William Shakespeare (1564-1616) foi um poeta, dramaturgo e ator inglês nascido em Stratford-upon-Avon. Considerado o maior escritor da língua inglesa e um dos maiores dramaturgos da história, ficou conhecido como Poeta Nacional da Inglaterra e Bardo de Avon.
De sua obra sobreviveram 39 peças teatrais, 154 sonetos, dois longos poemas narrativos e alguns versos esparsos. Seus textos foram traduzidos para todas as principais línguas modernas e são os mais encenados no mundo.
Vida
Filho de John Shakespeare, fabricante de luvas e vereador, e Mary Arden, Shakespeare foi batizado em 26 de abril de 1564. Sua data de nascimento é tradicionalmente celebrada em 23 de abril, mesmo dia em que morreu, em 1616, aos 52 anos. Provavelmente estudou na King’s New School, em Stratford.
Aos 18 anos, casou-se com Anne Hathaway, de 26 anos. Tiveram três filhos: Susanna e os gêmeos Hamnet e Judith. Hamnet morreu aos 11 anos.
Entre 1585 e 1592 há poucos registros sobre ele – o período chamado de “anos perdidos”. Em 1592 já era conhecido em Londres como ator e autor, sendo citado em críticas de outros dramaturgos como Robert Greene.
A partir de 1594, suas peças foram encenadas apenas pelos Lord Chamberlain’s Men, companhia da qual era um dos proprietários e que se tornou a principal de Londres. Após a coroação de Jaime I, em 1603, passou a se chamar King’s Men.
Em 1599, a companhia construiu o Globe Theatre, na margem sul do Tâmisa. Em 1608, assumiu também o teatro Blackfriars. Os negócios teatrais tornaram Shakespeare um homem rico. Comprou a casa New Place, em Stratford, em 1597, e investiu em propriedades.
Continuou dividindo seu tempo entre Londres e Stratford até se aposentar por volta de 1613, ano em que o Globe pegou fogo durante a apresentação de Henrique VIII. Morreu em 23 de abril de 1616, um mês após assinar seu testamento, no qual deixou a maior parte dos bens para a filha Susanna e a famosa “segunda melhor cama” para a esposa Anne.
Foi enterrado na Igreja da Santíssima Trindade, em Stratford, onde seu túmulo traz um epitáfio com maldição contra quem mover seus ossos.
Obra
Shakespeare produziu a maior parte de sua obra entre 1590 e 1613.
Fase inicial (1590-1595): comédias e dramas históricos como Henrique VI, Ricardo III, A Comédia dos Erros, A Megera Domada, Os Dois Cavalheiros de Verona e Sonho de uma Noite de Verão.
Fase de equilíbrio (1595-1600): grandes comédias românticas como O Mercador de Veneza, Muito Barulho por Nada, Como Gostais e Noite de Reis, e históricas como Ricardo II, Henrique IV e Henrique V. Também Romeu e Julieta e Júlio César.
Fase das tragédias (1600-1608): considerada o auge de sua arte. Escreveu as chamadas “peças problemáticas” – Medida por Medida, Troilo e Créssida e Tudo Está Bem Quando Termina Bem – e as grandes tragédias Hamlet, Otelo, Rei Lear, Macbeth, Antônio e Cleópatra e Coriolano.
Fase final (1608-1613): tragicomédias e romances como Cimbelino, O Conto do Inverno e A Tempestade, além das colaborações Péricles, Henrique VIII e Os Dois Nobres Parentes, provavelmente com John Fletcher.
Suas peças são tradicionalmente divididas em comédias, tragédias e históricas, classificação estabelecida no Primeiro Fólio, coletânea de 36 peças publicada em 1623 por seus amigos John Heminges e Henry Condell, sete anos após sua morte.
Poemas e Sonetos
Quando os teatros foram fechados pela peste, em 1593-1594, publicou os poemas narrativos Vênus e Adônis e O Estupro de Lucrécia, dedicados ao Conde de Southampton. Em 1609 foram publicados seus 154 sonetos, dedicados a um misterioso “Sr. W.H.”, que abordam amor, tempo, paixão e morte.
Legado
Respeitado em vida, Shakespeare só atingiu o status de gênio universal no século XIX, com os românticos e vitorianos – fenômeno que George Bernard Shaw chamou de “bardolatria”. Hoje, suas peças continuam sendo estudadas, encenadas e reinterpretadas em todos os contextos culturais e políticos.
Restam poucos registros sobre sua vida privada, o que alimenta debates sobre sua aparência, sexualidade, crenças religiosas e até a autoria de suas obras.
Fonte: William Shakespeare – Vida, obra e legado do Bardo de Avon
