedido por Vladimir Putin |
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