A Polícia Federal pediu a abertura de um segundo inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. A investigação apura indícios de irregularidades na atuação dele junto a um empresário de tecnologia que teria buscado negócios na Dataprev, estatal de tecnologia do governo federal.
De acordo com a PF, o empresário teria bancado ao menos uma viagem para Lulinha e, em troca, obtido contratos no governo.
A defesa de Lulinha classificou a investigação como “pesca probatória”, afirmou que a polícia não encontrou nenhuma prova contra ele e que ele não intercedeu em favor de ninguém no governo federal.
STF autoriza apuração
A nova apuração foi autorizada nesta sexta-feira, 31 de julho, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A PF também solicitou um terceiro inquérito sobre outros fatos envolvendo Lulinha, que ainda está em fase de distribuição no STF.
Os pedidos da PF não indicavam distribuição direta a Mendonça, o que abriria brecha para sorteio livre, mas o sistema do STF sorteou novamente o ministro como relator nos dois primeiros inquéritos.
Quem é o empresário investigado
O empresário alvo deste segundo inquérito é Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3STRUCTURE IT. Procurado, ele disse ser amigo pessoal de Lulinha, negou ter obtido negócios com a Dataprev e negou irregularidades.
Ribas entrou no radar da PF a partir das investigações sobre desvios no INSS, por sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como líder de um esquema de desvios na autarquia.
Segundo a apuração, Ribas teria atuado com o Careca do INSS e com a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, na prospecção de contratos federais. Em diálogos entre Roberta e o Careca, há menção a “Cléber na Data”. A PF identificou contratos fechados com o governo e pagamentos da empresária à empresa de Ribas.
Um dos indícios citados é uma viagem em 15 de dezembro de 2024 para Foz do Iguaçu emitida com o mesmo localizador para Ribas e Lulinha, o que, para a PF, indica que o empresário pagou as despesas do filho do presidente.
