Luís Vaz de Camões (c.1524 – 10 de junho de 1579/80) foi um poeta, dramaturgo e soldado português, considerado o poeta nacional de Portugal, o maior nome do Renascimento português e o autor mais importante da língua portuguesa. Sua obra-prima é a epopeia Os Lusíadas (1572).
Pouco se sabe com certeza sobre sua vida. Acredita-se que nasceu em Lisboa, por volta de 1524, em família da pequena nobreza. Teria recebido sólida formação clássica, com domínio do latim e conhecimento de literatura antiga e moderna. Pode ter estudado em Coimbra, mas não há registro. Frequentou a corte de D. João III, iniciou-se na poesia lírica e levou, segundo a tradição, uma vida boêmia e turbulenta, com amores conturbados.
Conta-se que se autoexilou para o norte da África como militar, onde perdeu o olho direito em combate. De volta a Lisboa, feriu um servo do Paço, foi preso e perdoado, partindo para a Índia em 1553, na armada de Fernão Álvares Cabral.
O Oriente e Os Lusíadas
Em Goa, alistou-se ao serviço do vice-rei, combateu no Índico, no Mar Vermelho e em Ormuz. Nesse período teria começado a escrever Os Lusíadas. Teve vida instável: foi preso por sátiras, nomeado Provedor dos Defuntos e Ausentes em Macau (1562-1565), onde a tradição diz que escreveu parte da epopeia na Gruta de Camões. Na volta para Goa naufragou na foz do rio Mekong, salvando, segundo o relato, apenas a si mesmo e o manuscrito. O episódio inspirou as redondilhas “Sôbolos rios que vão”.
Em Moçambique, em 1568, foi encontrado por Diogo do Couto em extrema pobreza. Amigos pagaram suas dívidas e ele retornou a Lisboa em 1570, na nau Santa Clara.
Em Portugal apresentou Os Lusíadas a D. Sebastião, que autorizou a publicação em 1572 e lhe concedeu uma pensão anual de 15 mil réis como cavaleiro fidalgo.
Viveu seus últimos anos com dificuldades financeiras em um quarto perto da Igreja de Santa Ana, em Lisboa. Adoeceu durante a peste de 1580 e morreu em 10 de junho de 1580, sendo enterrado em cova rasa. Seus restos mortais nunca foram identificados com certeza após o terremoto de 1755. A ossada depositada no Mosteiro dos Jerónimos em 1880 provavelmente não é a dele.
Obra
Camões atuou em quatro gêneros:
1. Épico: Os Lusíadas (1572) – É a epopeia nacional. Em 10 cantos, 1102 estrofes e 8816 versos decassílabos em oitava-rima, narra a viagem de Vasco da Gama à Índia e a história de Portugal, fundindo mitologia greco-romana e fatos históricos. Começa com “As armas e os barões assinalados”. É ao mesmo tempo celebração, crítica de costumes e reflexão sobre o império, com episódios marcantes como Inês de Castro, o Velho do Restelo e o Gigante Adamastor.
2. Lírico: Rimas (1595, póstumo) – Reúne sonetos, canções, odes, elegias, éclogas e redondilhas. O soneto “Amor é fogo que arde sem se ver” sintetiza seu estilo: paradoxal, maneirista, entre o idealismo platônico e a experiência concreta do sofrimento amoroso. Foi mestre do soneto petrarquista e da redondilha tradicional.
3. Teatro: Anfitriões (1587), Filodemo (1587) e El-Rei Seleuco (1645) – Comédias em estilo vicentino que unem modelo clássico e nacional.
4. Cartas em prosa e verso – Revelam um Camões irônico, desenganado e reflexivo.
Sua linguagem introduziu dezenas de latinismos (aéreo, diáfano, excelente) e fixou o português moderno. Se na juventude foi mais clássico e equilibrado, evoluiu para um estilo maneirista: inquieto, contraditório, dramático e precursor do Barroco.
Símbolo nacional e influência
Reconhecido já em vida por nomes como Tasso e Cervantes, foi traduzido precocemente para o espanhol (1580), inglês, francês e alemão. Influenciou Milton, Goethe e toda a literatura brasileira, de Bento Teixeira e Gregório de Matos a Drummond.
No Romantismo, sua biografia foi mitificada como a do gênio incompreendido. Em 1880, o tricentenário de sua morte foi celebrado como festa de reafirmação nacional. Durante o Estado Novo foi usado como instrumento de propaganda. Desde 1977, o dia de sua morte, 10 de junho, é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. O Prêmio Camões (1989) é o maior prêmio literário da lusofonia.
Hoje, cratera em Mercúrio e asteroide levam seu nome, e seu rosto estampou moedas, selos e monumentos. É unanimemente considerado um dos maiores poetas da tradição ocidental.
Fonte: Luís de Camões – Vida, obra e o poeta nacional de Portugal
