RS Notícias: Microfone de Mão Sem Fio Duplo Vokal VWS20 Plus

 

 

Este sistema de microfone sem-fio profissional foi projetado usando tecnologia americana, com um receptor VHF de banda alta super sensível, controlado com cristal 15 ppm, e uma chave para cancelar o circuito. Seu circuito é resistente à reverberação e tem mudança suave de saída.Indicados para uso em palcos maiores ou médios, salas de Karaokê, em casa, Palestras, Para Igrejas, Bandas, Duplas.

Tipo: Microfone S/Fio VHF Profissional

Modelo: VWS-20

Quantidade de Bastões: 2

Canal Individual: Sim

Faixa de Frequência de Transmissão: 180 – 270 MHZ, banda alta de VHF

Estabilidade da Frequência: 0.005%

Faixa Máxima de Desvio: 15kHz

Resposta de Frequência: 40 Hz – 20 kHz

Taxa Sinal / Ruído: 100 dB

Alcance Dinâmico de Áudio: 100 dB

THD: 0,5%

Alimentação: 4 Pilhas AA (inclusas)

Qualidade de Som: Perfeita

Controle de Volume: Individual

Entrada: Separada Para Cada Microfone com P10

Distância de Funcionamento da Base: 50 metros

Peso: 1,64kg

Especificações do Microfone (Bastão):

Potência de Saída RF: 30 mW (máxima)

Emissões de Espúrias: Acima de 45 dB na onda modulada

Antena: Embutida

Captador do Microfone: Dinâmico unidirecional

Bateria: Pilhas AA padrão

Consumo: Cerca de 25 mA

Duração da Bateria: Superior a 8 horas de uso contínuo

Dimensões: 52 x 247 mm

Especificações Receptor:

Sistema de Recepção: Frequência fixa controlada por quartzo

Sensibilidade de Recepção: Taxa de Sinal / Ruído de 60 dB (12dBU)

Taxa Sinal / Ruído: >100 dB

Nível de Saída de Áudio:

Modo não-balanceado do canal A + B: 0 – 0,5 V / 5 kO

Modo não-balanceado do canal A & B: 0 – 0,5 V / 50 kO

Alimentação: AC 110V/220v

Dimensões: P x L x H: 42 x 24 x 4,5 cm

Características:

Larga frequência de resposta , alta relação Sinal/Ruido;

Alta resistência a ruidos periféricos;

Função de supersilencio , baixo THD;

Não há estalo ao acionar a chave , para proteção do amplificador e alto falantes;

Indicadores de estado de trabalho e nível de bateria;

Com um grande alcance útil de mais de 30 m em um ambiente livre de obstaculos , e 20 m em um sistema duplo;

Devido ao duplo canal , dois microfones podem ser itilizados ao mesmo tempo sem nenhum distúrbio.

Informações adicionais

Garantia 90 dias

Imagem ilustrativa

Acompanha pilha.

Link: https://www.magazinevoce.com.br/magazinelucioborges/p/microfone-de-mao-sem-fio-duplo-vokal-vws20-plus/18426695/

Fonte: RS Notícias: Microfone de Mão Sem Fio Duplo Vokal VWS20 Plus

RS Notícias: Muro de Berlim – História virtual

                                                      Muro de Berlim

Berliner Mauer

Grafites sobre o Muro de Berlim em 1986.

Mapa do traçado do Muro de Berlim.

Muro de Berlim (em alemãoBerliner Mauer) foi uma barreira física construída pela Alemanha Oriental durante a Guerra Fria, que circundava toda a Berlim Ocidental. Era parte da fronteira interna alemã. Este muro, além de dividir a cidade de Berlim ao meio, simbolizava a divisão do mundo em dois blocos ou partes: República Federal da Alemanha (RFA), que era constituído pelos países capitalistas encabeçados pelos Estados Unidos; e a República Democrática Alemã (RDA), constituído pelos países socialistas sob jugo do regime soviético. Construído na madrugada de 13 de agosto de 1961, dele faziam parte 66,5 km de gradeamento metálico, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas de corrida para ferozes cães de guarda. Este muro era patrulhado por militares da Alemanha Oriental Socialista com ordens de atirar para matar (a célebre Schießbefehl ou “Ordem 101”) os que tentassem escapar, o que provocou a separação de dezenas de milhares de famílias berlinenses.[1]

A distinta e muito mais longa fronteira interna alemã demarcava a fronteira entre a Alemanha Oriental e a Alemanha Ocidental. Ambas as fronteiras passaram a simbolizar a chamada “cortina de ferro” entre a Europa Ocidental e o Bloco de Leste. Antes da construção do Muro, 3,5 milhões de alemães orientais tinham evitado as restrições de emigração do Leste socialista e fugiram para a Alemanha Ocidental, muitos ao longo da fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental. Durante sua existência, entre 1961 e 1989, o Muro quase parou todos os movimentos de emigração e separou a Alemanha Oriental de Berlim Ocidental por mais de um quarto de século.[2]

Durante uma onda revolucionária de libertação ao comando de Moscou que varreu o Bloco de Leste, o governo da Alemanha Oriental anunciou em 9 de novembro de 1989, após várias semanas de distúrbios civis, que todos os cidadãos da RDA poderiam visitar a Alemanha Ocidental Capitalista e Berlim Ocidental. Multidões de alemães orientais subiram e atravessaram o muro juntando-se aos alemães ocidentais do outro lado, em uma atmosfera de celebração. Ao longo das semanas seguintes, partes do Muro foram destruídas por um público eufórico e por caçadores de souvenirs. Mais tarde, equipamentos industriais foram usados para remover quase o todo da estrutura. A queda do Muro de Berlim abriu o caminho para a reunificação alemã que foi formalmente celebrada em 3 de outubro de 1990. Muitos apontam este momento também como o fim da Guerra Fria. O governo de Berlim incentiva a visita do muro derrubado, tendo preparado a reconstrução de trechos do muro. Além da reconstrução de alguns trechos, está marcado no chão o percurso que o muro fazia quando estava erguido.

Antecedentes

Alemanha pós-guerra

Ficheiro:SFP 186 - Brandenburger Tor.ogv

Portão de Brandemburgo em 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Após a Segunda Guerra Mundial na Europa, o que restou da Alemanha nazista a oeste da linha Oder-Neisse foi dividido em quatro zonas de ocupação (por Acordo de Potsdam), cada um controlado por uma das quatro potências aliadas: os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a União Soviética. A capital, Berlim, enquanto a sede do Conselho de Controle Aliado, foi igualmente dividida em quatro sectores, apesar da cidade estar situada bem no interior da zona soviética.[3]

Em dois anos, ocorreram divisões entre os soviéticos e as outras potências de ocupação, incluindo a recusa dos soviéticos aos planos de reconstrução para uma Alemanha pós-guerra autossuficiente e de uma contabilidade detalhada das instalações industriais e infraestrutura já removidas pelos soviéticos.[4] Reino Unido, França, Estados Unidos e os países do Benelux se reuniram para mais tarde transformar as zonas não-soviéticas do país em zonas de reconstrução e aprovar a ampliação do Plano Marshall para a reconstrução da Europa para a Alemanha.[5][6]

O Bloco de Leste e o Bloqueio de Berlim

Após a Segunda Guerra Mundial, o líder soviético Joseph Stalin construiu um cinturão protector da União Soviética em nações controladas em sua fronteira ocidental, o Bloco do Leste socialista, que então incluía PolóniaHungria e Tchecoslováquia, que ele pretendia manter a par de um enfraquecido controle soviético na Alemanha.[7]

Já em 1945, Stalin revelou aos líderes alemães socialistas que esperava enfraquecer lentamente a posição Britânica em sua zona de ocupação, que os Estados Unidos iriam retirar sua ocupação dentro de um ano ou dois e que, em seguida, nada ficaria no caminho de uma Alemanha unificada sob controle socialista dentro da órbita soviética.[8]

A grande tarefa do Partido Comunista no poder na zona Soviética alemã foi abafar as ordens soviéticas através do aparelho administrativo e fingir para as outras zonas de ocupação que se tratavam de iniciativas próprias.[9] Nesse período, a propriedade e a indústria foram nacionalizadas na zona de ocupação Soviética.[10]

Em 1948, após desentendimentos sobre a reconstrução e uma nova moeda alemã, Stálin instituiu o Bloqueio de Berlim, impedindo que alimentos, materiais e suprimentos pudessem chegar a Berlim Ocidental.[11] Os Estados UnidosReino UnidoFrançaCanadáAustráliaNova Zelândia e vários outros países começaram uma enorme “ponte aérea de Berlim”, fornecendo alimentos e outros suprimentos à Berlim Ocidental.[12] Os soviéticos montaram uma campanha de relações públicas contra a mudança da política Ocidental e socialistas tentaram perturbar as eleições de 1948,[13] enquanto 300 mil berlinenses pediam para que o transporte aéreo internacional continuasse.[14] Em maio de 1949, Stalin acabou com o bloqueio, permitindo a retomada dos embarques do Ocidente para Berlim.[15][16]

Berlinenses assistindo a um C-54 aterrando no Aeroporto de Tempelhof em 1948, durante o Bloqueio de Berlim.

República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) foi declarada em 7 de outubro de 1949, onde o Ministério de Negócios Estrangeiros Soviético concedeu autoridade administrativa a Alemanha Oriental, mas não sua autonomia, onde os soviéticos possuíam ilimitada penetração no regime de ocupação e nas estruturas de administração e de polícia militar e secreta.[17][18] A Alemanha Oriental diferia da Alemanha Ocidental (República Federal da Alemanha), que se desenvolveu como um país Ocidental capitalista com uma economia social de mercado (“Soziale Marktwirtschaft” em alemão) e um governo de democracia parlamentar. O crescimento económico contínuo a partir de 1950 da Alemanha Ocidental alimentou um “milagre económico” de 20 anos (“Wirtschaftswunder”). Enquanto a economia da Alemanha Ocidental cresceu e seu padrão de vida melhorou continuamente, muitos alemães orientais tentavam ir para a Alemanha Ocidental.

Depois da ocupação soviética da Europa Oriental no final da Segunda Guerra Mundial, a maioria das pessoas que viviam nas áreas recém-adquiridas do Bloco Oriental aspiravam à independência e queriam que os soviéticos saíssem.[19] Aproveitando-se da zona de fronteira entre as zonas ocupadas na Alemanha, o número de cidadãos da RDA que se deslocam para a Alemanha Ocidental totalizou 197 mil em 1950, 165 mil em 1951, 182 mil em 1952 e 331 mil em 1953.[20][21] Uma das razões para o aumento acentuado em 1953 foi o medo de Sovietização mais intensa com as ações cada vez mais paranóicas de Joseph Stalin em 1952 e no início de 1953.[22] 226 mil pessoas fugiram apenas nos primeiros seis meses de 1953.[23]

Histórico

Construção

Construção do muro em 20 de novembro de 1961

Ficheiro:Aerial View of Divided Berlin.webm

Imagens aéreas filmadas pela CIA em 1961

Localização do muro frente ao Portão de Brandemburgo em 1961.

Os planos da construção do muro eram um segredo do governo da Alemanha Socialista. Poucas semanas antes da construção, Walter Ulbricht, líder da RDA na época, respondeu assim à pergunta de uma jornalista da Alemanha Ocidental:[24]

Vou interpretar a sua pergunta da maneira que na Alemanha Ocidental existem pessoas que desejam que nós mobilizemos os trabalhadores da capital da RDA para construir um muro. Eu não sei nada sobre tais planos, sei que os trabalhadores na capital estão ocupados principalmente com a construção de apartamentos e que suas capacidades são inteiramente utilizadas. Ninguém tem a intenção de construir um muro!
Original (em alemão): Ich verstehe Ihre Frage so, dass es Menschen in Westdeutschland gibt, die wünschen, dass wir die Bauarbeiter der Hauptstadt der DDR mobilisieren, um eine Mauer aufzurichten, ja ? Mir ist nicht bekannt, dass eine solche Absicht besteht ; da sich die Bauarbeiter in der Hauptstadt hauptsächlich mit Wohnungsbau beschäftigen und ihre Arbeitskraft voll eingesetzt wird. Niemand hat die Absicht, eine Mauer zu errichten !
— Walter Ulbricht (em alemão)

Assim, Walter Ulbricht foi o primeiro político a referir-se a um muro, dois meses antes da sua construção.

Os governos ocidentais tinham recebido informações sobre planos drásticos, parcialmente por pessoas de conexão, parcialmente pelos serviços secretos. Sabia-se que Walter Ulbricht havia pedido a Nikita Khrushchov, numa conferência dos Estados do Pacto de Varsóvia, a permissão de bloquear as fronteiras a Berlim Ocidental, incluindo a interrupção de todas as linhas de transporte público.[25]

Depois desta conferência, anunciou-se que os membros do Pacto de Varsóvia intentassem inibir os actos de perturbação na fronteira de Berlim Ocidental, e que propusessem implementar um guarda e controle efectivo. Dia 11 de Agosto, a Volkskammer confirmou os resultados desta conferência, autorizando o conselho dos ministros a tomar as medidas necessárias. O conselho dos ministros decidiu dia 12 de Agosto usar as forças armadas para ocupar a fronteira e instalar gradeamentos fronteiriços.[26]

Na madrugada do dia 13 de Agosto de 1961, as forças armadas bloquearam as conexões de trânsito a Berlim Ocidental.[25] Eram apoiadas por forças soviéticas, preparadas à luta, nos pontos fronteiriços para os sectores ocidentais. Todas as conexões de trânsito ficaram interrompidas no processo (mas, poucos meses depois, linhas metropolitanas passavam pelos túneis orientais, mas não servindo mais as estações fantasma situadas no oriente).

“Mr. Gorbachev, tear down this wall!”

Ver artigo principal: Tear down this wall
Ficheiro:President Ronald Reagan's Speech at the Berlin Wall, June 12, 1987.webm

Discurso completo de Ronald Reagan no Portão de Brandemburgo, 12 de junho de 1987. A famosa frase “Tear down this wall!” é dita a partir de 11m10 neste vídeo.

Em um discurso no Portão de Brandemburgo em comemoração ao 750º aniversário de Berlim[27] em 12 de junho de 1987Ronald Reagan desafiou Mikhail Gorbachev, então Secretário Geral do Partido Comunista da União Soviética, para derrubar o muro como um símbolo de crescente liberdade no Bloco de Leste:

Damos as boas-vindas à mudança e à abertura, pois acreditamos que a liberdade e segurança caminham juntos, que o progresso da liberdade humana só pode reforçar a causa da paz no mundo. Há um sinal de que os soviéticos podem fazer que seria inconfundível, que faria avançar dramaticamente a causa da liberdade e da paz. Secretário Geral Gorbachev, se você procura a paz, se você procura prosperidade para a União Soviética e a Europa Oriental, se você procurar a liberalização, venha aqui para este portão. Sr. Gorbachev, abra o portão. Sr. Gorbachev, derrube esse muro![28]

Queda do Muro

Ver artigo principal: Queda do Muro de Berlim

Alemães em pé em cima do muro, em 1989, que começaria a ser destruído no dia seguinte

O Muro de Berlim começou a ser derrubado na noite de 9 de Novembro de 1989 depois de 28 anos de existência. O evento é conhecido como a queda do muro. Antes da sua queda, houve grandes manifestações em que, entre outras coisas, se pedia a liberdade de viajar. Além disto, houve um enorme fluxo de refugiados ao Ocidente, pelas embaixadas da RFA, principalmente em Praga e Varsóvia, e pela fronteira recém-aberta entre a Hungria e a Áustria, perto do lago de Neusiedl.[29]

O impulso decisivo para a queda do muro foi um mal-entendido entre o governo da RDA. Na tarde do dia 9 de Novembro houve uma conferência de imprensa, transmitida ao vivo na televisão alemã-oriental. Günter Schabowski, membro do Politburo do SED, anunciou uma decisão do conselho dos ministros de abolir imediatamente e completamente as restrições de viagens ao Oeste. Esta decisão deveria ser publicada só no dia seguinte, para anteriormente informar todas as agências governamentais.[29]

Pouco depois deste anúncio houve notícias sobre a abertura do Muro na rádio e televisão ocidental. Milhares de pessoas marcharam aos postos fronteiriços e pediram a abertura da fronteira. Nesta altura, nem as unidades militares, nem as unidades de controle de passaportes haviam sido instruídas.[29]

Guindaste removendo partes do muro em 21 de dezembro de 1989

Por causa da força da multidão, e porque os guardas da fronteira não sabiam o que fazer, a fronteira abriu-se no posto de Bornholmer Strasse, às 23 h, mais tarde em outras partes do centro de Berlim, e na fronteira ocidental. Muitas pessoas viram a abertura da fronteira na televisão e pouco depois marcharam à fronteira. Como muitas pessoas já dormiam quando a fronteira se abriu, na manhã do dia 10 de Novembro havia grandes multidões de pessoas querendo passar pela fronteira.[29]

Os cidadãos da RDA foram recebidos com grande euforia em Berlim Ocidental. Muitas boates perto do Muro espontaneamente serviram cerveja gratuita, houve uma grande celebração na Rua Kurfürstendamm, e pessoas que nunca se tinham visto antes cumprimentavam-se. Cidadãos de Berlim Ocidental subiram o muro e passaram para as Portas de Brandenburgo, que até então não eram acessíveis aos ocidentais. O Bundestag interrompeu as discussões sobre o orçamento, e os deputados espontaneamente cantaram o hino nacional da Alemanha.[29]

Reações

Alemanha ocidental

Imagem de satélite de Berlim, com a localização do Muro em amarelo.

Ainda no mesmo dia da construção do muro, o chanceler da Alemanha ocidental, Konrad Adenauer, dirigiu-se à população pelo rádio, pedindo calma e anunciando reações ainda não definidas a serem colocadas junto com os aliados. Adenauer tinha visitado Berlim havia apenas duas semanas. O Prefeito de Berlim, Willy Brandt, protestou energicamente contra a construção do muro e a divisão da cidade, mas sem sucesso. No dia 16 de Agosto de 1961 houve uma grande manifestação com 300 000 participantes em frente do Schöneberger Rathaus, em Berlim Ocidental, para protestar contra o muro. Brandt participou nessa manifestação. Ainda em 1961, fundou-se em Salzgitter a Zentrale Erfassungsstelle der Landesjustizverwaltungen a fim de documentar violações dos direitos humanos no território da Alemanha Oriental.[29]

Aliados

O então presidente dos Estados UnidosJohn F. Kennedy, visitando o Muro de Berlim em 1963.

As reações dos Aliados ocidentais vieram com grande demora. Vinte horas depois do começo da construção do muro apareceram as primeiras patrulhas ocidentais na fronteira. Demorou 40 horas para reservar todos os direitos em Berlim ocidental em frente do comandante soviético de Berlim Oriental.[29] Demorou até 72 horas para o protesto ser oficial em Moscou. Por causa desses atrasos sempre circulavam rumores que a União Soviética havia declarado aos aliados ocidentais de não afectar seus direitos em Berlim ocidental. Seguindo as experiências no Bloqueio de Berlim, os Aliados sempre consideravam Berlim ocidental em perigo, e a construção do muro manifestou esta situação.[29]

Reações internacionais, 1961:

  • A solução não é muito linda, mas mil vezes melhor do que uma guerra. John F. Kennedypresidente dos Estados Unidos.
  • Os alemães orientais param o fluxo de refugiados e desculpam-se com uma cortina de ferro ainda mais densa. Isto não é ilegal. Harold Macmillan, primeiro-ministro britânico.

Contudo, o presidente norte-americano John F. Kennedy apoiou a ideia da cidade livre de Berlim. Mandou forças armadas suplementares e reactivou o general Lucius D. Clay. Dia 19 de Agosto 1961 chegaram a Berlim Clay e o vice-presidente dos Estados Unidos, Lyndon B. Johnson. Protestaram fortemente contra o chefe de estado da RDA, Walter Ulbricht, que havia declarado que as polícias popular e fronteiriça da RDA tivessem autoridade de controle sobre policias, oficiais e empregados dos aliados ocidentais. Finalmente até o comandante soviético na RDA mediou pedindo moderação do lado do governo alemão oriental.

Dia 27 de Outubro de 1961 houve um confronto perigoso entre tanques dos EUA e soviéticos ao lado do Checkpoint Charlie na rua Friedrich. Dez tanques norte americanos enfrentaram dez tanques soviéticos, mas todos se retiraram no dia seguinte. As duas forças não queriam deixar explodir a guerra fria, com o risco de uma guerra nuclear.

Estrutura e áreas adjacentes

O Muro de Berlim tinha mais de 140 quilômetros de comprimento. Em junho de 1962, uma segunda cerca paralela, também conhecida como parede “hinterland” (muro interno),[30] foi construída cerca de 100 metros mais longe no território da Alemanha Oriental. As casas contidas entre a parede e as cercas foram destruídas e os moradores foram realocados, estabelecendo o que mais tarde ficou conhecido como “faixa da morte”, que ficava coberta de areia ou cascalho, o que facilitava a detecção de pegadas e invasores e também permitia aos policiais ver quais guardas haviam negligenciado sua tarefa;[31] não oferecia cobertura; e, mais importante, oferecia campos de tiro claros para os guardas do muro.

Ao longo dos anos, o Muro de Berlim evoluiu em quatro versões:[32]

  • Cerca de arame e muro de blocos de concreto (1961)
  • Cerca de arame melhorada (1962–1965)
  • Muro de concreto melhorado (1965–1975)
  • Grenzmauer 75 (Muro da fronteira 75) (1975-1989)

Esta seção da “faixa da morte” do muro apresentava ouriço checos, uma torre de guarda e uma área limpa, 1977.

O topo do Muro estava alinhado com um cano liso, destinado a dificultar a escalada. As áreas do lado de fora do muro, incluindo a calçada, são do território jure do bloco oriental em 1984

O “muro de quarta geração”, conhecido oficialmente como “Stützwandelement UL 12.11″ (elemento do muro de contenção UL 12.11), era a versão final e mais sofisticada da muralha. Iniciado em 1975[33] e concluído por volta de 1980,[34] foi construído a partir de 45 mil seções separadas de concreto armado, cada uma com 3,6 metros de altura e 1,2 metro de largura e custando cerca de 3 638 000 de dólares.[35] As disposições de concreto adicionadas a esta versão do muro foram feitas para impedir que os fugitivos conduzissem seus carros através das barricadas.[36] Em pontos estratégicos, o muro foi construído com um padrão um pouco mais fraco, para que veículos blindados da Alemanha Oriental e da União Soviética pudessem facilmente romper em caso de guerra.[36]

O topo do muro era revestido por um cano liso, destinado a dificultar a escalada. O muro também era reforçado por cercas de malha, cercas de sinalização, trincheiras anti-veículo, arame farpado, cães, “canteiros de pregos” (também conhecido como “tapete de Stalin”) sob varandas penduradas na faixa da morte, mais de 116 torres de vigia[37] e 20 bunkers com centenas de guardas. Essa versão do muro é a mais comumente vista em fotografias e fragmentos sobreviventes dela em Berlim e em outros lugares ao redor do mundo geralmente são peças da quarta geração. O layout passou a se parecer com a fronteira interna da Alemanha na maioria dos aspectos técnicos, exceto pelo fato de que o Muro de Berlim não possuía minas terrestres nem canhões de mola.[31] A manutenção era realizada na parte externa da parede por pessoal que acessava a área externa através de escadas ou através de portas ocultas dentro da parede.[38] Essas portas não podiam ser abertas por uma única pessoa, precisando de duas chaves separadas em dois orifícios separados para destravar.[39]

Como era o caso da fronteira interna da Alemanha, uma faixa não fortificada do território oriental foi deixada do lado de fora do muro.[40] Essa faixa externa era usada pelos trabalhadores para pintar por cima das pichações e realizar outras manutenções do lado de fora do muro.[40] Ao contrário da fronteira interna da Alemanha, no entanto, a faixa externa usualmente não tinha mais do que quatro metros de largura e, em fotos da época, a localização exata da fronteira real em muitos lugares parece nem ter sido marcada. Também em contraste com a fronteira interna da Alemanha, a polícia da Alemanha Oriental demonstrava pouco interesse em manter as pessoas fora da faixa externa; as calçadas das ruas de Berlim Ocidental até passavam por dentro dela.[40]

Apesar da política geral de negligência benigna do governo da Alemanha Oriental, sabe-se que os vândalos eram perseguidos na faixa externa e até presos. Em 1986, o desertor e ativista político Wolfram Hasch e outros quatro desertores estavam de pé dentro da faixa externa, desfigurando o muro quando funcionários da Alemanha Oriental emergiram de uma das portas ocultas para prendê-los. Todos, exceto Hasch, escaparam de volta ao setor ocidental. O próprio Hasch foi preso, arrastado pela porta para a faixa da morte e mais tarde condenado por cruzar ilegalmente a fronteira de jure fora do muro.[41] O artista de grafite Thierry Noir relatou que muitas vezes foi perseguido por soldados da Alemanha Oriental.[42] Enquanto alguns grafiteiros foram expulsos da faixa externa, outros, como Keith Haring, eram aparentemente tolerados.[43]

Tentativas de fuga

Ver artigo principal: Lista de mortos no Muro de Berlim

Guardas da Alemanha Oriental verificando carros no Checkpoint Drewitz, no lado do Checkpoint Dreilinden/Checkpoint Bravo da Alemanha Oriental em 1972

Soldado Conrad Schumann, do Exército Nacional Popular, desertando para Berlim Ocidental em 1961.

Memorial em homenagem as vítimas do muro em Berlim em 1982.

Nos 28 anos da existência do Muro morreram muitas pessoas. Não existem números exatos e há indicações muito contraditórias, porque a RDA sistematicamente impedia todas as informações sobre incidentes fronteiriços. A primeira vítima morta a tiros foi Günter Litfin, baleado pela polícia dia 24 de agosto de 1961 ao tentar escapar perto da estação FriedrichstraßeRudolf Urban havia morrido em 17 de setembro de 1961 depois de cair no dia 19 de agosto enquanto tentava escapar utilizando uma corda de um apartamento localizado na Bernauer Strasse, exatamente na divisa entre as duas Alemanhas. No dia 17 de agosto de 1962, Peter Fechter sangrou no chamado corredor da morte, à vista de jornalistas ocidentais, sendo a vítima mais famosa.[44] Em 1966, foram mortas duas crianças de 10 e 13 anos. O último incidente fatal ocorreu no dia 8 de março de 1989, oito meses antes da queda, quando Winfried Freudenberg, de 32 anos, morreu na queda de seu balão de gás de fabricação caseira no bairro de Zehlendorf, quando tentava transpor o muro.

Estima-se que na RDA 75 000 pessoas foram acusadas de serem desertores da república. Desertar da república era um crime que, segundo o artigo §213 do código penal da RDA, era punido com até 2 anos de prisão. Pessoas armadas, membros das forças armadas ou pessoas que carregavam segredos nacionais eram mais severamente punidas, se considerado culpado de escape da república, por pelo menos 5 anos de prisão.

Também houve guardas fronteiriços que morreram por causa de incidentes violentos no muro. A vítima mais conhecida era Reinhold Huhn, que foi assassinado por um Fluchthelfer (pessoas que ajudavam cidadãos do Leste a passar a fronteira, ilegalmente). Estes tipos de incidentes eram utilizados pela RDA para a sua propaganda, e para posteriormente justificar a construção do muro de Berlim.

Processos pelas mortes do muro de Berlim

Os processos judiciais do Schießbefehl, a respeito de se atirar em todas as pessoas que tentaram cruzar o Muro entre 1961 e 1989, demoraram até o outono de 2004. Entre os responsáveis acusados, estavam o presidente do Conselho de Estado, Erich Honecker, o sucessor dele, Egon Krenz e os membros do Conselho Nacional de Defesa Erich MielkeWilli StophHeinz KeßlerFritz Streletz e Hans Albrecht e ainda o presidente regional do partido SED em Suhl. Além disso, foram acusados alguns generais, como o chefe das forças fronteiriças, Klaus-Dieter Baumgarten e vários soldados que eram parte do Exército Nacional Popular (NVA) ou das forças fronteiriças da RDA.

Como resultado dos processos, 11 dos acusados foram condenados à prisão, 44 foram condenados a uma pena, que foi suspensa condicionalmente, 35 acusados foram absolvidos. Entre estes, Albrecht, Streletz e Keßler foram condenados a vários anos de prisão. O último processo acabou dia 9 de novembro de 2004, exatamente 15 anos depois da derrubada do Muro, com uma sentença condenatória.

Ver também

Referências

  1. Hertle, Hans-Hermann; Nooke, Maria (2009). Die Todesopfer an der Berliner Mauer 1961–1989. Ein biographisches Handbuch. [S.l.: s.n.] 24 páginas. ISBN 3-86153-517-3
  2.  Freedom! – TIME
  3.  Miller 2000, p. 4-5
  4.  Miller 2000, p. 16
  5.  Miller 2000, p. 18-23
  6.  Turner 1987, p. 23
  7.  Miller 2000, p. 10
  8.  Miller 2000, p. 13
  9.  Wettig 2008, p. 95-5
  10.  The political process contrasted with that in western German zones occupied by Britain, France and the United States, where minister-presidents were chosen by freely elected parliamentary assemblies. (Turner, Henry Ashby The Two Germanies Since 1945: East and West, Yale University Press, 1987, ISBN 0300038658, p. 20)
  11.  Gaddis 2005, p. 33
  12.  Miller 2000, p. 65-70
  13.  Turner 1987, p. 29
  14.  Fritsch-Bournazel, Renata, Confronting the German Question: Germans on the East-West Divide, Berg Publishers, 1990, ISBN 0-85496-684-6, page 143
  15.  Gaddis 2005, p. 34
  16.  Miller 2000, p. 180-81
  17.  Wettig 2008, p. 179
  18.  In a congratulatory telegram, Stalin emphasized that, with the creation of East Germany, the “enslavement of European countries by the global imperialists was rendered impossible.” (Wettig, Gerhard, Stalin and the Cold War in Europe, Rowman & Littlefield, 2008, ISBN 0742555429, p. 179)
  19.  Thackeray 2004, p. 188
  20.  Bayerisches Staatsministerium für Arbeit und Sozialordnung, Familie und Frauen, Statistik Spätaussiedler Dezember 2007, p. 3 (em alemão)
  21.  Loescher 2001, p. 60
  22.  Loescher 2001, p. 68
  23.  Dale 2005, p. 17
  24.  Entrevista por Annamarie Doherr, correspondente em Berlim para o Frankfurter Rundschau, 15 de junho de 1961. Original disponível no site (em alemão) Chronik der Mauer
  25. ↑ Ir para:a b CALENDÁRIO HISTÓRICO 1961: Construção do Muro de Berlim(em português)
  26.  ENGELHARDT, Manfred. Ein Sonntag und alle unsere Sommer. Rundfunk der DDR 1987. (em alemão) (CONLEY, Patrick. Features und Reportagen im Rundfunk der DDR. Tonträgerverzeichnis 1964-1991. Berlin 1999, p. 141, ISBN 3980737209hdl:10900/62994)
  27.  «Reagan’s ‘tear down this wall’ speech turns 20 – USATODAY.com». Consultado em 19 de fevereiro de 2008
  28.  (em inglês)
  29. ↑ Ir para:a b c d e f g h «Muro de Berlim, da construção à Queda». pt.shvoong.com. Consultado em 2 de junho de 2012
  30.  «Hinterland wall on Bornholmer Straße – Witness to the events of 9 November 1989». Berlin.com. Consultado em 10 de fevereiro de 2020
  31. ↑ Ir para:a b De acordo com Hagen Koch, ex-membro da Stasi, no documentário In Europa de Geert Mak, episódio 1961 – DDR, 25 de janeiro de 2009
  32.  historian, Jennifer Rosenberg Jennifer Rosenberg is a; Fact-Checker, History; Topics, Freelance Writer Who Writes About 20th-Century History. «All About the 28-Year History, Rise and Fall of the Berlin Wall»ThoughtCo
  33.  Burkhardt, Heiko. «Facts of Berlin Wall – History of Berlin Wall». Dailysoft.com. Consultado em 9 de novembro de 2009
  34.  P. Dousset; A. Souquet; S. Lelarge. «Berlin Wall». Consultado em 9 de novembro de 2009Cópia arquivada em 13 de setembro de 2006
  35.  Heiko Burkhardt. «Fourth Generation of Berlin Wall – History of Berlin Wall». Dailysoft.com. Consultado em 9 de novembro de 2009
  36. ↑ Ir para:a b Rise and Fall of the Berlin WallHistory Channel, 2009. DVD-ROM.
  37.  Popiolek. «The Berlin wall : History of Berlin Wall : Facts». Die-berliner-mauer.de. Consultado em 9 de novembro de 2009Cópia arquivada em 12 de outubro de 2007
  38.  Rottman, Gordon L. (2012). The Berlin Wall and the Intra-German Border 1961-89. [S.l.]: Bloomsbury Publishing. ISBN 9781782005087 – via Google Books
  39.  DW News English (30 de junho de 2009). «Walled in! – The inner German border» – via YouTube
  40. ↑ Ir para:a b c Rottman, Gordon L. (2012). The Berlin Wall and the Intra-German Border 1961–89. [S.l.]: Bloomsbury Publishing. ISBN 9781782005087 – via Google Books
  41.  «Foreign News Briefs»UPI
  42.  «Graffiti in the death strip: the Berlin wall’s first street artist tells his story»The Guardian. 3 de abril de 2014. ISSN 0261-3077. Consultado em 31 de outubro de 2018 – via http://www.theguardian.com
  43.  Oltermann, Philip (3 de novembro de 2014). «A line in history: the east German punks behind the Berlin Wall’s most radical art stunt»The Guardian. Consultado em 31 de outubro de 2018
  44.  MOURA, Matheus & OLIVEIRA, Leide. As vítimas do muro. (A queda do Muro de Berlim. São Paulo: Editora Escala, 2009, ISBN 85-7480-131-3, p. 68-69.)

Bibliografia

Ligações externas

Wikipédia

Fonte: RS Notícias: Muro de Berlim – História virtual

RS Notícias: Revolução Romena de 1989 – História virtual

 

 

Manifestantes na Romênia, em dezembro de 1989, após confrontos com forças de Ceausescu.

A Revolução Romena de 1989 foi uma série de tumultos e protestos durante uma semana no final de dezembro de 1989 que culminaram com o derrube do regime comunista de Nicolae Ceaușescu. Os tumultos progressivamente violentos culminaram em um julgamento apressado e na execução de Ceaușescu e de sua esposa Elena. A revolução ocorreu enquanto outras nações do leste europeu faziam uma transição pacífica para a democracia; a Romênia foi o único país do Bloco do Leste a derrubar violentamente o seu regime comunista.[4][5]

Antes da revolução

Ver artigo principal: República Socialista da Romênia

Importante salientar a embaixada soviética em Bucareste era o centro de apoio dos grupos que eram adversários de Ceausescu. Os stalinistas, os militares e os perestroikistas (a partir do anúncio da Perestroika). Muitos eram agentes dos soviéticos que estavam infiltrados no governo romeno.[6]

Assim como em países vizinhos, em 1989 a maior parte da população romena estava insatisfeita com o regime comunista. As políticas econômica e de desenvolvimento de Ceaușescu (incluindo projetos de construção grandiosos e um programa de austeridade para capacitar a Romênia a pagar toda a sua dívida nacional) geralmente eram culpadas pela escassez grave e predominante do país que aumentava a pobreza; além do mais, a polícia secreta (Securitate) havia se tornado tão omnipresente a ponto de tornar a Romênia essencialmente um Estado policial.

Em novembro de 1989 foi sepultado a última aliança que Ceasescu poderia fazer com líderes das repúblicas soviéticas. Na Alemanha Oriental Erich Honecker caiu e na Bulgária Todor Jivkov também caiu. Estes três eram reconhecidos como adversários dos projetos de Mikhail Gorbatchov.

Em 4 de dezembro de 1989. Houve uma reunião entre os líderes do bloco do Leste ( presidentes e ministros de relações exteriores) com Mikhail Gorbatchov. Nicolae Ceaușescu se mostrou reticente na questão da diminuição de asperezas entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte e o Pacto de Varsóvia. E também um relatório sobre a Invasão da Tchecoslováquia em 1968 donde Gorbatchov tentou colocar como uma ação conjunta do Pacto. Ceaușescu ressaltou que a Romênia nunca fez parte disso.[6]

Timișoara

Em 16 de dezembro, um protesto eclodiu em Timișoara como resultado por uma tentativa do governo de desapropriar um sacerdote húngaro metodista dissidente, László Tőkés, que recentemente havia se pronunciado contra o governo e fora acusado de incitar ódio racial. A pedido do governo, seu bispo o havia removido de seu posto, privando-o com isso de seu direito ao seu apartamento, que era um privilégio de sua posição. Por algum tempo, seus paroquianos reuniram-se ao redor de seu apartamento para protegê-lo do assédio e da desapropriação. Muitos transeuntes, incluindo estudantes romenos religiosos, todos acenderam velas e ficaram em volta da casa impedindo a passagem das forças militares, a policia usou de armas para retirar os manifestantes, efetuando disparos em suas pernas, com isso alguns manifestantes começaram a correr por toda a cidade gritando Deus existe em plena força dos pulmões, conseguindo aumentar o contingente dos manifestantes.

Conforme se tornava claro que a multidão não se dispersaria, o prefeito Petre Moț prometeu não desapropriar Tőkés, mas a multidão ficou impaciente — pois Petre Moț se recusou a elaborar documentos oficiais para anular a desapropriação — e começou a se manifestar e gritar. As forças policiais e da Securitate apareceram. Às 19h30, o protesto havia se tornado geral, e a causa original em grande parte havia se tornado irrelevante. Alguns dos protestantes tentaram incendiar o edifício que hospedava o Comitê Distrital do Partido Comunista da Romênia (CPR). A Securitate respondeu com gás lacrimogêneo e jatos d’água, enquanto a polícia espancava os desordeiros e prendia muitos deles. Por volta das 21h00 os desordeiros se retiraram, reagruparam-se ao redor da catedral e começaram a andar pela cidade, mas mais uma vez foram confrontados pelas forças de segurança.

Um tanque T-55 na Ópera de Timișoara

Os tumultos e protestos continuaram no dia seguinte, 17 de dezembro. Os manifestantes invadiram o Comitê Distrital e jogaram na rua documentos do Partido, panfletos de propaganda, obras de Ceaușescu e outras coisas. Os manifestantes mais uma vez pretendiam incendiar o prédio e começaram a fazer uma fogueira, mas foram impedidos desta vez por soldados do exército. A presença do exército significava que as ordens vinham do mais alto escalão, presumivelmente do próprio Ceaușescu. O exército falhou em estabelecer a ordem, mas foi bem-sucedido em tornar Timișoara um verdadeiro inferno: tiroteios, mortes, ferimentos, lutas e o incêndio de carros, Transport Auto Blindat (TAB) (transportes pessoais blindados), tanques e lojas. Após as 20h00, da Piața Libertății (Praça da Liberdade) à Casa de Ópera havia tiroteios ferozes, inclusive nas zonas da ponte Decebal, Calea Lipovei (Estrada Lipovei) e Calea Girocului (Estrada Girocului). Tanques, caminhões e TABs bloquearam as entradas para a cidade enquanto helicópteros continuavam a fazer voos de reconhecimento. Após a meia-noite os protestos acalmaram. Ion Coman, Ilie Matei e Ștefan Gușă inspecionaram a cidade, que parecia estar no dia seguinte a uma guerra: destruição, cinzas e sangue por toda parte.

Na manhã de 18 de dezembro, o centro de Timișoara estava protegido por soldados e Securitate à paisana. O prefeito Moț convocou uma reunião de Partido para condenar o vandalismo dos dias anteriores e declarou lei marcial, proibindo que as pessoas saíssem em grupos maiores de duas pessoas. Apesar do perigo, um grupo de 30 rapazes se dirigiu à catedral, onde pararam e agitaram uma bandeira da qual haviam removido o brasão comunista romeno. Sabendo que seriam alvejados, eles começaram a cantar “Deșteaptă-te, române!“, um antigo hino nacional que havia sido banido desde 1947. Eles foram, de fato, alvejados; alguns morreram, outros ficaram seriamente feridos, outros escaparam.

Em 19 de dezembro, Radu Bălan e Ștefan Gușă visitaram os operários nas fábricas, mas não foram capazes de fazerem eles voltarem ao trabalho. Em 20 de dezembro, operários entraram na cidade em massivas colunas. 100 000 protestantes ocuparam a Piața Operei (Praça da Ópera – hoje Piața Victoriei; Praça da Vitória) e começaram a entoar protestos antigovernamentais: “Noi suntem poporul!” (“Nós somos o povo!”), “Armata e cu noi!” (“O exército está connosco!”), “Nu vă fie frică, Ceaușescu pică!” (“Não tenham medo, Ceaușescu cairá”). Enquanto isso, Emil Bobu e Constantin Dăscălescu foram enviados por Elena Ceaușescu (Nicolae Ceaușescu estando na época no Irã) para se encontrarem com uma delegação dos protestantes; porém, eles se recusaram a cumprir as exigências dos protestantes e a situação permaneceu essencialmente a mesma; no dia seguinte, trens com operários das fábricas em Oltênia chegaram em Timișoara para se unirem aos protestos. Um operário explicou: “Ontem, nosso chefe da fábrica e o oficial do Partido nos reuniram no pátio, nos deram bastões e nos disseram que em Timișoara os húngaros e os baderneiros devastaram a cidade e tínhamos que ir lá e esmagar essa revolta. Mas agora eu percebo que isso não é verdade”.

Bucareste

Os eventos em Timișoara foram amplamente relatados pela rádio popular Voice of America e por estudantes que voltavam para casa para as comemorações de Natal.

Há várias visões conflitantes sobre os eventos em Bucareste que levaram à queda de Ceaușescu em 1989. Uma visão é de que uma parte do CPEx (Conselho Político-Executivo) do Partido Comunista Romeno tentou e falhou em produzir um cenário similar àquele no resto do bloco oriental dos países comunistas, onde a liderança comunista renunciaria em massa, permitindo que um novo governo surgisse pacificamente. Outra visão é de que um grupo de oficiais conspirou de forma bem-sucedida contra Ceaușescu. Vários oficiais afirmaram que conspiraram contra Ceaușescu, mas as evidências além de suas próprias afirmações, na melhor das hipóteses, são escassas. A última visão é sustentada por uma série de entrevistas dadas em 2003–2004 pelo ex-tenente-coronel da Securitate Dumitru Burlan, guarda-costas de Ceaușescu por muito tempo. As duas teorias não são necessariamente mutuamente exclusivas.

Em novembro de 1989 Ceaușescu visitou Mikhail Gorbachev, que lhe pediu para renunciar. Ceaușescu recusou. A questão de uma possível renúncia surgiu novamente em 17 de dezembro de 1989, quando Ceaușescu reuniu o CPEx (Conselho Político-Executivo) para decidir sobre as medidas necessárias para reprimir o levante de Timișoara. Embora atas tenham sido escritas e apresentadas no julgamento de vários membros do CPEx, as stenograma (atas) que restaram à época do julgamento eram incompletas de modo frustrante: páginas estavam faltando, incluindo a discussão de uma possível renúncia.

Queda de Ceaușescu

Dezembro de 1989 marcou a queda de Ceaușescu e o fim do regime comunista na Romênia, uma mudança violenta, que resultou em mais de mil mortes (1 167 mortos[6] )durante os eventos decisivos em Timișoara e Bucareste. Após uma semana de estado de intranquilidade na cidade Timișoara, Ceaușescu perdeu o controle sobre o governo do país, fugindo de Bucareste após convocar uma reunião de apoio que se voltou contra ele em 21 de dezembro de 1989, sendo preso e executado em 25 de dezembro de 1989. A série de eventos conhecida como a Revolução Romena de 1989 permanece até hoje uma questão de debate, com muitas teorias conflitantes sobre as motivações e mesmo as ações de alguns dos personagens principais. Um antigo ativista marginalizado por Ceaușescu, Ion Iliescu, conseguiu reconhecimento nacional como líder de uma coligação governamental improvisada, a Frente de Salvação Nacional (FSN), que proclamou a restauração da democracia e liberdade em 22 de dezembro de 1989. O Partido Comunista foi declarado ilegal e as medidas mais impopulares de Ceaușescu, tais como o Decreto 770 que proibia o aborto e a contracepção,[7] foram revogadas.

Ver também

Referências

  1.  2014 Europa World Year Book, pg. 3758, ISBN 978-1857437140
  2.  Valentin Marin (2010). «Martirii Revoluției în date statistice» (PDF). Bucharest: Editura Institutului Revoluției Române din Decembrie 1989. Caietele Revoluției (em romena). ISSN 1841-6683
  3.  Marius Ignătescu (21 de março de 2009). «Revoluția din 1989 și ultimele zile de comunism»Descoperă.org (em romena)
  4.  Stephen D. Roper, Romania: The Unfinished Revolution, Routledge, 2000, ISBN 978-90-5823-028-7
  5.  George Galloway e Bob Wylie, Downfall: The Ceaușescus and the Romanian Revolution. Futura Publications, 1991
  6. ↑ Ir para:a b c CARTIANU, Grigore (2012). O fim dos ceausescu. São Paulo: E realizações. 49 páginas
  7.  Mundo, Redacción BBC. «El horror de los niños huérfanos de Rumania: “Fuimos aniquilados como seres humanos”»BBC News Mundo (em espanhol). Consultado em 22 de fevereiro de 2019

Wikipédia

Fonte: RS Notícias: Revolução Romena de 1989 – História virtual