Faye Dunaway: a diva de Hollywood que trocou o glamour pela intensidade

Se você pensa em uma estrela clássica de Hollywood, com aquele olhar que mistura beleza, perigo e inteligência, provavelmente está pensando em Faye Dunaway. 

Nascida Dorothy Faye Dunaway em 14 de janeiro de 1941, em Bascom, nos Estados Unidos, ela começou onde toda grande atriz americana queria estar nos anos 60: na Broadway. Mas foi o cinema que a transformaria em mito.

A estreia foi discreta, em 1967, com Acontece Cada Coisa (The Happening), de Otto Preminger. Só que no mesmo ano veio o furacão. Com 26 anos, Faye vestiu a boina de Bonnie Parker em Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas, ao lado de Warren Beatty. O filme estourou, ganhou Oscars, chocou a América e fez dela uma celebridade internacional da noite para o dia. Primeira indicação ao Oscar.

Dali em diante, foram os anos de ouro. Faye virou a musa mais requisitada dos anos 70. Foi a parceira elegante de Steve McQueen em Crown, o Magnífico (1968), a enigmática Evelyn Mulwray de Chinatown (1974), de Roman Polanski, contracenando com Jack Nicholson — segunda indicação ao Oscar —, a jornalista em fuga de Três Dias do Condor (1975) com Robert Redford, a vítima do incêndio em Inferno na Torre (1974) e a fotógrafa assombrada de Os Olhos de Laura Mars (1978).

O auge veio em 1976 com Rede de Intrigas (Network). Como a fria e ambiciosa executiva de TV Diana Christensen, ela finalmente levou o Oscar de Melhor Atriz. Também ganhou um Globo de Ouro por esse papel, além de outros dois depois: por Ellis Island (1985) e Gia – Fama e Destruição (1998). No currículo ainda cabem um Emmy por Columbo (1994) e um BAFTA de estreante por Bonnie and Clyde.

Mas Hollywood pode ser cruel com suas rainhas. Nos anos 80, os grandes papéis rarearam. Faye aceitou um desafio arriscado: viver Joan Crawford em Mamãezinha Querida (1981). Ela entregou uma atuação visceral, assustadora, como a estrela dos anos 30 que seria uma mãe tirana. O público odiou a personagem — e acabou punindo a atriz. Ela mesma disse que o filme arruinou sua carreira como protagonista porque foi “muito boa num papel odioso”.

Longe dos blockbusters, ela seguiu firme no cinema independente e na TV, com trabalhos marcantes em Supergirl (1984), Barfly – Condenados pelo Vício (1987), Arizona Dream (1993), e no reencontro com seu ídolo Marlon Brando em Don Juan DeMarco (1995), com Johnny Depp.

No teatro, nunca parou. Fez desde A Man for All Seasons no início dos 60 até Master Class (1996), vivendo a diva Maria Callas — papel que lhe rendeu o prêmio Sarah Siddons.

Na vida pessoal, romances com nomes como Jerry Schatzberg e Marcello Mastroianni, dois casamentos — com o cantor Peter Wolf (1974-1979) e com o fotógrafo Terry O’Neill (1983-1987), com quem teve seu filho, Liam Dunaway O’Neill — e uma estrela na Calçada da Fama desde 1996.

Oficial da Ordem das Artes e Letras da França desde 2011, Faye Dunaway nunca foi uma atriz confortável. Ela sempre escolheu a intensidade em vez do glamour fácil. E é por isso que, aos 85 anos, continua inesquecível.

Fonte: Faye Dunaway: a diva de Hollywood que trocou o glamour pela intensidade

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