Irã contra EUA e Ucrânia

O confronto entre Estados Unidos e Irã não produziu os resultados políticos esperados por Washington

Jurandir Soares

A política externa dos Estados Unidos passou a enfrentar um dilema de grandes proporções ao abrir uma nova frente de conflito contra o Irã, enquanto reduzia significativamente o apoio militar à Ucrânia. A decisão do presidente Donald Trump alterou o equilíbrio estratégico em duas regiões distintas, mas interligadas: o Oriente Médio e o Leste Europeu.

Os confrontos diretos entre forças norte-americanas e iranianas têm se alternado entre dias seguidos de combates, com outros de negociações, mas, a crise permanece longe de uma solução definitiva. Ao mesmo tempo, Teerã continua desempenhando papel relevante na guerra da Ucrânia ao manter sua cooperação militar com Moscou, ampliando um cenário de instabilidade que ultrapassa fronteiras.

CONFLITO

O confronto entre Estados Unidos e Irã não produziu os resultados políticos esperados por Washington. Mesmo após ataques contra instalações militares e nucleares iranianas, o regime manteve sua capacidade de reorganização e segue adotando uma estratégia de pressão indireta por meio de aliados regionais e de sua cooperação com a Rússia.

Essa realidade demonstra que guerras de desgaste dificilmente produzem soluções rápidas. Em vez disso, prolongam tensões e aumentam os custos políticos, militares e econômicos para todos os envolvidos.

ALIANÇA

Enquanto enfrenta a pressão norte-americana, o Irã mantém sua parceria estratégica com Moscou. Entre os principais instrumentos dessa cooperação estão os drones de ataque, frequentemente chamados de “drones kamikazes”, utilizados pela Rússia contra alvos militares e infraestrutura ucraniana.

Em contrapartida, informações dos serviços de investigação apontam que a Rússia compartilha dados estratégicas e conhecimentos militares que reforçam a capacidade defensiva e operacional iraniana. Também existem avaliações de que essa cooperação inclui intercâmbio de inteligência e planejamento logístico voltado aos interesses comuns dos dois países.

UCRÂNIA

A confrontação do Irã com a Ucrânia se tornou mais evidente nesta semana, com a informação de que a Marinha ucraniana atacou no Mar Cáspio um navio iraniano que estaria levando armamentos para a Rússia. O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou o que chamou de “ato de agressão” e o país disse que vai defender seus interesses e sua segurança nacional… Já o presidente Volodimir Zelensky disse que a Rússia estaria fornecendo informações de satélite ao Irã para atacar os países do Golfo Pérsico que possuem bases norte-americanas. Estes fatos são citados pelo jornal britânico The Guardian.

A redução da assistência militar norte-americana alterou profundamente o quadro da guerra na Ucrânia. Com menor participação dos Estados Unidos, os países europeus passaram a assumir parcela crescente do financiamento, do treinamento militar e do fornecimento de equipamentos ao governo de Kiev.

AMPLIAÇÃO

O que se percebe é que o Irã, mesmo envolvido com a sua confrontação com os Estados Unidos, não deixa de ampliar sua ação para mais uma frente de batalha. Assim como a Ucrânia, envolvida com a Rússia, também declara um novo inimigo. Mais um desafio porque a ausência do apoio norte-americano em sua escala anterior ampliou as dificuldades ucranianas diante da capacidade industrial e militar da Rússia.

Quanto ao presidente Trump, cabe a crítica de ter deixado de lado um país estratégico para o Ocidente no que toca às intenções expansionistas do russo Vladimir Putin. É consenso na Europa de que se a Ucrânia cair, Putin não vai parar por ali. Seguirá em frente em busca de seu sonho de recompor a antiga União Soviética. É por isto que os europeus não param com a ajuda à Ucrânia. E criticam Trump que foi criar outro problema para o Ocidente com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde os navios passavam antes sem nenhum problema ou custo.

Correio do Povo

Fonte: Irã contra EUA e Ucrânia

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