Jan van Eyck – O mestre flamengo que revolucionou a pintura a óleo

Jan van Eyck (c. 1390 – 9 de julho de 1441) foi um pintor flamengo do século XV, do gótico tardio, irmão de Hubert van Eyck. É considerado um dos melhores e mais célebres artistas dos primitivos flamengos, pelas inovações no retrato e na paisagem. Ao lado de Robert Campin, foi peça-chave na criação da escola flamenga, com ênfase na observação do mundo natural.

 

Biografia

Nascido provavelmente em Maaseik, nos atuais Países Baixos do Sul, Jan van Eyck teve como bases artísticas os escultores Claus Sluter e Melchior Broederlam. Em 1425, foi nomeado pintor da corte de Filipe III da Borgonha, o Bom, cargo que conservou até a morte, em Bruges, onde foi sepultado na Catedral de São Donaciano.

A relação com o duque era de grande confiança. Filipe encarregou-o de missões diplomáticas na Espanha, Portugal e Itália, viagens que explicam muitas das mudanças que sua arte provocou nesses países. Na Itália, percebe-se a influência flamenga em artistas como Melozzo da Forlì. Em Portugal, sua passagem é associada a uma renovação da pintura gótica que ainda imperava, visível, por exemplo, nos Painéis de São Vicente de Fora, hoje no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

Foi casado com Margareta van Eyck.

Obra e estilo

A obra de van Eyck caracteriza-se pelo naturalismo, meticulosos pormenores, cores vivas e extrema precisão nas texturas e na busca por novos sistemas de representação da tridimensionalidade. Embora não recorresse com tanta frequência à perspectiva linear, inovava na técnica: pintava a madeira de branco e a polia, o que concedia à pintura um brilho excepcional e um ligeiro efeito de profundidade.

É marcante também a influência da pintura helenística. O artista concedia profundidade e sombras mesmo nas zonas de maior luz, uma iniciação ao realismo. Outro traço constante é a monumentalidade das figuras humanas. Em seu quadro mais famoso, O Casal Arnolfini (1434), tanto Giovanni di Nicolao Arnolfini quanto sua esposa Giovanna são representados como monumentos.

Entre suas obras destacadas estão o Retábulo de Gante (com o irmão Hubert), a Madonna do Chanceler Rolin, a Madonna de Lucca, a Virgem com o Cônego van der Paele e Santa Bárbara.

Entre seus herdeiros diretos estão Rogier van der Weyden, Hugo van der Goes, Petrus Christus, Konrad Witz, Hans Memling e Martin Schongauer.

O inventor da pintura a óleo

Para espelhar a realidade em todos os pormenores, van Eyck precisou aperfeiçoar a técnica pictórica. Foi-lhe atribuída a invenção da pintura a óleo.

Na Idade Média, os pintores preparavam seus próprios pigmentos, extraídos de plantas e minerais, triturados entre duas pedras e misturados com ovo – a têmpera –, que secava muito depressa.

Insatisfeito, van Eyck passou a usar óleo em vez de ovo. Assim, podia trabalhar mais devagar e com maior exatidão, fazer cores lustrosas aplicáveis em camadas transparentes ou “veladuras” e adicionar detalhes brilhantes em relevo com pincel de ponta fina. Foram esses milagres de precisão e minúcia que espantaram seus contemporâneos e levaram à aceitação geral do óleo como o veículo pictórico mais adequado, como descreve E. H. Gombrich em A História da Arte.

Fonte: Jan van Eyck – O mestre flamengo que revolucionou a pintura a óleo

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