Elizabeth Thompson: a Lady Butler que pintou a guerra sem glorificá-la

 

 

Elizabeth Southerden Thompson (1846-1933), Lady Butler, foi a mais famosa pintora militar britânica do século XIX.

Nascida em 3 de novembro de 1846 em Lausanne, na Suíça, filha de Thomas James Thompson e Christiana Weller, ela era irmã da poetisa Alice Meynell. Cresceu na Itália e começou a estudar arte em 1862. Em 1866 entrou na Escola Feminina de Arte em South Kensington, em Londres.

Ainda estudante, expôs aquarelas na Galeria Dudley e um óleo na Sociedade de Artistas Mulheres, em 1867. Convertida ao catolicismo em 1869, estudou na Accademia di Belle Arti de Florença com Giuseppe Bellucci. Assinava como EB, Elizth. Thompson ou Mimi Thompson, seu apelido de infância.

A virada para a pintura de batalha

No início pintou temas religiosos, como O Magnificat (1872). Após ir a Paris em 1870 e ver as cenas de batalha de Meissonier e Detaille, mudou o foco.

Com Desaparecido (1873), sobre a Guerra Franco-Prussiana, chegou à Royal Academy. A consagração veio em 1874 com A Chamada (The Roll Call), que mostra soldados exaustos da Crimeia. O quadro fez tanto sucesso na Exposição de Verão que foi preciso um policial para conter a multidão. Foi comprado pela Rainha Vitória. Butler escreveu: “Acordei e descobri que era famosa”.

Sua fama cresceu também porque era jovem e bonita, algo incomum para pintores de guerra na era vitoriana. Suas obras, embora ligadas ao romantismo imperial, eram realistas: mostravam lama, confusão e exaustão, focando nas tropas britânicas em ação ou logo após o combate, sem corpo a corpo explícito.

Principais obras: O 28º Regimento em Quatre Bras (1875), Balaclava (1876), Remanescentes de um Exército (1879, a chegada de William Brydon a Jalalabad), A Defesa de Rorke’s Drift (1880) e Escócia para Sempre! (1881, os Scots Greys em Waterloo).

Em 1879, ficou a apenas dois votos de se tornar a primeira mulher Membro Associado da Royal Academy – feito que só ocorreria em 1922 com Annie Swynnerton.

Vida pessoal

Em 1877 casou-se com o oficial William Francis Butler, que se tornaria Sir William, e passou a ser Lady Butler. Viajou com o marido pelos confins do Império e teve seis filhos.

Expôs no Palácio de Belas Artes na Exposição Mundial de Chicago em 1893. Também fez ilustrações para poemas da irmã e obras de Thackeray.

Após a aposentadoria do marido, viveu no Castelo de Bansha, em Tipperary, Irlanda. Lá pintou aquarelas da Palestina que depois foram levadas para o Castelo de Gormanston e quase todas destruídas na Segunda Guerra Mundial.

Viúva desde 1910, morou em Bansha até 1922, quando foi para o Castelo de Gormanston, no Condado de Meath, com a filha Eileen, Viscondessa Gormanston. Morreu lá em 2 de outubro de 1933, aos 86 anos, e foi sepultada em Stamullen.

Como ela mesma definiu em sua autobiografia de 1922: “Eu nunca pintei para a glória da guerra, mas para retratar seu pathos e heroísmo”.

Fonte: Elizabeth Thompson: a Lady Butler que pintou a guerra sem glorificá-la

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