Estamos diante de mais uma tragédia que se abate sobre um país que não sabe qual será o seu futuro
Jurandir Soares
O sofrido povo da Venezuela foi atingido nesta quarta-feira por dois terremotos. Um que atingiu 7,2 na Escala Richter e, 39 segundos depois, outro que chegou a 7,5 na mesma escala. Considerando que um tremor que atinge 6,5 é considerado uma catástrofe, pode-se imaginar o grau de destruição e de mortes causadas pelos dois tremores.
As informações iniciais, passadas pela presidente interina Delcy Rodriguez, indicam um número de mortos que se aproxima de duas centenas e de feridos em torno de mil. Porém, os serviços de socorro indicam que esses números chegarão aos milhares, em vista do elevado número de prédios que ruíram.
EXEMPLOS
Outros episódios dessa natureza, ocorridos tanto na América Latina quanto em outras regiões do mundo, têm mostrado isso. Basta lembrar o que ocorreu no Peru, em 31 de maio de 1970, um tremor de 7,5, que deixou mais de 66 mil mortos. O abalo causou um deslizamento de gelo e rochas que soterrou por completo a cidade de Yungay. Antes disso, em 22 de maio de 1960, o Chile registrou o terremoto de maior magnitude da história, 9,5, que deixou 2 mil mortos e 2 milhões de feridos. O tremor foi seguido de tsunamis destruidores.
Mas, até agora, a mais intensa devastação recente na região aconteceu no Haiti, em 12 de janeiro de 2010. Cerca de 316 mil mortos, 350 mil feridos e 1,5 milhão de desabrigados. É considerado um dos sismos mais severos da história da América Latina.
OUTROS
Anualmente, segundo o site Mundo Educação, ocorrem cerca de 300 mil tremores em todo o planeta, e muitos deles não são percebidos. Esse fenômeno ocorre em diferentes intensidades e intervalos de tempo. E, a propósito de outros eventos, em outras partes do mundo e em tempos anteriores, cabe citar o ocorrido em Lisboa, em 1º de novembro de 1755, com escala de 9,0, que vitimou mais de 100 mil pessoas. No dia 14 de fevereiro de 1556, na cidade chinesa de Shaanxi, ocorreu um grande tremor. Apesar da imprecisão dos dados, esse ocupa o primeiro lugar quanto ao número de mortes provocadas por fenômenos naturais, pois 800 mil pessoas perderam suas vidas.
Cabe registrar a ocorrência de San Francisco, na Califórnia, EUA, em 18 de abril de 1906, com intensidade de 7,9, que deixou mais de 3 mil mortos. E revelou o que passou a ser chamado de Falha de San Andreas. Trata-se de uma gigantesca fratura geológica com cerca de 1,3 mil km de extensão e 15 km de profundidade, localizada no estado da Califórnia. Ela marca o limite entre duas grandes placas tectônicas: a Placa do Pacífico e a Placa Norte-Americana. E deixa a possibilidade de outros tremores virem a acontecer.
SOFRIMENTO
Assim como o que ocorreu no Haiti, o tremor da Venezuela atinge um país em crise profunda. A economia venezuelana enfrenta uma grave crise com o colapso da produção petroleira, retração drástica do PIB e hiperinflação. Isso gerou pobreza generalizada e o maior êxodo da história recente da América Latina, com mais de 7,9 milhões de pessoas deixando o país desde 2014.
A Colômbia é a nação que mais recebeu venezuelanos, ficando o Brasil em segundo lugar. De acordo com o IBGE, 582 mil venezuelanos são registrados atualmente com residência ativa no Brasil e 272 mil vivendo como residentes eventuais ou refugiados. Eles representam o maior grupo de estrangeiros no país, superando a comunidade portuguesa. Porém, já há informações de que os cubanos estariam chegando em maior número do que os venezuelanos atualmente.
FUTURO
Enfim, o fato é que estamos diante de mais uma tragédia que se abate sobre um país que não sabe qual será o seu futuro. Afinal, estava sob a ditadura de Nicolás Maduro, que foi sacado do poder por forças dos EUA, onde se encontra preso. A então vice Delcy Rodriguez foi colocada na presidência, onde vai ficando sem uma definição.
A única coisa que se tem certeza é de que a Venezuela precisa agora muito da solidariedade internacional. A qual, pelas informações, felizmente, está chegando em grande número. Tanto em mantimentos quanto em socorristas.
Correio do Povo
Fonte: Pobre Venezuela