A decisão do governo Lula de aumentar o Bolsa Família a 17 dias do primeiro turno é a síntese perfeita de pânico eleitoral com populismo gastador.
Ninguém discute o mérito da política social. Em um país com o nível de desigualdade do Brasil, reajustar o valor do benefício para as famílias mais pobres é uma medida correta, necessária e, inclusive, tardia. O que torna a iniciativa indefensável é a forma e, sobretudo, o momento.
O aumento não estava previsto no Orçamento enviado pelo próprio governo ao Congresso. Não há lastro fiscal, não há planejamento, não há estudo de impacto. Há apenas o calendário eleitoral. A ausência de qualquer previsão orçamentária escancara o propósito descaradamente eleitoreiro da medida.
Trata-se de uso da máquina pública para tentar comprar, com dinheiro do contribuinte, alguns pontos nas pesquisas. É a velha prática do populismo gastador: distribui-se benefício agora e deixa-se a conta para depois, comprometendo a responsabilidade fiscal em nome da sobrevivência política.
Lula sabe que a eleição se complicou e apela ao expediente mais primário. Se o reajuste fosse realmente uma prioridade social do governo, por que esperar quase quatro anos para anunciá-lo, exatamente na reta final da campanha? A resposta é óbvia e desmoraliza qualquer tentativa de defesa técnica da medida.
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Fonte: Bolsa Família turbinado na véspera da eleição expõe desespero de Lula e populismo fiscal


